Cuba conclui julgamento de artistas opositores

O julgamento a portas fechadas dos artistas opositores Luis Manuel Otero Alcántara e Maykel "Osorbo" Castillo foi concluído nesta terça-feira (31), com ativistas denunciando que a advogada do rapper foi afastada do caso dois dias antes e o novo defensor não levou testemunhas.

Ambos os artistas aguardam suas sentenças, que devem ser anunciadas nas próximas semanas.

"Menos de 72 horas antes do julgamento, a advogada chegou dizendo (...) que a firma havia restringido os julgamentos até 1º de agosto e que, portanto, não poderia estar no julgamento de Maykel", indicou à AFP Anamely Ramos, uma ativista que mora em Miami e afirma ter participado de perto na preparação do caso com a defensora e a mãe de filha do rapper.

"Maykel teve que se defender praticamente sozinho", disse em uma mensagem de WhatsApp depois de se comunicar com a ex-esposa de "Osorbo", que esteve presente no julgamento.

A segunda audiência do processo, que teve início ontem, ocorreu em meio a uma operação de segurança mais discreta do que a do dia anterior no Tribunal Popular Municipal de Marianao. Apenas alguns familiares dos dois artistas e outras três pessoas julgadas na mesma causa judicial tiveram acesso ao tribunal.

A embaixada dos Estados Unidos pediu nesta terça às autoridades cubanas a libertação imediata dos dois artistas e denunciou que o julgamento "não foi nem livre, nem justo".

"O regime usou acusações inventadas. São perseguidos por sua arte e suas opiniões", afirmou.

A Anistia Internacional e a Human Rights Watch exigiram na semana passada a liberação "imediata" e "incondicional" dos dois artistas, enquanto o gabinete de direitos humanos e democracia do Departamento de Estado dos Estados Unidos expressou indignação pelo julgamento.

O processo está relacionado a um incidente de 4 de abril de 2021, quando "Osorbo", de 39 anos, desafiou a polícia quando tentaram prendê-lo por respondê-los mal.

Segundo o arquivo, "Osorbo" Castillo "tentou tirar a pistola" de um dos agentes e o chutou. O documento indica que, com a ajuda de outros três acusados, ele se libertou da policia e depois foi, com a esposa, à casa de Otero Alcántara em San Isidro, bairro pobre de Havana Velha.

Naquela tarde, dezenas de vizinhos saíram cantando "Patria y Vida", uma uma expressão muito incomum de protesto em Cuba. "Osorbo" é coautor dessa polêmica canção censurada no país e vencedora do Grammy Latino.

O promotor pediu sete anos de prisão para Otero Alcántara, detido em 11 de julho de 2021 por incitação ao crime, desacato agravado e desordem pública.

Já para "Osorbo" Castillo, detido desde 18 de maio de 2021, a promotoria pediu 10 anos de prisão pelos crimes de agressão, desordem pública e fuga de presos ou detidos.

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