Dados de Atila Iamarino são substituídos por ofensas em app do Ministério da Saúde

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O divulgador científico Atila Iamarino teve seus dados pessoais alterados no certificado de vacinação cadastrado na conta do ConectSUS, aplicativo administrado pelo Ministério da Saúde.

Outros usuários também relataram que suas contas na plataforma exibem registro de exames que eles não tinham realizado.

No caso de Atila, os invasores trocaram seus dados por ofensas pessoais e conteúdos racistas.

Em uma postagem em seu perfil no Twitter, ele diz que alteraram seu nome, nacionalidade e o nome de sua mãe. "Como me sentir com meus dados na mão de quem fez isso? Com os dados do meu filho lá?", escreveu.

"Estamos vivendo um período bastante delicado, principalmente para quem está falando de Covid. Profissionais da Anvisa foram ameaçados de morte por causa da aprovação de vacinas. Temos servidores da Fiocruz com escolta até hoje por ameaças, por mostrarem, por exemplo, que cloroquina não funciona. Nos períodos atuais isso soa pra mim de maneira muito grave", disse Atila à reportagem.

O divulgador científico afirma que já entrou em contato com o Ministério da Saúde e pediu a correção dos dados, além de esclarecimentos sobre o ataque. A solicitação feita à pasta envolve a identificação das informações alteradas, como a modificação aconteceu e quem tem acesso aos registros.

Com base nas respostas destes questionamentos, Atila pretende acionar a Autoridade Nacional de Proteção de Dados para exigir a proteção das informações pessoais com base na LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).

"O maior detentor de informações sobre mim no Brasil é o governo brasileiro. E pelo menos até onde eu sei, algumas das informações mais delicadas que eu tenho são as informações de saúde. Como podemos nos sentir à vontade participando do SUS com os dados expostos ali?", afirma.

Em nota, o Ministério da Saúde declara que as alterações na plataforma já foram identificadas e não foram feitas por um servidor da pasta, mas por um operador credenciado que já teve seu acesso ao sistema bloqueado.

O ConectSUS é um aplicativo que registra toda a trajetória dos usuários do SUS (Sistema Único de Saúde). Ele apresenta dados sobre atendimentos, procedimentos realizados e permite o acesso à Carteira Nacional Digital de Vacinação.

Além de Atila, os youtubers Felipe Castanhari e Nyvi Estephan também tiveram seus dados pessoais alterados na plataforma em meados de outubro. Castanhari relatou nas redes sociais que trocaram seu nome por palavras ofensivas no certificado de vacinação.

Usuários também relataram no Twitter que haviam procedimentos não realizados por eles registrados em suas contas do aplicativo.

Em resposta ao tuíte de Atila, o usuário Fernando Campos afirmou que constava em seu cadastro a retirada de medicamentos em São José dos Pinhais, no Paraná, em um período em que ele não estava no país.

Outra usuária, Claudia Franca, exibiu uma captura de tela que mostra o registro de um exame para detecção de coronavírus realizado em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, que não foi feito por ela. Franca afirma que nunca esteve na cidade.

Já Priscilla Lima, apresentou outra captura de tela com uma lista de ao menos quatro tipos de medicamentos, retirados ao menos oito vezes em 2017, que não foram utilizados por ela.

Existem ainda outros casos de ataques envolvendo o cadastro do SUS, como o da ex-deputada federal Manuela d'Ávila (PCdoB-RS), da deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) e do youtuber Felipe Neto, que tiveram seu óbito registrado no sistema.

A orientação do Ministério da Saúde para todos que tiveram problemas com as informações inseridas no ConectSUS é procurar a ouvidoria da pasta, por meio do número 136. "O MS esclarece que está atuando para restaurar os cadastros e bloquear os operadores responsáveis pelas alterações indevidas", declara, em nota.

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