Desculpe, ‘Vídeo Show’, mas não está rolando

Maíra Charken e Otaviano Costa no novo cenário do programa (Divulgação)

Desde a saída de Monica Iozzi do ‘Vídeo Show’ a coisa anda patinando por lá. Depois de uma série de especulações de quem substituiria a apresentadora, finalmente escolheu-se um nome: Maíra Charken. A atriz, que já havia trabalhado em alguns papéis secundários na emissora, mostrou simpatia, voz afinada e disposição. Mas o fato é que encarar a bancada do programa pós-almoço exige mais do que profissionalismo.

Sejamos sinceros: sem uma dose de anarquia e improviso o ‘Vídeo Show’ é chato pra dedéu. Uma atração de começo de tarde que mostra bastidores da emissora, entrevistas atores e autores globais e seleciona cenas de programas da casa, tudo embalado em uma grande dose de “babaovismo”. Uma vez ou outra pode até ser interessante, mas com o tempo ninguém tem muita paciência para essa espécie de press release eletrônico.

Essa foi uma das razões pela qual o programa viu, ao longo dos anos, sua audiência despencar. Para salva-lo tentou-se de tudo, mas as coisas continuavam de mal a pior. Até que, por um desses acasos da vida, colocaram Monica Iozzi na bancada.

Monica imediatamente mostrou ter a empatia necessária com Otaviano Costa, que só precisava de alguém a sua altura (leia-se nível de irreverência) para tacar fogo no pagode. A dupla rasgou o roteiro e o resultado foi uma melhora na audiência e a volta do programa aos noticiários especializados. Curiosamente isso resultou em um efeito cascata: com o ‘Vídeo Show’ ganhando elogios, atores e outros profissionais da Globo, que costumavam torcer o nariz para os repórteres do programa, passaram a recebe-los com mais simpatia.

Daí você deduzirá, “uau, então a Monica é uma gênia! ”. Não é bem isso. Monica, que é bela sem ser recatada e do lar, simplesmente trouxe aquele grau de improviso e “esculhambação” necessários para prender o espectador. A direção da Globo (ou do programa) parece não ter entendido isso. A entrada de Maíra Charken, por exemplo, fez com que tudo voltasse ao antigo modelo do roteiro seguido à risca, com doses de entediante reverência a texto e contexto.

É da natureza da Globo manter-se dentro da caixa e nunca fugir do que foi pré-estipulado. Chamam a isso “profissionalismo”. Pode ser que seja muito bom para manter o orçamento sob controle, mas, para o espectador, é o equivalente a uma receita que, embora executada corretamente, tem sabor insosso. Basta lembrar de Faustão: antes de ir para a Globo, ele pilotava o insolente ‘Perdidos na Noite’. Chamou a atenção da emissora do Jardim Botânico, que o carregou para lá. Desde então Faustão tem feito seu feijão-com-arroz, mas nunca chegou perto dos atrevimentos do passado.

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O ‘Vídeo Show’ voltou aos tempos dos desesperados testes para trazer audiência e relevância de volta. Mudou de cenário há poucos dias e tem feito rodízio de apresentadores. Na quinta recuperou pontos no Ibope ao colocar Susana Vieira na bancada. Por quê? Porque Susana pode ser imprevisível. É o que o espectador quer. Talvez a salvação seja colocar a imponderável Ana Paula na bancada. Pode ser também que afunde o programa de vez. Mas como diz o ditado, quem não arrisca não petisca.

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