Desânimo para quê te quero? 5 dicas para espantar essa emoção

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Criando alternativas para lidar com o desânimo (Foto: Getty Images)
Criando alternativas para lidar com o desânimo (Foto: Getty Images)

Ter dezenas de objetivos para cumprir, mas nenhuma vontade para tal, se deparar com desafios no trabalho ou nos estudos, mas nenhum ânimo, ou até ter que lidar com tarefas comuns do cotidiano e não sentir nenhum impulso de realizá-las. Estes são cenários cada vez mais comuns em um momento em que a vida de todos mudou radicalmente. O desânimo é um estado que pode tomar conta de qualquer um, mas em meio a uma pandemia pode ser bastante difícil se livrar do pessimismo e sentimentos ruins em geral.

Porém, é preciso entender que neste momento, mais de um ano após a chegada do coronavírus ao Brasil, não estamos falando apenas do desânimo por si só, e sim de muitos outros elementos que se amontoaram junto do descontentamento que muitos experimentam.

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Para entender, é preciso voltarmos alguns passos. O psicólogo William de Almeida explica que a afetividade é um fator muito importante para entender a questão do desânimo. Emoções e sentimentos são estados distintos na linha do prazer. 

Enquanto as emoções surgem como reação imediata frente a um estímulo que diminui gradativamente até desaparecer, sentimentos são construídos por meio da convivência com o outro. Sendo assim, o desânimo pode ser entendido como uma emoção, e o medo, as dúvidas, o confinamento e toda alteração sofrida na rotina servem como estímulos que contribuem para o aumento do mesmo.

Produtividade

Isso também está relacionado ao elemento da produtividade, um assunto em alta em tempos pandêmicos. "Nos cobramos e somos cobrados a todo instante. As atividades que antes eram presenciais, passaram a ser remotas. Dessa forma, a monotonia tomou o lugar da nossa rotina o que acaba contribuindo novamente com o desanimo. Identificar esse estado talvez não seja uma tarefa fácil, porém, reconhecer que ele existe e não se culpar pela ausência de produtividade pode fazer com que seja mais fácil lidar com esse sentimento sempre que ele surgir" explica o psicólogo.

O estudante Théo Amorim viu sua vida mudar de maneira drástica por causa do distanciamento social. "Era uma pessoa que passava a maior parte do tempo fora de casa, seja me divertindo ou só andando de bike pela cidade depois do trabalho. Quando a pandemia começou, senti falta dos meus amigos, mas depois me acostumei a não ter eles presentes. No entanto, nunca me adaptei ao fato de não poder pegar a bike e sair por aí, e essa liberdade é o que mais sinto falta", diz ele.

Atualmente, ele afirma que já nem tenta mais espantar o desânimo, agora uma companhia constante, muito por conta da sensação de que as coisas não irão mudar, seja pelas notícias que são veiculadas na mídia ou por situações do cotidiano que são potencializada. 

Hoje em dia eu estou completamente letárgico em relação à tudo, ao invés de tentar me livrar do desânimo, abraço esse sentimento e escolho dormir até passar. Estou num momento no qual nada mais me anima ou capta minha atenção, não começo uma série nova, por exemplo, já tem quase uns três meses

Sentimentos bons e ruins?

Por outro lado, Almeida afirma que não existem sentimentos ou emoções negativas. "Tudo aquilo que sentimos é importante e necessário para nossa sobrevivência e adaptação. Tristeza, alegria, medo e ansiedade são exemplos. Momentos nos quais acreditamos que sentimos desânimo podem se modificar e levar a uma maior compreensão de si. Afetamos e somos afetados por tudo e todos a todo tempo. Será que o ideal é nos mantermos animados ou refletirmos sobre esta situação?", questiona.

Adaptando a rotina em casa e feliz

A auditora fiscal Thaís Venâncio conseguiu fazer o movimento inverso de Theo. "A questão de estar mais em casa para mim está sendo ótima. Me sinto mais descansada, consigo ficar com a minha família, brincar com meus cachorros, fazer os trabalhos da faculdade. Estou me sentindo mais viva do que antes da pandemia, que era um período em que eu vivia na correria para resolver muita coisa, todos os dias. Meu problema maior é ficar distante dos meus avós, morro de saudade. Ia sempre lá, fazíamos churrasco, e meu maior pesar é ficar longe deles, além de sentir toda essa tristeza pelas vítimas da Covid e dessa situações difíceis que a gente vê milhares de pessoas passando", diz.

De qualquer forma, a sensação de desânimo é cada vez mais comum às pessoas. Por isso, o mais importante neste momento é reconhecer quais são os seus próprios limites e não se cobrar. Em segundo lugar, também é essencial identificar e nomear tudo aquilo que está sendo sentido, entender a função deste sentimento para, posteriormente, lidar com essas emoções de uma forma mais saudável e livre de culpa.

"Se eu fico muito tempo deitada, procuro levantar, dar uma caminhada por aí para ficar mais animada. Agora, que é necessário realizar o distanciamento social eu costumo sair de noite, sempre usando máscara, longe dos outros. Sempre tento fazer algo para me animar, porque se você vai deixando, você fica mal, mesmo", explica Thais.

Estou me sentindo mais viva do que antes da pandemia

Isolamento sim, manter vínculos sim também!

"Respeite o isolamento social, mas mantenha seus vínculos. Estar longe fisicamente não é o mesmo que estar só. Mantenha-se ativo fisicamente da maneira que for possível, e tome muita cautela com os noticiários para que eles não tem afetem mentalmente. Por fim, busque alguma atividade que lhe proporcione algum tipo de prazer", finaliza o psicólogo, que também indica a busca por ajuda profissional para navegar por tempos tão difíceis.

E se você procura alguma dica mais prática para espantar aquele desânimo que teima em aparecer, veja cinco passos práticos para tentar resolver pontualmente a questão:

  1. Sente e levante de uma cadeira, no mínimo, dez vezes. Isso fará com que o sangue flua pelo seu corpo.

  2. Vá para outro cômodo da casa (se puder)

  3. Ligue as luzes do local onde você está, abra a janela e deixe a luz do sol entrar. Claridade faz com que seu corpo acorde.

  4. Faça uma série de 15 polichinelos ou, sem sair do lugar, levante os joelhos alternando até a altura da barriga por 15 vezes.

  5. Defina dois pequenos objetivos para cumprir ainda neste dia, começando pelo mais fácil.

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