Danton Mello sobre interpretar médium que incorpora Dr. Fritz: 'Foi intenso'

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 21.12.2019 - O ator Danton Mello durante a 3ª edição do Monster Jam no Brasil, no Allianz Parque, em SP. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 21.12.2019 - O ator Danton Mello durante a 3ª edição do Monster Jam no Brasil, no Allianz Parque, em SP. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "Não é um filme só para espírita. Independente do que se crê, precisa ser assistido por todos". É assim que o ator Danton Mello, 47, classifica "Predestinado: Arigó e o espírito do Dr. Fritz", longa-metragem que estreia nesta quinta-feira (1º) contando a história de José Pedro de Freitas (1922-1971), um médium brasileiro conhecido como Zé Arigó.

A trama mostra a vida do mineiro que desenvolveu suas habilidades espirituais na cidade de Congonhas e realizava cirurgias atribuídas ao espírito de Adolph Fritz, um médico alemão que morreu durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Pela rapidez e técnicas de seus atendimentos, ele ficou conhecido nacional e internacionalmente.

"São dois personagens muito fortes, foi intenso. Era importante que o público percebesse essa mudança em segundos. O Arigó era uma pessoa muito simples, e quando ele estava incorporado virava uma pessoa muito ríspida e grossa", explica Mello, que vive o protagonista no filme.

O longa foi gravado em 2018, em Minas Gerais, e teve seu lançamento adiado devido à pandemia. Mello diz que filmar no estado em que nasceu o reconectou com suas origens e espiritualidade. "Vim de uma família católica, ao longo dos anos eu fui ficando cético, ateu, diria. Esse filme me trouxe para um lugar de repensar a minha espiritualidade e o que é a vida."

Juliana Paes, 43, que dá vida à Dona Arlete, esposa de Arigó, também diz que o filme foi um processo de reafirmação e que a história pode passar uma mensagem poderosa quanto às religiões. "A mensagem desse filme é sobre espiritualidade. Não é um filme espírita. O filme não tem a pretensão de convencer ninguém, mas se existe qualquer pretensão, é que a intolerância --principalmente a religiosa-- diminua."

Para o ator João Signorelli, 65, que interpreta Chico Xavier (1910-2002) no filme, todo o elenco foi escolhido e predestinado para estar presente contando a história. "Danton foi escolhido pelo Arigó, eu fui escolhido pelo Chico. Estamos representando personagens reais", afirmou, em coletiva de imprensa da qual a reportagem participou.

O longa teve direção de Gustavo Fernandez ("A Cura", 2010) e roteiro de Jaqueline Vargas ("Sessão de Terapia", 2012-2021). Os produtores explicaram que a parte de pesquisa para a produção foi feita com ajuda da família de Arigó -que teve sete filhos--, acesso aos materiais da imprensa e baseada no livro "Arigó: O Cirurgião da Faca Enferrujada". A trilha sonora atua praticamente como outro personagem da trama, tendo sido composta por Guga Bernardo ("Bonifácio: O Fundador do Brasil", 2018).

"Juscelino Kubitschek, Pelé e Arigó eram as pessoas mais conhecidas naquela época, e quando eu andava por Congonhas, os jovens não conheciam a história dele. Levamos cerca de um ano fazendo pesquisas para o roteiro. Agora, vamos conhecer o homem José de Freitas, antes de conhecer o médium", acrescenta Vargas.

Para Mello, o processo todo foi muito desafiador, pela quantidade de estudo e também por ter referências vivas do médium, como seus filhos e família. Ele acrescenta que o longa-metragem está sendo lançado no momento certo, apesar do atraso devido à pandemia. "O que precisamos e é a grande mensagem desse filme é o amor. Precisamos aceitar as diferenças e respeitar."