Do absorvente ao hate contra Luisa Sonza: 4 vezes que o Brasil odiou as mulheres (só em outubro)

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O Dia Nacional Contra a Violência à Mulher é celebrado no dia 10 de outubro, mas pouco há para ser comemorado neste mês.

Em quatro episódios ocorridos apenas em outubro, Yahoo! destaca como governo, Justiça e sociedade reiteram diariamente o desprezo e o desrespeito às mulheres. 

Desde o começo da pandemia, as mulheres sofrem com o aumento de casos de violência doméstica e feminicídios. Um relatória da ONU aponta que a violência de gênero começa cada vez mais cedo: aos 15 anos, as mulheres já sofrem por serem... mulheres. 

Por que ainda mantemos o ódio e o machismo estrutural tão enraizado na nossa sociedade?

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Pobreza menstrual: falta de acesso a item básico como absorvente prejudica vida de milhares de pessoas. Crédito: Getty Creative
Pobreza menstrual: falta de acesso a item básico como absorvente prejudica vida de milhares de pessoas. Crédito: Getty Creative

Veto presidencial à distribuição gratuita de absorventes 

A pobreza menstrual é um problema que usurpa direitos básicos, como o de estudar. No entanto, no dia 8 deste mês, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vetou um projeto de lei que previa a distribuição gratuita do item, que é de necessidade básica, mas para muitas pessoas que precisam acaba se tornando artigo de luxo. 

Na internet, anônimas e famosas levantaram um debate sobre o tema e criticaram o presidente. 

Carmen Lúcia comparou direitos das mulheres a direitos dos animais: cachorros têm mais valor. Crédito: Reuteurs.
Carmen Lúcia comparou direitos das mulheres a direitos dos animais: cachorros têm mais valor. Crédito: Reuteurs.

A triste e verdadeira comparação de Carmen Lúcia entre os direitos dos animais e os das mulheres

Durante um seminário no último dia 18, a ministra do STF Carmen Lúcia, falou sobre a invisibilização das mulheres na política e na sociedade e disse que as mulheres são permanentemente silenciadas.

Para mostrar como a Justiça ainda precisa caminhar muito para atender as mulheres, ela fez uma triste comparação entre as penas por maus tratos a animais e por violência emocional contra mulheres. 

"Este ano, no mês internacional da mulher, foi introduzida no Código Penal brasileiro a figura da violência emocional contra as mulheres. A pena mínima é de 6 meses a 2 anos. Ou seja, a mínima para maus tratos de cães e gatos é a máxima quando for mulher. Legalmente, eu estou abaixo de cachorro", disse.

Caso Mariana Ferrer: a absolvição de André de Camargo Aranha

Absolvição de acusado de estupro da jovem Mariana Ferrer: crimes sexuais não costumam ser resolvidos. Crédito: Reuters
Absolvição de acusado de estupro da jovem Mariana Ferrer: crimes sexuais não costumam ser resolvidos. Crédito: Reuters

Desde 2018, Mariana Ferrer luta na Justiça para ver o homem por quem ela diz ter sido estuprada, André de Camargo Aranha, na cadeia. O caso trouxe grande repercussão nacional, quando na justiça foi levantada a tese de que o crime teria sido algo como "estupro culposo": sem a intenção de estuprar. Mariana, à época, tinha 21 anos e era virgem. O caso aconteceu em Florianópolis. 

Apesar da grande comoção que o caso trouce, no último dia 7, André Camargo Aranha, de 44 anos, foi inocentado pela justiça, com a justificativa de falta de provas. Exemplo clássico do que acontece em casos de violência sexual no país. 

Luísa Sonza, suruba e as críticas

Luísa Sonza contou já ter participado de uma suruba e recebeu enxurrada de críticas nas redes sociais. Crédito: Reprodução YouTube
Luísa Sonza contou já ter participado de uma suruba e recebeu enxurrada de críticas nas redes sociais. Crédito: Reprodução YouTube

A cantora Luísa Sonza contou que participou de uma suruba, ou seja, fez sexo com várias pessoas. Desde o seu término com o humorista Whindersson Nunes, Vitão, a artista de 23 anos é constante alvo de ataques nas redes. Desta vez, não foi diferente: choveram comentário de pessoas dizendo que ela queria aparecer, pagar de bissexual, chamar a atenção. E se fosse um homem dizendo que já fez suruba?

Luísa tem até uma música que pode ser usada como resposta: "Puta, vagabunda, interesseira, eu fazendo meu trabalho e ouvindo só besteira". Uma mulher sexualmente livre, pelo jeito, incomoda muito muita gente. 

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