De bolsonarismo a show cancelado: as polêmicas políticas de Gusttavo Lima

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Gusttavo Lima em show em São José do Rio Preto. Foto: Marcos Maldi/AgNews
Gusttavo Lima em show em São José do Rio Preto. Foto: Marcos Maldi/AgNews

Resumo da notícia:

  • Nome de Gusttavo Lima virou alvo de polêmicas nas últimas semanas

  • Posicionamento pró-governo em show e cachês de prefeituras chamaram a atenção do público

  • Cantor chegou a se posicionar sobre não ser responsável por fiscalizar a origem dos recursos

Se você está por dentro das notícias das últimas semanas, certamente se deparou com o nome de Gusttavo Lima como alvo de polêmicas em torno de seu comportamento no palco e valores embolsados em shows públicos. Crítico da Lei Rouanet, o cantor tem sido envolvido em cachês milionários de eventos de prefeituras de cidades do interior além de não esconder sua posição pró-governo.

Em um de seus shows recentes, o artista deu voz ao locutor Cuiabano Lima para protestar por "Deus, pátria, família e liberdade" e contra o comunismo. Além disso, cachês que chegam a R$ 1 milhão têm sido divulgados na mídia com apresentações em cidades com poucos habitantes e rendas exorbitantes. Entenda o que foi comentado sobre o sertanejo nos últimos tempos:

Discurso pró-governo e contra comunismo

No final do dia 21 de maio, o sertanejo cantou para mais de 60 mil pessoas no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, e levantou bandeiras defendidas pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).

Com mais de 2h de duração, o show do sertanejo na capital do país reposicionou o seu apoio às pautas defendidas pelo chefe do Executivo nacional. Para isso, Lima convidou o narrador Cuiabano Lima, que fez um discurso antes da apresentação.

"A sua família é a sua riqueza. O teu sonho é a tua vitória, a tua conquista. E nós temos que defender, que acreditar. Porque na vida é Deus, pátria, família e liberdade, porra. Liberdade para pensar, para agir, para conversar. Liberdade para estar na internet, liberdade de expressão, liberdade de conquista. E a gente tem que conquistar essa porra porque o Brasil é nosso”, discursou.

O locutor, considerado ‘a voz de Barretos’, um dos maiores festivais de rodeio do mundo, ainda bradou contra o comunismo. “Aqui nunca será o comunismo e sim uma democracia para você fazer o que você quiser.”

Cachê de R$ 800 mil em Roraima e de R$ 1 milhão no Rio de Janeiro

O cantor voltou ao centro das atenções por motivos políticos. Conforme publicado no Diário Oficial do município de São Luiz, em Roraima, a prefeitura local pagou R$ 800 mil para que o sertanejo se apresentasse na XIII Feira de Agronegócios do Município de São Luiz de Roraima. A cidade tem pouco mais de 8 mil habitantes e o valor do cachê foi considerado alto.

O Yahoo conversou com James Batista (Solidariedade), que é prefeito da cidade, para saber mais sobre o evento. À reportagem, ele destacou que não será gasto dinheiro do cofre municipal para o pagamento de cachês, que somam cerca de R$ R$ 1,1 milhão. Além de Gusttavo, também se apresentam Solange Almeida e César Menotti e Fabiano. A cantora cobrou R$ 108 mil e a dupla R$ 150 mil para as apresentações.

James explicou que os valores gastos na contratação dos artistas e equipamentos, como som e luz, serão pagos pelo evento, que tem receita direta estimada em R$ 3 milhões. “Arrecadaremos cerca de R$ 1,8 milhão via Documento de Arrecadação Municipal, ou seja, dinheiro na conta da prefeitura, com a venda de estacionamento, autorização de barracas de alimentos e camarotes que vão ladear a área do show, que terá a pista de acesso gratuito e público”, aponta sobre parte da geração de recurso direto.

Além do show de São Luiz de Roraima, Gusttavo também se apresentará em Magé, na região metropolitana do Rio de Janeiro. O município, que é um dos menos desenvolvidos do grupo, vai pagar mais de R$ 1 milhão para o artista cantar na festa de aniversário da cidade.

Posicionamento Gusttavo Lima sobre cachês públicos

Através do advogado de seu escritório, na última quinta-feira (26), o cantor explicou que não é responsável por averiguar de onde vem os recursos que pagam seu contrato de shows. “Cabe ao ente público federado agir com responsabilidade na sua aplicação. Não cabe ao artista fiscalizar as contas públicas para saber qual a dotação orçamentária que o chefe do executivo está utilizando para custear a contratação”, diz o documento.

Assinado pelo advogado Cláudio Bessas, o comunicado ainda reforça que Gusttavo, ou sua empresa, são contra o mau uso do dinheiro público. “Não pactuamos com ilegalidades cometidas por representantes do poder público, seja em qualquer esfera. Toda contratação do artista por entes públicos federados, são pautados na legalidade, ou seja, de acordo com o que determina a lei de licitações”, aponta.

Show de R$ 1,2 milhão cancelado em Minas Gerais

Após polêmicas de contratações de shows de sertanejos com recursos públicos, a Prefeitura de Conceição de Mato Dentro, em Minas Gerais, anunciou o cancelamento do show que Gusttavo Lima faria no dia 20 de junho, com um cachê de R$ 1,2 milhão.

A apresentação aconteceria na 30ª Cavalgada do Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos e, segundo comunicado oficial, foi cancelada porque a prefeitura não queria envolver o evento "em uma guerra política e partidária, que não tem nenhuma ligação com o município e tampouco com a tradicional festa". Além de Lima, a dupla Bruno e Marrone também se apresentaria e teve o show cancelado.

"A administração não permitirá o envolvimento da Prefeitura em questões que não representam o município e nem as festividades da cavalgada, que é a celebração, sobretudo, do amor entre as pessoas e não o ódio que estão tentando disseminar. A festa também é importante para a economia do município e de toda região e será mantida, preservando a paz", conclui o comunicado.

Fundo que administra carreira do cantor pegou R$ 320 milhões do BNDES

O fundo de investimentos One7, que administra a carreira de Gusttavo Lima, entre outros artistas, recebeu um empréstimo de R$ 320 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). De acordo com a Fórum, a One7 é um fundo de investimentos que lançou um fundo de direitos creditórios que adianta o pagamento de shows a artistas, ao lado da empresa de organização de shows Four Even, para depois embolsar o valor cheio pago por quem contrata os músicos.

Desde que comprou a carreira do cantor por R$ 200 milhões, é a empresa quem cuida das negociações do artista, além de ficar responsável pela venda dos shows e a contratação de seguros. Segundo o portal, em tese, o fundo deveria emprestar dinheiro para pequenos e médios empreendedores do Brasil.

Em publicação no Linkedin, há cinco meses, João Paulo Fiuza, CEO do da One 7, celebrou o crédito recebido. “Muito honrado com a seleção da One7 no edital do BNDES que avaliou o potencial de 73 empresas em relação ao alcance de MPMEs em busca de crédito, fortalecendo nosso propósito de impactar positivamente a vida das pessoas. Na chamada pública, One7, XP Asset e Acqio atuaram juntas na apresentação da proposta selecionada. Ao total teremos R$ 400 milhões disponíveis para novas operações”, escreveu.

Na sequência, ele explicou o que faria com o dinheiro. “A partir desse edital, One7 lança seu novo produto com potencial de alcance nacional, considerando as etapas de simulação, análise de crédito e contratação em ambiente digital. Batizado ‘One7maisCrédito’, o produto oferece capital de giro, sendo uma linha de crédito que atende desde MEIs até empresas com faturamento de até R$ 300 milhões/ano”, revelou.

O BNDES confirmou a informação, conforme mostra a publicação de Fiuza, de que iria investir R$ 320 milhões em um fundo para ajudar pequenos e médios empresários. A One7, junto com a XP Asset e a Acqio, administra o crédito apesar da empresa de Gusttavo Lima ter investido R$ 20 milhões no fundo.

Presidenciável investe R$ 1,9 milhão em festa com Gusttavo Lima

De acordo com o Estadão, o pré-candidato a presidente, André Janones (Avante-MG), destinou R$ 1,9 milhão em recursos de uma emenda parlamentar para bancar uma festa com o cantor Gusttavo Lima e outras estrelas da música sertaneja em Ituiutaba, no estado de Minas Gerais.

Marcada para uma semana antes da eleição presidencial em outubro, a festa fará parte de uma feira agropecuária entre os dias 15 e 25 de setembro na cidade, governada pela prefeita Leandra Guedes (Avante). Ela é ex-assessora de Janones na Câmara e investigada com o deputado por uma suspeita de rachadinha no gabinete.

Empenhada pelo governo federal no último dia 17, a verba deverá cair nos cofres do município até julho e o evento contará com shows das duplas Zezé Di Camargo e Luciano, João Neto e Frederico, João Bosco e Vinícius e da cantora gospel Fernanda Brum.

Com uma emenda total de R$ 7 milhões, a assessoria do pré-candidato informou que R$ 1,9 milhão será usado para bancar a feira e o restante ficaria livre para investimentos em saúde e educação.

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