David Grossman: a paz de Israel com países árabes "é o correto", mas "não o suficiente"

Álvaro VILLALOBOS
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(Arquivo) Esta combinação de fotos mostra uma foto tirada em 23 de dezembro de 2017, com as bandeiras nacionais dos Emirados Árabes Unidos e Israel

O romancista israelense David Grossman acredita que o governo de seu país fez "a coisa certa" ao normalizar as relações com vários vizinhos árabes, embora "não seja suficiente", e o "mais essencial" ainda esteja pendente, que é a paz com os palestinos. 

"Sou muito crítico do governo e à ocupação" israelense da Cisjordânia, mas "neste caso, acredito que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu fez a coisa certa", afirmou Grossman nesta quinta-feira (28) em entrevista por vídeo a vários meios de comunicação, incluindo a AFP, por causa da publicação em espanhol de seu último romance, "A vida brinca comigo" (Lumen). 

Grossman acredita que o estabelecimento das relações com os Emirados Árabes Unidos, Marrocos, Bahrein e Sudão é "importante no proceso de legitimação de Israel" na região, e ajudará, no melhor dos casos, a desativar "estereótipos e preconceitos" de ambos os lados. 

Com um toque de ironia, acrescentou que "é muito bom ter tratados de paz de ricos", com países como os Emirados ou o Bahrein, mas "isso não basta; temos que ter paz com os palestinos", que é "o desafio mais essencial para Israel".

O autor, conhecido por suas posições pacifistas e candidato regular ao Prêmio Nobel de Literatura, continua apostando na criação de um Estado palestino ao lado de Israel, pois "não se pode esperar que dois povos que lutaram, se odiaram e se demonizaram por mais de um século possam se tornar bons cidadãos dentro de um único Estado". 

avl/mb/bn