Dia Internacional da Mulher - uma data para ser comemorada todos os dias

Alessandro Vianna*, especial para o Yahoo

Já ficou para o passado destinar o papel da mulher apenas para cuidar da família e da casa. Hoje as mulheres são lutadoras e vencedoras. Mas é o resultado de inúmeras conquistas. Muitas mulheres do nosso meio social não estão inseridas no mercado de trabalho apenas por necessidades financeiras ou por causa do sistema capitalista, mas sim em busca de uma valorização maior e de uma satisfação pessoal. Buscam essa satisfação, mas com uma coordenação tão fantástica, que não esquecem dos filhos, marido, pais, cachorros, etc.

O mercado pediu e confiou. Os homens perderam suas vagas e se calaram diante da força e da coragem delas, que estão à frente de profissões que antes eram impensáveis. Passaram do fogão para a direção, não de carros, mas de caminhões.

De acordo com pesquisas do IBGE, por exemplo, as vagas para mulheres caminhoneiras, tiveram um aumento de 5%, nas transportadoras da região sul do país. Outros  setores também apostam no desempenho delas: na indústria, como soldadoras, na construção civil elas estão pintando paredes e lajotando.

Nós as chamávamos de sexo frágil quando elas apenas pariam. Imaginem o que dizemos hoje? E o que sentimos diante de tudo isso? Elas estão em evidência sim, me desculpem amigos. A liberdade social não é mais uma utopia de décadas atrás. Hoje entram no mercado com o peito pra frente e cada vez mais femininas. Querem cuidar do corpo e da mente, realizar fantasias eróticas, assistir um filme romântico, comer um chocolate, andar pelada em casa, dar gargalhada, fofocar ao telefone sem pressa e até “jogar futebol”.

As questões sobre a sexualidade feminina têm aspectos diferentes em cada época histórica. É inegável que tivemos muitos avanços na manifestação da sexualidade da mulher, principalmente com o surgimento da pílula anticoncepcional. Houve uma revolução sexual, permitindo que o sexo não tivesse, somente como fim, a reprodução, mas que também fosse uma prática prazerosa. Mas será que as mulheres exercem a sua sexualidade livremente?

Os valores sociais ocidentais pregavam e algumas religiões, daqui e de acolá, assim como as instituições dominantes em alguns paises do oriente ainda pregam que o sexo destina-se, apenas, para perpetuar a espécie, não sendo consentido à mulher praticá-lo para sentir prazer. O sexo descomprometido está reservado somente às mulheres de “vida fácil”. Ensinada desde a infância a desempenhar o papel de esposa e rainha do lar, a mulher, durante muito tempo, não pôde conhecer seu corpo, satisfazer seus desejos ou escolher o seu parceiro sexual. Em algumas sociedades, até hoje cultiva-se a prática de mutilação do clitóris em mulheres adultas e, até mesmo, a partir de 5 anos de idade. Esse ato causa inúmeras conseqüências à saúde, como choque cardíaco, hemorragias, sangramentos e complicações em órgãos vizinhos, fora repercussões mentais como depressão, ansiedade e angústia.

Atualmente, ainda existe muito preconceito com relação ao comportamento sexual das mulheres. Muitas são chamadas de promíscuas e devassas por não terem um parceiro fixo ou por não enxergarem a sexualidade como um tabu. Não se trata de obter prazer a qualquer custo e sim de ter a liberdade de escolher se quer fazer sexo ou não, de exigir a camisinha, e de ter uma relação que não necessariamente esteja vinculada à relação amorosa. Mas, principalmente de conhecer o próprio corpo através da masturbação, sem culpa e com autosatisfação sexual.

A busca de direitos de igualdade entre os sexos, passa, necessariamente, pela liberdade sexual. Os movimentos feministas devem dar um combate cotidiano a todo tipo de opressão, inclusive à sexual. A mulher tem direito de sentir prazer e não se sentir culpada por isso.

O filme "Coco antes de Chanel", que mostra a história de uma das mulheres mais influentes do século XX, retrata bem a mudança de atitude das mulheres. “Como um cérebro pode funcionar debaixo desta coisa?”, pergunta Chanel ao arrumar o chapéu bastante ornamentado de uma mulher, em uma cena. A frase resume o pensamento de uma das mulheres mais influentes do século XX.

O legado de Gabrielle Chanel (1883-1971) não está apenas em seus inventos para a moda feminina. Os colares de pérola, o corte de cabelo e o vestidinho preto têm força até hoje por representar uma atitude que ajudou a emancipar a mulher do desconforto que a escondia em espartilhos e chapéus pesados, liberando-a para agir e, principalmente, pensar livremente.

Uma dica aos meus queridos amigos machistas: ligue as setas de seu carro para a direita, pois as mulheres pedem passagem em alta velocidade!!!
 
Feliz dia das Mulheres, como M maiúsculo!

* Alessandro Vianna é psicólogo clínico e sente um enorme prazer em estudar e entender o comportamento humano. Clique neste link para conhecer trabalho dele.