Dez perguntas que vão definir os rumos políticos do Brasil em 2020

O ex-assessor Fabrício Queiroz, durante entrevista ao SBT. Foto: Reprodução/SBT


A Aliança pelo Brasil vai se viabilizar a tempo?

Jair Bolsonaro quer um partido para chamar de seu, e já iniciou um mutirão para coleta de assinaturas. Conta, para isso, com os meios eletrônicos que alavancaram sua campanha em 2018. Conseguirá oficializar seu Três-Oitão no prazo para disputar as eleições municipais? Se não, o agrupamento será, de saída, uma espécie de força política paralela? Se sim, qual a intensidade dessa força?



Qual o rescaldo da briga entre o PSL e Bolsonaro?

O racha no partido que elegeu o presidente, hoje inimigo declarado de Luciano Bivar, dono da legenda, produziu uma briga intestina na base de apoio do governo. Discussões sobre fundo partidário, fundo eleitoral e punição aos que permaneceram fiéis a Bolsonaro podem definir os lados da balança às vésperas da campanha municipal.

Qual o alcance das investigações do caso Flávio-Queiroz?

Amigo radioativo da família Bolsonaro, o ex-PM Fabricio Queiroz, que trabalhava no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio, classificou as investigações do Ministério Público do estado como um cometa prestes a ser enterrado “na gente”. Falta saber quem é “a gente”, quais as extensões das investigações e como elas atingem o discurso anticorrupção do bolsonarismo no cerne.

Qual o papel de Sergio Moro no governo e nas eleições?

O Ministério da Justiça e Segurança Pública poderá ser fatiado para acomodar novos aliados no governo, o que pode ser interpretado como uma espécie de humilhação para o ex-juiz, que no primeiro ano viu seu prestígio com o presidente oscilar e sofreu uma série de derrotas em seu pacote anticrime. Ainda assim, Sergio Moro é o ministro mais popular do governo. Mais que o próprio chefe. Como será sua estreia como cabo eleitoral? Pedirá votos para aliados durante a campanha? Ficará ao lado do presidente mesmo que as investigações sobre seus filhos criem novos embaraços para o outrora símbolo da luta contra a corrupção?

A discussão sobre prisão em segunda instância avançará?

A bola está com o Congresso. O que significa perguntar: Lula continuará livre?

O PT vai se recuperar do tombo de 2016?

O partido, que perdeu metade das prefeituras que administrava em 2016, ano do impeachment, terá em 2020 um novo teste. Em cidades como SP e Rio, periga fazer figuração, e não se sabe como o prestígio de Lula, as alianças com os antigos partidos satélites e o surgimento de novas lideranças (onde estão?) darão musculatura para a legenda que quer fazer frente com o bolsonarismo em 2022.

Os partidos do centro vão se recompor?

No Congresso, o “centrão” já é uma das principais forças políticas do país. Mas como isso chegará ao eleitor quando os partidos unidos para não desaparecer colocarem a cara nas ruas?

Para onde vai o PSDB?

Bruno Covas quer fazer de São Paulo, maior cidade do país, um enclave civilizatório. Falta combinar com o antecessor, João Doria. O partido, em algum momento, deverá deixar claro ao eleitor se é ou não um partido social-democrata ou se vai apostar na guinada à direita, com defesa da redução da maioridade penal e privatizações, para recuperar os votos perdidos para Bolsonaro em 2018.

Qual o alcance das novas fake news?

Em 2018, elas pintaram e bordaram. Em 2020, estarão cada vez mais sofisticadas. Justiça eleitoral, polícia, coletivos de checagem, imprensa e, principalmente, as plataformas eletrônicas conseguiram de alguma forma minimizar a contaminação radioativa da desinformação nos rincões do país que volta às urnas?

A economia vai decolar?

Se é verdade que o eleitor pensa com o bolso, essa é a pergunta que pode anular todas as questões anteriores ao longo do ano.