10 curiosidades que talvez você não saiba de “Vamp”

Família Matoso ( Foto: Reprodução/ Nelson Di Rago/TV Globo)
Família Matoso ( Foto: Reprodução/ Nelson Di Rago/TV Globo)

“Vamp” revolucionou a teledramaturgia ao contar histórias de vampiros. Exibida no horário das sete, na TV Globo, o público - muitas crianças e adolescentes - não via a hora de correr para a frente da TV para acompanhar a saga da bela vampira Natasha, interpretada por Claudia Ohana, e sua luta contra o domínio do vampirão Vlad (Ney Latorraca).

“Vamp”, que completou 30 anos, também se destacava pelas maluquices de Mary e Matoso, o atrapalhado casal de vampiros vivido por Patrícia Travassos e Otávio Augusto; com o “padre Garotão”, de Nuno Leal Maia, que jogava futebol de batina com a garotada; e com a dupla de caçadores de vampiros, a intrépida Alice Penn Taylor e o medroso Augusto Sérgio (Vera Holtz e Marcos Frota).

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Antonio Calmon desejava atrair o público jovem, como já havia feito com o seriado Armação Ilimitada (1985). O autor inovou ao criar uma trama misturando comédia, suspense, rock e atores mirins.

A novela estreou em 1991 e ficou no ar até o dia 8 de fevereiro de 1992. Foi reprisada em 1993 na faixa vespertina “Sessão Aventura”. No Viva, ela foi exibida em 2011.

Em 2002, o autor Antonio Calmon escreveu outra novela sobre vampiros, “O Beijo do Vampiro”, com Tarcísio Meira no papel do vampiro Bóris Vladescu. O ator Ney Latorraca também integrou o elenco da novela, como o vampiro Nosferatu.

Confira10 curiosidades da novela “Vamp”:

1- Inspirações para criar “Vamp”

Entre as referências do autor para criar a novela está o filme “A Dança dos Vampiros” (1967), do diretor franco-polonês Roman Polanski. O nome do personagem de Ney Latorraca, conde Vladimir Polanski, é uma homenagem ao diretor.

As referências não poderiam ter sido mais populares e conhecidas de todo mundo, no que envolve histórias de vampiros: aversão à luz do sol, cruzes e alho, estaca de madeira, dormir no caixão, transformar-se em morcego ou em cachorro preto, chupar sangue, caninos salientes, olhos que mudam de cor.

Ainda a alusão ao universo musical pop: a direção abusava da linguagem dos videoclipes, a roqueira Natasha gravou “Sympathy For the Devil” e dançou uma música do grupo Enigma, e Vlad emulou a coreografia do clipe de “Thriller” (de Michael Jackson) com um bando de vampiros zumbis.

Segundo Antonio Calmon, o equilíbrio entre romance, mistério e humor, e a direção ousada de Jorge Fernando fizeram com que o tema dos vampiros fosse bem-aceitos no horário das 19 horas.

Claudia Ohana e Ney Latorraca interpretaram os icônicos vampiros Natasha e Vlad (Foto: Reprodução/ AcervoTV Globo)
Claudia Ohana e Ney Latorraca interpretaram os icônicos vampiros Natasha e Vlad (Foto: Reprodução/ AcervoTV Globo)

2 - Efeitos especiais

Os efeitos especiais da novela era um charme a parte à produção totalmente descompromissada com a realidade e focada no humor.

Os caninos dos personagens vampiros eram dentes postiços de verdade e os atores mal conseguiam falar com o aparato na boca. O fato é que os defeitos especiais contribuíram para o clima nonsense da novela.

3 - Clipes de “Vamp” era inovação

A atriz Claudia Ohana fez a célebre personagem Natasha (Foto: Reprodução/ AcervoTV Globo)
A atriz Claudia Ohana fez a célebre personagem Natasha (Foto: Reprodução/ AcervoTV Globo)

No primeiro capítulo, “Vamp” mostrava a fictícia Baía dos Anjos em 1781 e o vampiro Conde Vlad sendo exorcizado. Em vão. Duzentos anos mais tarde, ele encontra Natasha, uma cantora de talento, mas sem reconhecimento.

Na ânsia de conseguir o sucesso a qualquer preço, ela decide vender sua alma ao vampiro. “Sempre cantei. Apesar de não ter experiência com o rock, me identifiquei bastante com a personagem”, disse Claudia Ohana, que chegou a gravar um clipe para a novela em Veneza, na Itália. Os clipes eram então uma inovação nas novelas globais. Uma ideia do próprio Calmon.

4 - Gravações teve até polícia

Além do Brasil, a novela teve Lisboa e Veneza como cenários. Ao som do grupo Enigma – em evidência na época por misturar músicas sacras e profanas – Cláudia Ohana dançou na Praça de São Marcos, em Veneza, em meio aos pombos.

Sem saber que as músicas do Enigma eram proibidas em toda a Itália, a produção da novela foi abordada por policiais que interromperam a gravação. Levada ao ar, a cena é uma das mais marcantes de “Vamp”.

5 - Claudia Ohana não era a primeira opção

Sabia que a atriz Débora Bloch e a cantora Paula Toller (vocalista da banda Kid Abelha) foram as primeiras sondadas para viver Natasha? O papel acabou ficando com Cláudia Ohana, que também cantava.

Ela chegou a gravar um disco na época e sua interpretação de “Sympathy For the Devil” entrou para a trilha nacional da novela, assim como sua gravação de “Quero Que Vá Tudo Pro Inferno”, na trilha complementar “Rádio Corsário”.

6 - Elenco de peso

Rita Lee participou da novela como Lita Ree, e Giulia Gam viveu Vera T, as roqueiras amigas de Natasha. Maria Zilda Bethlem interpretou Telma, mãe de Matosão (Flavio Silvino), e Cristina Pereira, como Luiza, mãe de Matosinho (André Gonçalves), ex-mulheres de Matoso (Otávio Augusto) que formavam a dupla Telma e Luiza.

Claudia Raia, como Celeste, é dona de um bar, ex caso de Jurandir (Nuno Leal Maia). Gianfrancesco Guarnieri vive o delegado que prende Jurandir. O diretor Jorge Fernando também atuou na trama como Vicentinho Fernando, um terapeuta maluco que trabalhava com hipnose e regressões. Mário Lago viveu o avô de Soninha (Bia Seidl). E Marcello Novaes foi o piloto do avião que faz o translado do caixão de Natasha da Itália para o Brasil.

Ney Latorraca contou que foi convidado para fazer apenas nove capítulos da novela. Mas o sucesso de seu personagem foi tão grande ele não deixou mais a trama. “Vamp” foi a primeira novela dos atores Fernanda Rodrigues e André Gonçalves na TV Globo.

7 - Sucesso de Fábio Assunção

Fábio Assunção em
Fábio Assunção em "Vamp" ganhou o posto de galã ((Foto: Reprodução/ AcervoTV Globo)

Com a escalação para fazer Lipe em “Vamp”, Fábio Assunção assinou seu primeiro contrato longo com a TV Globo, de dois anos. Era sua segunda novela após a estreia em “Meu Bem, Meu Mal” (1990).

8 - Sucesso com crianças

Núcleo infantil foi sucesso na telenovela (Foto: Reprodução/ AcervoTV Globo)
Núcleo infantil foi sucesso na telenovela (Foto: Reprodução/ AcervoTV Globo)

A Editora Globo lançou um álbum de figurinhas da novela, direcionado ao público infanto-juvenil. Devido ao sucesso, “Vamp” foi reapresentada a partir de janeiro de 1993, às 16h55, na programação de férias da Rede Globo.

A novela foi vendida para Chile, México, Moçambique, Nicarágua, Paraguai, Peru, Portugal, República Dominicana e Venezuela, entre outros países.

Joana Fomm afirmou que, assim como a vilã Perpétua, de Tieta (1989), sua personagem em Vamp, Carmen Maura, fez muito sucesso com as crianças. O mesmo aconteceu com Reginaldo Faria, que se acostumou a ser chamado nas ruas de Capitão Jonas, seu personagem na novela.

9- Spin-off de “Vamp”

Em 2002, Antônio Calmon apresentou uma nova trama vampiresca – “O Beijo do Vampiro” – mas sem a mesma repercussão de “Vamp”. Quando a Globo confirmou o nome de Marcos Paulo como diretor da suposta continuação de “Vamp”, uma legião de fãs da novela enviou e-mails de protesto para a emissora.

Segundo eles, não era justo que o diretor assumisse a sequência de uma novela dirigida originalmente por Jorge Fernando. Logo, Calmon veio a público para desfazer o mal-entendido. Ele ressaltou que a Globo só aceitou fazer “O Beijo do Vampiro” se a novela não fosse uma “Vamp 2”.

Uma das preocupações de Marcos Paulo foi não repetir o elenco de “Vamp”. Ney Latorraca chegou a ter o nome cogitado para atuar novamente como o vampirão protagonista, mas sua escalação foi rejeitada pelo próprio Calmon. Tarcísio Meira ficou com o papel do vampiro Bóris Vladescu. De qualquer forma, Ney voltou numa participação especial, não como Vlad, mas como outro vampiro: Nosferatu.

Sempre no último bloco de cada capítulo, a imagem final era congelada e transformada em desenho em quadrinhos.

10 - Ações Socioeducativas

"Vamp” era uma novela de humor, mas também tratou de temas sérios, como a proteção das tartarugas marinhas.

O merchandising ecológico surgiu de uma parceria da TV Globo com a Fundação Boticário de Proteção à Natureza. Na trama, a ecologista Soninha (Bia Seidl) ensina ao capitão Jonas (Reginaldo Faria) como salvar as tartarugas que ficam presas nas redes de pesca.

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