Demian Maia tem pouco a ganhar em luta contra Gilbert Durinho no UFC Brasilia

Demian Maia é uma das novidades do UFC Brasília (Buda Mendes/Zuffa LLC/Getty Images)

Apenas a assinatura dos contratos impede que o UFC já anuncie o duelo verde e amarelo entre Demian Maia e Gilbert Durinho para evento de Brasília, agendado para 14 de março, mas as negociações até que ambos os lados topassem o confronto foram longas.

O principal entrave se deu por conta dos objetivos de cada atleta no UFC. Durinho, embalado por quatro vitórias no octógono, duas já na categoria meio médio (77kg), via no compatriota a chance de entrar no top da divisão. Maia, que já se aproxima do fim de sua carreira, buscava alguém de maior nome entre os fãs para fazer apenas lutas especiais, de maior apelo comercial.

Maia teve um ano perfeito em 2019, batendo os três oponentes que enfrentou. Em sua última aparição, aliás, finalizou o popular Ben Askren com um mata-leão no terceiro assalto em confronto válido pela luta principal do UFC Singapura.

Sair de uma luta deste tamanho para um combate com Durinho na atração co-principal em Brasília é um passo atrás. Mesmo que Maia não mais almeje o cinturão do UFC — e programe sua aposentadoria para o fim de 2020 —, vencer o compatriota pouco faz para sua carreira.

Durinho, assim como o paulista, é especialista no jiu-jitsu e construiu uma sólida carreira nos tatames antes de colocar as luvas e se aventurar no MMA. Em termos técnicos, o niteroiense será o melhor atleta de jiu-jitsu já enfrentado por Maia desde 2013, quando dividiu a jaula do UFC Barueri com Jake Shields.

Do lado do UFC, em termos de negócios para o futuro, o duelo faz bastante sentido. Com Maia já preparando sua despedida, uma vitória de Durinho sobre o veterano pode torná-lo mais conhecido em seu país natal, ajudando nas vendas e popularização da marca em eventos futuros. Embora não seja uma ciência exata, uma vez que usar atletas famosos como “escada” nem sempre tornam conhecidos seus algozes mais jovens, a prática é bastante comum no MMA e boxe.

Além do mais, a franquia precisava adicionar nomes consagrados ao card, caso de Maia. Ter o faixa-preta de jiu-jitsu na luta co-principal é um bom indício que ainda será adicionado ao evento um nome ainda maior.

Deixando de lado o fator business, o combate Maia x Durinho é, em termos técnicos, fascinante. O jiu-jitsu de ambos dispensa comentários, e o nível técnico em pé é mais equilibrado que o enfrentado por Maia em sua última luta, contra Askren. Existe sempre a chance de um duelo entre exímios grapplers se tornar uma luta de kickboxing de baixa qualidade, mas vale o risco.