Dia do metal no Rock in Rio teve cabeleiras no ar e multidão de preto em cirandas punk

RIO DE JANEIRO, RJ, 04.10.2019 – EVENTO-ROCK IN RIO: Show da banda Sepultura no palco Mundo, durante o quinto dia do festival Rock in Rio, realizado no Parque Olímpico, na zona oeste do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (4). (Foto: Gilson Borba/Photo Press/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Com todo o respeito aos outros dias, mas metal é foda", gritou o guitarrista Andreas Kisser durante o show de sua banda, o Sepultura, na abertura do palco principal do Rock in Rio nesta sexta-feira (4).

O músico celebrava a volta do dia do metal: o ritmo não teve uma data dedicada a ele na última edição, em 2017.

O Sepultura é arroz de festa do festival: desde que o evento voltou a ser realizado no Brasil, em 2011, eles só ficaram de fora na edição de 2015. Esta foi a quarta participação do grupo apenas nesta década.

O setlist privilegiou músicas antigas e mais conhecidas. Apesar de o Sepultura ser a banda nacional de heavy metal mais bem-sucedida de todos os tempos, a sensação é que o quarteto depende cada vez mais do passado para causar comoção no público.

A maior prova é que "Inner Self", uma faixa não muito conhecida de 1989, teve recepção mais calorosa do que "Phantom Self", de três anos atrás.

O ápice da apresentação foi o seu encerramento, com "Roots", do disco homônimo de 1996 que une o metal agressivo à percussão brasileira.

O ritmo continuou acelerado no palco Sunset, com o show da veterana Anthrax.

"Vocês gostam de thrash metal?", perguntou o guitarrista Scott Ian. "Então vocês estão no lugar certo". O thrash é uma versão mais rápida do heavy metal.

Hits de uma carreira de quase 40 anos esquentaram uma multidão majoritariamente vestida de preto em um início de noite que foi bem quente na capital fluminense.

"Caught in a Mosh", "Madhouse", "I Am the Law", "Antisocial" foram alguns dos sucessos que foram entoados pelo performático e aparentemente incansável vocalista, Joey Belladona.

Com um bronzeado em dia, ele andou pelo palco todo num vaivém constante, acenou para as câmeras de televisão e interagiu com a plateia e seus parceiros musicais.

Em "Indians", a banda contou com o reforço de Chuck Billy, do Testament.

O mesmo Billy participou do show anterior no mesmo palco, dos brasileiros Claustrofobia e Torture Squad. Como todas viveram seu auge nos anos 1990, a apresentação pareceu uma versão metal do encontro de CPM 22 e Raimundos no último sábado (28).

Revezando-se no palco, tocaram "Disciples of the Watch"e "Practice What You Preach" para uma multidão em rodas de pogo --tipo de ciranda punk em que os participantes fazem movimentos bruscos, como cotoveladas e joelhadas.

O show anterior manteve o ritmo acelerado, com o thrash metal feminino das brasileiras do Nervosa. "Não dá muito tempo de falar hoje, né? É thrash atrás de thrash", adiantou no começo do show a vocalista e baixista da banda, Fernanda Lira.

Elas passaram por músicas de seus três discos, "Victim of Yourself", de 2014, "Agony", de 2016, e "Downfall of Mankind", do ano passado.

Bastante presentes em outros dias do festival, também não faltaram manifestações políticas durante o show. A banda dedicou "Raise Your Fist"(erga o seu punho) para Marielle Franco.

"Essa música fala de quando a gente faz essa mistura perigosa entre religião e política, o que tem acontecido no governo", disse a vocalista, ao iniciar a música "Guerra Santa". Os headbangers acompanharam, incansáveis.

As apresentações de Iron Maiden e Scorpions, as principais da noite, não haviam terminado até o encerramento desta edição.