'Não foi isso o que eu quis dizer': a onda de declarações anti-LGBT das celebridades

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Mixed-race person hand holding flag of lgbtiq minority flag, pride, activism
Joelma, Isabeli Fontana, Mara Maravilha e Caio Castro são apenas alguns dos famosos que já soltaram declarações anti-LGBT. Foto: Getty Images

Por Raphael Andrade

A ordem dos acontecimentos já é de praxe: primeiro, uma declaração homofóbica é proferida em uma aparição pública ou em meio a uma entrevista por um famoso. Tempos depois, uma chuva de críticas por parte dos fãs e do público em geral acontece.

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Por fim, uma retratação é divulgada na qual a celebridade afirma que tudo não passou de um mal entendido e que sua fala foi tirada do contexto.

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Joelma, Isabeli Fontana, Mara Maravilha e Caio Castro são apenas alguns dos famosos que já soltaram declarações anti-LGBTs. Veja algumas delas:

  • "Preferia ter a fama de 'pegador’ a de ser 'veado’" - Caio Castro (ator).

  • "Já interpretei dez policiais em folhetins anteriores, como pegar um cara assim e fazer dele uma bicha?" - Humberto Martins (ator).

  • "A gente não tem que ter preconceito, mas filho meu eu não gostaria que fosse. É um mínimo preconceito. Eu adoro, tenho vários amigos gays, amo de paixão, mas filho meu não [quero que seja" - Isabeli Fontana (modelo).

  • "Eu não concordo com essa aberração, com isso que as pessoas fazem para se promover, só para ficarem na mídia. Eu mesma conheço vários gays que não querem mais ser gays, querem se curar e deixar isso de lado" - Mara Maravilha (apresentadora).

  • "Eu não treinaria com gay, eu não tenho maldade, não acho aquele contato físico sexual, mas vai que ele tem essa maldade de ter um contato físico comigo, de ficar ali agarrando..." – Minotauro (lutador).

  • "Já vi muitos se regenerarem. Conheço muitas mães que sofrem por terem filhos gays. É como um drogado tentando se recuperar." – Joelma (cantora)

  • "Graças a Deus não tem nenhum [jogador homossexual] no meu time" – Ganso (jogador de futebol).

O que as falas acima tem em comum é que todas foram proferidas de maneira casual para, após críticas, serem retratadas tempos depois com desculpas dizendo que a fala "não representa realmente o modo como a pessoa pensa", ou como ela foi "mal interpretada".

De acordo com o Pierre Freitaz, ativista LGBTQIA+ e pós-graduando em Direitos Humanos, Responsabilidade Social e Cidadania Global pela PUC-RS, não é mais possível acreditar que todas estas declarações foram equívocos. "Considerando os resultados da última eleição presidencial, eu poderia dizer que não acredito que os posicionamentos públicos das celebridades sejam mal entendidos. Uma analise é que estas falas são os posicionamentos reais de cada uma destas pessoas, mas que, quando externados fora de suas bolhas pessoais, trazem uma repercussão tão negativa grande que transcende a imagem da celebridade", explica o ativista. "É importante lembrar que cada fala homofóbica afeta diretamente minorias, que são cada vez mais estigmatizadas e impactadas diretamente, chegando ao ponto até de perder suas vidas por conta do impacto destes posicionamentos na sociedade", completa ele.

Por outro lado, Freitaz também aponta que discursos preconceituosos sempre estiveram presentes na sociedade em menor e maior grau, mas que o momento atual do país também contribui. "O Brasil tem uma cultura conservadora, logo, os famosos também são. Mas não podemos deixar de refletir o impacto desta onda negacionista que vem crescendo nos últimos anos, no qual todas as lutas das populações LGBTQIA+, pretas, entre outras são minimizadas e que violentam ainda mais essas populações quando dizem que a dor delas não valem de nada", afirma.

Para evitar que este tipo de situação continue se repetindo, Freitaz analisa que é necessário que os famosos realmente tomem partidos e exponham suas opiniões sem subterfúgios, assim, um relacionamento mais sincero pode existir entre artista e público. "As celebridades precisam sair de cima do muro e se definirem para que seu público possa decidir se continua ou não acompanhando o trabalho delas. Agora, o que não dá é que elas continuem utilizando de desculpas como 'mal entendidos' para se fazer de vitimas daquilo que pensam ou de algo que foram induzidas a pensar ou replicar", finaliza ele.

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