De ator a político: a nova cara da bandeira LGBTQIA+

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Conheça quem está por trás de cada letra
Conheça quem está por trás de cada letra (foto reprodução: instagram)

Já há algum tempo a imagem do homem branco e sarado deixou de ser a primeira coisa que surge na mente de quem pensa na comunidade gay. Por mais que a sociedade ainda tenha que progredir muito para acolher devidamente minorias, nos últimos anos diversas vozes e corpos têm brigado por espaço na mídia, resultando em uma diversidade incrível de homens e mulheres que têm muita história para contar e representam de maneira muito mais verdadeira a comunidade queer, uma demanda que há muito tempo se encontrava represada.

A atriz, diretora, dramaturga e transpóloga Renata Carvalho é um ótimo exemplo disso. Travesti, ela é a fundadora do MONART (Movimento Nacional de Artistas Trans) e do Coletivo T, mas ficou conhecida mesmo por conta de uma polêmica: seu espetáculo "O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu". Nele, Renata interpreta Jesus que voltava à Terra como uma mulher trans. A peça foi censurada pela justiça diversas vezes e chegou a ser proibida em várias cidades do país.

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"O privilégio está em ser um homem cisgênero branco, sem deficiência, magro e publicamente heterosexual. A partir disso, quem mais se aproxima dessa vivência recebe privilégios, até o homem gay, principalmente aqueles que sua orientação sexual não é pública. As pessoas LGBTs buscam a naturalização de suas vivências ressignificando a construção social, patológica, criminal, moral e religiosa que permeiam as existências LGBTs", explica Renata.

Para a transpóloga, o movimento de debate e celebração de identidades diferentes dentro da comunidade LGBTQIA+ é importantíssimo para desmistificar amarras e padrões impostos pela sociedade. "Precisamos de representatividade positiva e coletiva das pessoas LGBTs nos meios de comunicação em massa, na publicidade, nas artes, na educação, no judiciário, na saúde e em todos os lugares. Sem luta nada muda, por isso, precisamos encarar o debate sobre representatividade de forma ética. Não é um debate sobre indivíduos, mas sim sobre estruturas. Precisamos lutar por representatividades e narrativas positivas sobre nós pessoas LGBTs", afirma.

Seja na música, no teatro ou na política, alguns nomes despontam como referência na ampliação das vozes da comunidade queer, mas quais são os ícones LGBTQIA+ que estão mudando a cara da cena gay brasileira? Veja abaixo:

1. Danny Bond

Direto de Alagoas, a artista trans Danny Bond é um nome para manter no radar. Levando o brega funk nordestino para o resto do Brasil, a cantora une ativismo com irreverência em letras de músicas que se equilibram entre o explícito e o engraçado. Atire a primeira pedra quem nunca ouviu o já icônico mash-up do hit Tcheca com Say So, da norte-americana Doja Cat. E caso não tenha, faça. Bond também é embaixadora do projeto “As Vozes do Funk LGBTQIA+”=, da distribuidora ONErpm em parceria com o Instagram Brasil. Para ela, a música é uma forma de ocupar espaços e, por mais que ela represente a comunidade LGBTQIA+, sua música é para todos.

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2. Jup do Bairro

Parceira de bancada de Linn da Quebrada no programa TransMissão do Canal Brasil, em sua carreira Jup do Bairro tem trilhado uma jornada bastante pautada pelo movimento de positividade corporal e libertação de rótulos, seja eles quais forem. Após o lançamento do EP "Corpo Sem Juízo", no ano passado, Jup retorna à cena musical com o novo single "Sinfonia do Corpo", com produção musical de BadSista, que estreou no ultimo dia 20 de junho.

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3. Iran Giusti

Iran Giusti é uma das figuras mais importantes quando o assunto é acolhimento de LGBTs no Estado de São Paulo e, talvez, no Brasil. O jornalista é o fundador da Casa1, centro de acolhimento para pessoas LGBT em situação de risco, localizado no bairro da Bela Vista, em São Paulo. A instituição foi aberta em 2016 para atender demanda identificada pelo próprio Iran de suporte para a comunidade LGBTQIA+. De lá pra cá, a ONG cresceu, e muito, de tamanho, tanto em espaço físico como escopo de atendimento e já é referência no assunto.

Hoje, a Casa1 também oferece um centro cultural com diversas atividades e ações socioeducativas. Em destaque fica a Clínica Social da Casa1, que atende cerca de 300 pessoas em processos psicoterápicos continuados e plantão de escuta, além de atendimentos psiquiátrico, nutricional e de terapias complementares.

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4. Erika Hilton

Erik Hilton já fez história: é a primeira mulher trans a se tornar vereadora no Estado de São Paulo, além de ter sido eleita a presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de São Paulo. A política é bastante ativa no movimento negro e LGBTQIA+, e foi a mulher mais votada na eleição do ano passado em todo o Brasil, somando mais de 50 mil votos. Só nos cinco primeiros meses de 2021, a vereadora já apresentou mais de 30 projetos de lei na Câmara de São Paulo e briga pelos direitos de populações marginalizadas.

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5. Urias

Com apenas um EP e 6 singles em seu portfólio, Urias já pode ser considerada um nome de peso. A artista trans chamou a atenção da mídia com "Diaba", cujo videoclipe ganhou o prêmio de melhor direção de arte na premiação Berlin Music Video Awards em 2019, batendo artistas consagrados como Dua Lipa e o duo Chemical Brothers. Hoje, a artista prepara seu primeiro álbum , com lançamento marcado para ainda neste ano. Além da música, Urias já agraciou as passarelas do São Paulo Fashion Week, representando a população trans também no mundo da moda.

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6. Renata Carvalho

Bem como seu trabalho acadêmico em transpologia, Renata Carvalho também foi pioneira no quesito censura. Sua peça "O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu" é uma das primeiras obras LGBTQIA+ a causar estardalhaço, isso lá em 2016, quando foi apresentada pela primeira vez. O espetáculo já subiu aos palcos de cidades como Glasgow (Escócia) e Berlim (Alemanha), mas por aqui foi censurada pela justiça, mesmo sendo reconhecida pela crítica e ganhado vários prêmios. Além de criar o Coletivo T, grupo formado por artistas trans, e o Monart, movimento que lançou em 2017 o “Manifesto Representatividade Trans”, Renata também protagoniza o espetáculo "Manifesto Transpofágico", que conta a história do corpo travesti.

Em seu perfil, @renatacarvalhoteatro, a artista compartilha sua pesquisa como transpóloga e apresento os livros da Travesteca (biblioteca com temática trans/travestis e temas interseccionais). Ela também tem um média metragem chamado “Corpo sua autobiografia” no Canal da Corpo Rastreado.

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7. Paulo Gustavo

O ator e humorista Paulo Gustavo foi dono de algumas das maiores bilheterias do cinema nacional brasileiro, sobretudo por conta de sua personagem Dona Hermínia, estrela da série “Minha Mãe É Uma Peça”, que levou para diversos cantos do Brasil talvez um primeiro contato com a arte drag. Casado e pai de dois filhos, Paulo Gustavo fez história apresentando ao Brasil uma família nuclear homoafetiva, trazendo representatividade para a parentalidade gay. Após sua morte, uma rua em Niterói foi renomeada como "rua Paulo Gustavo" e tramita no Senado um novo projeto de lei intitulado "Lei Paulo Gustavo", que prevê destinação de R$ 4,3 bilhões para o setor cultural até o final de 2022.

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8. Silvero Pereira

Silvero Pereira ganhou destaque na mídia na pele de Lunga, personagem do longa-metragem Bacurau, e mesmo antes da fama, o ator levanta a bandeira LGBTQIA+ para onde vai, seja no tapete vermelho do Festival de Cannes, com seu alterego drag Gisele Almodovar, seja na televisão, onde encarnou o motorista Raimundo Nonato, que subia aos palcos como a travesti Elis Miranda. O ator também é o fundador das companhias Cia. de Teatros e o Coletivo Artístico As Travestidas, ambas em Fortaleza, no Ceará, com este último composto por atores e atrizes transexuais e travestis e artistas transformistas. Em 2019, foi eleito Homem do Ano pela revista GQ.

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9. Artur Santoro

Artur Santoro se denomina um curador independente e pesquisador de história e cultura afro-brasileira, além de diretor de projetos na Batekoo, festa que celebra a cultura negra e LGBTQIA+ e que também se tornou uma plataforma de entretenimento, cultura e informação para jovens. Criada em 2014, o projeto também apresenta um selo musical, com Deize Tigrona no portfólio, e a Escola B, que oferece oficinas de capacitação e, mais recentemente, curso online gratuito sobre "Músicas Negras do Brasil". O ativismo e pesquisas de Artur são bastante voltados a interseção de raça e sexualidade, oferecendo um olhar necessário para questões que não são necessariamente discutidas na mídia. Hoje, Santoro também representa o Brasil em collab da Adidas, com a IVY PARK, marca de ninguém menos que Beyoncé. Influenciador, não?

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10. Duda Salabert

Duda Salabert é a primeira mulher trans eleita como vereadora em Belo Horizonte, em eleição marcada pelo recorde de maior número de votos na história da capital mineira. A professora também foi escolhida como uma das 50 personalidades LGBT mais influentes no Brasil em 2020 pela Rede Guiya, de publicações LGBT no país. Ela também é a idealizadora da ONG TransVest, que promove um cursinho popular para travestis e transexuais em Belo Horizonte para preparar seus alunos para o Enem e Encceja, por exemplo. Na Câmara Municipal de Belo Horizonte, Duda marca presença defendendo os direitos das populações LGBTQIA+, sobretudo pessoas trans.

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Para o próximo dia 6 de junho, para Renata Carvalho a mensagem que fica é a de lembrar-se de celebrar. "Precisamos sempre comemorar os avanços humanitários. Com o fascismo a única maneira de derrotá-lo é lutando, a verdade sempre prevalecerá, o tempo e a história tratará de contá-las. Esta luta também é pedagógica. Neste dia tão importante para se orgulhar de ser quem você é, não há nada mais valioso, porque todes nós somos valiosos Orgulhe de ser uma pessoa LGBT, nossa orientação ou identidade são tão naturais como ser heterossexual. Orgulhe-se de você", finaliza.

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