Dani Ornellas reflete sobre Lei Áurea: “Maior fake news já criada no Brasil”

Dani Ornelas diz que Lei Áurea foi fake news (Divulgação/Marcio Damasceno)

Há 132 anos foi assinada no Paço Imperial a Lei Áurea que dizia tornar negros cativos em pessoas livres. Com mais de 700 mil escravos no país, o que poderia ser uma vitória se tornou mais uma tragédia na história de gerações de povos pretos que foram sequestrados da África por mais de 350 anos.

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Convidada de Amanda Lee para um live sobre o tema nesta quarta-feira (13), às 18h, nas redes sociais, Dani Ornellas adiantou a discussão para o Yahoo! sobre a data. “O 13 de maio também representa uma das maiores fake news, ou a maior fake news, já criada no Brasil. A data não coloca o povo preto no lugar de protagonismo pela sua luta por liberdade, na sua resistência contra a aceitação da condição de escravidão. A assinatura dessa lei não criou condições para a inserção real da população negra”, afirmou.

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A data, que marca o fim de uma era de exploração de mão de obra de povos africanos a base de açoites em todo o mundo (já que o Brasil foi o último país a libertar cativos), não é celebrada pela militância. “O dia 20 de novembro sim comemoramos. O aniversário de morte de Zumbi dos Palmares, que foi o líder de um dos maiores quilombos da história. Nessa data festejamos a resistência negra, o resgate da nossa estima contra a situação da escravidão”, lembrou.

Dani, que estará no ar em ‘Nos Tempos do Imperador’, novela das seis que teve sua exibição adiada por conta da pandemia de covid-19, ainda lembrou de outros nomes importantes para a libertação do povo negro da escravidão. “Não podemos esquecer que tivemos vários heróis que lutaram muito para transformar a nossa condição naquele momento: Luísa Mahin, Luís Gama, Teresa de Benguela, José do Patrocínio, e outros lutaram muito para que nossa situação fosse diferente”, contou.

Pandemia do covid-19

Em países com grande população preta, como Brasil e Estados Unidos, estima-se que estes sejam os que mais morrerão por Covid-19 já que estão em classes mais baixas da sociedade e com menos condições de acesso a medidas de proteção e higienização.

“O sistema de saúde brasileiro devolve para a população negra um tratamento desigual. e esse tratamento explicita a necropolítica racista do Brasil. Por isso esse número gigantesco de mortes da população preta. São os que nunca foram inseridos, são o maior número de desempregados do país. Quando ligamos a TV a invisibilidade da população preta permite que nós não tenhamos nomes e sejamos só números. Estão se reafirmando as veias abertas do racismo nesse país. Se a gente ainda discute o 13 de maio e o 20 de novembro é porque todas as ações ainda não conseguem, juntas, transformar o que a gente precisa”, concluiu.