Deltan Dallagnol joga gasolina nas manifestações do dia 15

O procurador do Ministério Público em Curitiba Deltan Dallagnol. Foto: Evaristo Sá/AFP via Getty Images)

O procurador Deltan Dallagnol ajudou a engrossar o coro das manifestações contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal, marcadas para domingo, dia 15, ao afirmar que existe hoje no Brasil um ambiente mais difícil de combate à corrupção do que no início da Operação Lava Jato, em 2014.

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A declaração foi feita durante o balanço de seis anos da força-tarefa -- a primeira desde as revelações do site The Intercept Brasil sobre a relação de proximidade entre o então juiz Sergio Moro e os investigadores.

Dallagnol criticou a lei de Abuso de Autoridade, as mudanças no pacote anticrime elaborado pelo agora ministro da Justiça, a suspensão de investigações de órgãos de controle determinada pelo presidente do STF, Dias Toffoli, em julho do ano passado, e os entendimentos da corte sobre prisão em segunda instância e a de que réus delatados só apresentem as alegações finais em seus processos após a manifestação de seus delatores.

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São decisões e posições do Parlamento e do Supremo Tribunal Federal que, segundo o chefe da Lava Jato no Ministério Público Federal no Paraná, “acabam resultando em dificuldade do exercício do nosso trabalho, das investigações e processos”.

Para ele, as regras impedem e dificultam a atuação de autoridades públicas contra “corruptos e poderosos”.

Conversa.

Quando a operação teve início, o STF, por exemplo, ainda não havia autorizado prisões após segunda instância -- isso aconteceu quatro vezes somente em 2016. 

Além disso, nada justifica a desaceleração da volúpia da operação desde que o juiz símbolo da operação decidiu trabalhar para Jair Bolsonaro -- o presidente que quebrou a lista tríplice na escolha do procurador-geral da República, que chama de herói um foragido suspeito de ter a vida nababesca sustentado pela milícia carioca e que viu o pedido de um dos filhos ser atendido temporariamente pelo Supremo ao ter as movimentações financeiras vasculhadas em uma investigação sobre uma suposta rachadinha.

O que mudou não foram as amarras sobre investigadores. O que mudou foi o grupo no poder -- um grupo do qual seu símbolo máximo hoje faz parte.

Desde que assumiu os casos da Lava Jato, o juiz Luiz Antonio Bonat concedeu apenas uma sentença, segundo a “Folha de S.Paulo”. O número de processos da chamada República de Curitiba à espera de uma decisão duplicou.

Mas, a exemplo dos radicais que prometem ir às ruas no domingo em defesa do poder absoluto a Bolsonaro, Deltan prefere atacar Congresso e STF por tudo de ruim que acontece com o país -- como se receber dinheiro por palestra em uma empresa citada em acordo de delação na Lava Jato ou os planos de criar uma firma de eventos para lucrar com os cases de uma operação contra corrupção não levantassem questionamentos sérios sobre a conduta de quem levanta tal bandeira.

Em dezembro de 2019, o Ministério Público Federal abriu investigação, no Superior Tribunal de Justiça, para apurar suspeitas de pagamentos ilícitos ao procurador Januário Paludo, integrante da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba que teve o nome citado em uma troca de mensagens entre Dario Messer, conhecido como o doleiro dos doleiros, e sua namorada, em um relatório da Polícia Federal. 

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A investigação pode ser a senha para entender por que o doleiro dos doleiros circulou livremente por tanto tempo quando a Lava Jato já fazia estragos pelo mundo político. 

Deltan era um dos integrantes do grupo “filho dos Januário” do Telegram, que tiveram as mensagens vazadas e publicadas pelo The Intercept Brasil.