Debate em São Paulo terá exposição e vidraças na TV

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Num cenário de segundo turno indefinido na eleição para o Governo de São Paulo, os candidatos que se enfrentarão no primeiro debate, da Band, pretendem se apresentar ao público e preparam respostas às suas vidraças.

O debate vai ao ar no domingo (7), às 21h, e terá a participação de Fernando Haddad (PT), Tarcísio de Freitas (Republicanos), Rodrigo Garcia (PSDB), Vinícius Poit (Novo) e Elvis Cezar (PDT).

De acordo com a última pesquisa Datafolha, do final de junho, Haddad lidera a corrida com 34%. Em seguida, há um empate entre Tarcísio e Rodrigo, ambos com 13%. Poit e Cezar têm 1% cada.

Haddad e Tarcísio vão apostar na nacionalização para reproduzir o desempenho de seus padrinhos, Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL), respectivamente, no estado. Segundo o Datafolha, o petista marca 43% e o presidente chega a 30% entre os paulistas.

O governador de São Paulo vai na direção contrária, a de pregar contra a polarização, contando com a preferência histórica dos moradores de São Paulo pelo PSDB.

Os candidatos veem como prioridade, neste primeiro debate, a apresentação de suas figuras e dos programas de governo, aproveitando a exposição para um público maior que a televisão possibilita.

A apresentação é considerada fator crucial para Rodrigo (em abril, 85% não sabiam quem era o governador) e para Tarcísio -sua campanha aponta que o ex-ministro é desconhecido para 40% dos eleitores de Bolsonaro.

Tarcísio vai aproveitar para se posicionar como um bolsonarista. Ele pretende elencar realizações no comando da pasta da Infraestrutura.

Haddad, porém, deve usar a ligação de Tarcísio com Bolsonaro para atacar o seu rival. Ele tem juntado o bolsonarista e Rodrigo como representantes do autoritarismo.

Haddad e Tarcísio, por outro lado, vão jogar juntos para ligar Rodrigo ao seu antecessor, João Doria (PSDB), de quem foi vice.

O candidato petista tem se esforçado para diferenciar a atual gestão das administrações do ex-tucano e agora aliado Geraldo Alckmin (PSB), vice na chapa de de Lula.

Entre as principais críticas que faz à gestão Doria-Rodrigo, estão o aumento de impostos durante a pandemia e sucateamento da Polícia Civil. Tarcísio também bate na tecla do aumento tributário.

O ex-ministro, por sua vez, vem de outro estado. Ele nasceu no Rio de Janeiro, o que tem servido de munição contra ele. Tarcísio também foi questionado pela transferência de seu domicílio eleitoral para São José dos Campos (SP).

Segundo seus interlocutores, caso esses assuntos sejam abordados, o ex-ministro deve argumentar que não importa a origem e lembrar que passou boa parte da vida no estado quando estudou na Escola de Cadetes, em Campinas.

O petista tem como principal vidraça sua desaprovação ao deixar a prefeitura (48%). Podem surgir como contraponto a elaboração do plano diretor premiado, o reconhecimento do grau de investimento das contas da cidade e o investimento maior do que as gestões tucanas posteriores.

Já Rodrigo vai se apresentar como um candidato independente, sem a necessidade de governar de acordo com interesses do PT ou de Bolsonaro.

A sua fala de candidato autônomo será amarrada com a situação econômica de São Paulo, estado mais rico do país e financeiramente independente do governo federal. A ideia é atribuir isso ao legado do PSDB, que comanda o Palácio dos Bandeirantes desde 1995.

O governador, contudo, terá que responder à associação com Doria. Na tentativa de se descolar, ele vem lembrando que estreou no governo na gestão Mário Covas (PSDB).

Para atacar os rivais, além de lembrar a desaprovação de Haddad, Rodrigo deve falar sobre a quantidade de obras de Tarcísio em São Paulo -considerada inferior às realizações do governo estadual.

Desde que assumiu em abril, Rodrigo lançou um pacote de medidas populistas como congelamento dos pedágios e redução de ICMS, atos que devem ser lembrados no debate.

Cezar afirma à Folha de S.Paulo que o debate vai mostrar "candidatos que tiveram a oportunidade e não fizeram e candidatos que não foram aprovados". O pedetista diz que irá apresentar seus bons resultados como prefeito de Santana de Parnaíba (SP).

Poit afirma que pretende "mostrar que São Paulo precisa mudar a forma de governar, trazer o mundo da inovação para a gestão pública".

Debate de candidatos ao Governo de SP

Domingo (7), às 21h.

Será transmitido pela Band, BandNews, BandNews FM, Rádio Bandeirantes e YouTube.

A Folha também fará transmissão pelo site