'De Férias com o Ex' e a cultura do machismo estrutural: ‘Me zoou porque fiz preenchimento"

Aline Nobre
·5 minuto de leitura
Scarlat Ciola e Camilla Costa, do De Férias com o Ex. (Foto: Reprodução/Instagram @scarciolaaa e @camilla.gcosta)
Scarlat Ciola e Camilla Costa, do De Férias com o Ex. (Foto: Reprodução/Instagram @scarciolaaa e @camilla.gcosta)

Anunciada como a temporada que ia retratar o feminismo e a sororidade (união entre mulheres), algumas situações desta edição do ‘De Férias com o Ex Brasil’ nos faz ter dúvidas sobre isso e enxergarmos cada vez mais o machismo enraizado na sociedade e que reflete, inclusive, nas atitudes das mulheres.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 minuto e receba todos os seus e-mails em um só lugar

Siga o Yahoo Vida e Estilo no Google News

Para Scarlat Ciola, que já havia participado do reality na segunda temporada, apesar desta vez ter sido um pouco mais bem recebida, ela foi insultada por outra mulher em vários momentos. A loira se envolveu com Igor, que acabou ficando com Rebecca Diniz também. E desconforto foi criado.

Leia também

“Me senti muito ofendida pela Rebecca em diversas situações. Ela chegou a falar do meu rosto e me zoar porque eu fiz preenchimento labial, e também por ter me envolvido emocionalmente com um participante. Faltou muita sororidade e respeito dela”, desabafa.

Scarlat garante que seu desentendimento com Rebecca não foi motivada de maneira alguma por uma disputa por Igor. “Nunca briguei com nenhuma mulher por causa de homem. Quem estava na casa pode confirmar que desde o dia que cheguei a Rebecca não gostou de mim e sempre fez questão de me destratar e ser debochada por nada.”

Em sua primeira passagem pelo programa, Scarlat ganhou fama de barraqueira ao protagonizar uma briga com Gabi Prado logo após sua chegada, o que a fez discutir com quase todas as meninas da casa. A paulista conta que a experiência a fez amadurecer e aprender muito.

“Tentei ao máximo não magoar nenhuma mulher, respeitar o sentimento de quem estava envolvida com alguém. Nesse sentido me sinto bem orgulhosa, pois não desrespeitei ninguém, e também não fiz ninguém sofrer.” Aqui fora, a paulista conta que se manteve longe de seus desafetos dentro do reality. “Ainda não consegui esquecer 100% das coisas ruins, até porque como o reality está no ar agora, fica mais difícil assistindo. Mas estou no caminho. Logo tudo ficará para trás. Não tenho contato com Igor nem com Rebecca e me sinto melhor assim.

Já Camilla, ex de Novinho, também protagonizou uma cena de desunião entre as mulheres. Irritada com as atitudes de Bárbara com seu affair, Hadad, a carioca perdeu a paciência. As duas protagonizaram, até então, a principal briga da temporada acontecer com xingamentos, ameaças de agressão e até pedido de expulsão. Camilla afirma ter errado na ocasião e ter se deixado levar pela raiva do momento.

“Eu penso que nenhuma das duas estavam com a razão! As duas erraram na forma de agir e falar. Eu sai do sério porque não tenho sangue de barata, e não levo desaforo pra casa. Imagina alguém falando que ia dar na sua cara? Quem me conhece sabe o quanto sou esquentada e o quanto me controlei naquela hora. Acho completamente errado tudo o que aconteceu na briga, mas, sinceramente, a minha resposta seria a mesma se alguém viesse de desaforo para cima de mim: ‘Tá maluca, tá doidona?’ (risos).

Apesar do conflito com Bárbara, a carioca garante que depois as coisas mudaram no programa.

“Realmente cada menina tinha seu jeito único, todas com temperamentos fortíssimos. As mulheres no início do programa não estavam unidas. Cheguei e me identifiquei de cara com a Flavinha, depois chegou a Scar e a Larissa e nós ficamos muito unidas. Até o final do programa vocês vão ver a gente brincando com os meninos, quando na verdade eles achavam que eles que iam brincar com a gente.”

Sobre sua experiência no programa, Camilla avaliou como positiva e garantiu que conquistou verdadeiras amizades. “Foi a experiência mais única e doida da minha vida. É uma mistura de sentimentos e dias vividos intensamente. Aprendi a conviver com pessoas completamente diferentes de mim, além de respeitar o espaço do outro e praticar o desapego também”.

Mas afinal, o que é a tal sororidade?

Explicando de maneira simples, nada mais é do que a união entre as mulheres. Simples né? Bom, pode parecer. Mas não é. Nem todas as mulheres entenderam ainda o poder que há entre elas. É triste? Sim, mas não é com conflito que vamos ensinar, aprender e evoluir como pessoa. Infelizmente nós mulheres não fomos ensinadas a ter empatia pelas outras. E para isso acontecer temos que transformar nosso comportamento, nossas relações.

Que tal refletirmos sobre as críticas? Não julgar mulheres por terem atitudes diferentes das que você teria. Parar de ver outras mulheres como concorrentes ou rivais. É incrível como a gente nem se dá conta do quanto reproduz e age de acordo com discursos patriarcais. Quem nunca ouviu: “Mulher só se junta para fazer fofoca”; “Você é muito melhor que a ex dele”; “Amizade de mulher é falsa”.

O pensamento machista tem sido normalizado por muito tempo, é cultural e estrutural. Mais do que nunca precisamos dar as mãos, nos apoiar e mudar essa cultura que agride e nos faz mal.