Demi Lovato ressurge com rock amadurecido no álbum 'Holy Fvck': 'homenagem à minha raiva'

Uma das atrações do dia 4 de setembro no Rock in Rio, Demi Lovato lança seu oitavo álbum completo, intitulado "Holy Fvck", nesta sexta-feira, que marca sua retomada do estilo roqueiro e lembra o início de sua carreira musical, com o disco "Don't Forget", de 2008, quando ela tinha 16 anos. Agora, aos 29, Demi ressurge com um rock amadurecido e mais intenso, tanto na sonoridade quanto nas letras das 16 novas faixas, incluindo três lançadas ao longo deste ano: "Skin of my teeth", que ganhou um videoclipe, "Substance" e "29". Aliás, assim que foi divulgada, esta última repercutiu muito por aparentemente fazer alusão ao período em que namorou Wilmer Valderrama, quando ele tinha 29 anos, e ela 17.

Demi afirmou no Twitter nesta sexta-feira que o disco lhe deu a "liberdade de se expressar de maneiras que não sabia que eram possíveis e encontrar a alegria que estava sentindo falta ao fazer música".

"É catártico e fundamentado, mas emocionante e muito divertido", escreveu na postagem. "Eu não sei onde estarei na vida em um ano, ou em cinco ou 10 anos — mas o que eu sei é que este álbum é exatamente onde estou agora, e estou muito orgulhosa disso. Espero que todos que ouvirem também estejam".

Para Demi, "Holy Fvck" é um trabalho autêntico, em que não tenta mais ser o que outras pessoas esperam que ela seja. Com esse álbum, ela também deixa para trás seu passado pop. As canções são carregadas de emoção, compostas de forma explosiva e entregues com vocais poderosos, repletos de notas altas. Conforme a tracklist avança, contudo, uma ligeira suavização é perceptível, o que se encaixa com o arco narrativo relatado pela cantora à Vogue.

— Eu queria voltar às minhas raízes — disse Demi a respeito do álbum novo em entrevista à Vogue americana, explicando ainda ter criado um arco narrativo que acompanha a sequência das canções em "Holy Fvck". — O começo do álbum é uma homenagem à minha raiva, então passa a ser sexualmente empoderada, músicas como "City of Angels" e "Bones", e então vai para canções de amor, como "Wasted". Você ouve o título [desta última] e pensa que será sobre outra coisa. Com "Wasted", eu queria escrever uma música sobre estar embriagado de amor. Você pode pensar que se trata de ficar chapado, mas trata-se de encontrar uma "onda" que seja melhor do que qualquer outra que já senti.

Afinal, a dureza e o peso que algumas músicas carregam — como a quarta faixa, "Eat me" (ft. Royal & The Serpent"), a quinta, homônima ao álbum, a oitava, "Heaven", e a décima quarta, "Help me" (ft. Dead Sara) — não está tão presente em outras mais leves — como "Happy Ending", "Wasted", "Come Together", e a última, "4 Ever 4 Me". Ainda assim, as canções de forma geral conversam entre si e resgatam memórias de alguns clássicos da cantora, como "Get Back" e "Don't Forget". O tom nostálgico aparece principalmente em "Substance", "City of Angels" e "Feed".

— O que eu aprendi sobre mim mesma fazendo esse álbum é que não há problema em possuir sua verdade — afirmou Demi. — Eu queria ter meu poder de volta.

Entre as letras de "Holy Fyck", a mensagem contida em "Heaven" se destaca por sua proposta de enaltecer o empoderamento sexual. Na entrevista à Vogue, Demi contou que se inspirou num versículo bíblico que ela interpretou ser sobre masturbação para compor a música.

— É Mateus 5:30: "Se sua mão direita faz você pecar, corte-a. É melhor perder uma parte do seu corpo do que todo o seu corpo para o inferno". Eu tenho meu próprio brinquedo sexual, então não é nenhum segredo que eu sou muito empoderada sexualmente. Também escrevo: "Encontrei Deus apenas por um minuto, sentei na casa dele, dei uma olhada e vi que não me encaixava". Essa música deu o pontapé inicial do álbum e, a partir daí, acabei escrevendo "Holy Fvck" — disse Demi.

No entanto, não foi "Heaven" a primeira canção do disco que ela compôs. A gravação começou mesmo com "Dead Friends", criada para homenagear seus amigos já falecidos. A princípio, Demi pensou que fazê-la com ritmo lento, mas acabou adotando um tom mais "otimista", de forma que pudesse passar uma sensação boa.

— Para ser espiritualmente equilibrado, você não pode ignorar os sentimentos negativos que tem, porque então você está apenas fingindo e vivendo com essa fachada de que está tudo bem o tempo todo. Acho que tenho uma relação saudável com a raiva, porque sou capaz de honrá-la sem deixar que ela me controle ou me enfureça como quando era mais jovem. Você tem uma melhor compreensão de si mesmo. Eu aprendi isso no ano passado, apenas ficando mais velha e chegando aos meus 30 anos.