Dani Souza relata episódio de racismo contra as filhas: “Me exaltei”

Dani Souza é mãe das gêmeas Raphaella e Sophia, de 6 anos (Foto: Reprodução/Instagram @dani_souza_)

Dani Souza mora com a família na Ucrânia há quase dez anos, onde o marido, o atacante Dentinho, joga pelo principal time do país, o Shakhtar Donetsk. Em entrevista ao Yahoo, a influenciadora digital e empresária conta que gosta de viver no exterior apesar das diferenças culturais com o Brasil — “os ucranianos são frios e não respondem bom dia” —, mas lamenta a discriminação que o atleta e os filhos sofrem no dia a dia. “Aqui existe muito preconceito contra negros e gays”, relata.

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Mãe de três crianças (Bruno Lucas, de 8 anos, Raphaella e Sophia), a catarinense revela que as gêmeas de 6 anos foram vítimas de racismo na escola onde estudam em Kiev. “Duas meninas mais velhas sempre mostravam a língua para elas e eu sei que era por causa da cor das minhas filhas. Um dia encontrei essas meninas no corredor da escola e me exaltei”, relembra.

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“Disse ‘se vocês mostrarem a língua para elas de novo, vocês vão ver’. E nunca mais mexeram com as minhas filhas”, completa a youtuber. Dani diz que sofre quando episódios como esse acontecem com as pessoas que mais ama. “Me dói muito saber que existe racismo nos dias de hoje”, desabafa. Mesmo assim, ela comemora a oportunidade de poder dar educação para os filhos na Europa. “Sou muito grata. Eles falam inglês e são superdesenvolvidos. Sei que a educação no Brasil não é tão completa”, reflete.

Dentinho e o companheiro de equipe Taison foram alvos de ofensas racistas por parte da torcida adversária durante uma partida contra o Dínamo de Kiev em novembro de 2019. O caso ganhou repercussão no mundo inteiro. “Fazem gestos e sons de macaco... As pessoas precisam mudar a mentalidade”, dispara.

Vida na Europa

Dani agradece por estar fora do Brasil durante a pandemia do novo coronavírus. “Graças a Deus! Foram bem prudentes com a quarentena aqui. É um abre e fecha [do comércio] aí, os casos só aumentam e amigos dizem que está perigoso. Voltaríamos em maio, mas preferimos ficar na Ucrânia”, conta. Isso não significa que ela não sente falta da família e da energia “brazuca”. “Somos um povo amoroso, caloroso. Mas quando você conhece os ucranianos, vê que eles também são pessoas queridas”, diz a empresária.

O jeito é matar a saudade pela comida. O casal traz tudo das viagens para o Brasil — por isso sempre são flagrados com tantas malas nos aeroportos. “A gente come comida brasileira em casa. Gostamos de arroz, feijão, café, e não conseguimos comprar tudo isso aqui. Os ucranianos não têm o hábito de ir para o fogão e cozinha. Eles fazem pratos mais leves e frios, como sopas e saladas”, explica.

Casa cheia

Dani e Dentinho também criaram uma comunidade por lá. Eles levaram 10 funcionários brasileiros para a Ucrânia e todos moram na casa da família. “Temos um laço. São pessoas que abandonaram a vida deles no Brasil para ficar com a gente. Somos muito próximos”, comemora. Está tudo “no jeito” em Kiev... Dani até fala russo, uma das línguas do país! A volta definitiva para cá é um desejo do casal, mas ainda é incerta e depende dos rumos da carreira do jogador de futebol. “O Bruno tem mais um ano de contrato aqui. A gente pensa em voltar, mas só se aparecer outro clube”, finaliza.