Cristiano Ronaldo supera marca de Pelé e Messi em vitória de Portugal

***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF - O atacante da seleção de Portugal e do Manchester United Cristiano Ronaldo. (Foto: Sergio Lima/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF - O atacante da seleção de Portugal e do Manchester United Cristiano Ronaldo. (Foto: Sergio Lima/Folhapress)

DOHA, QATAR (FOLHAPRESS) - Depois de conseguir um pênalti, Cristiano Ronaldo pegou a bola, deu-lhe um beijo e com ela foi fazer o que sabe de melhor. Aos 20 minutos do segundo tempo da partida de sua seleção contra Gana, o português se tornou o primeiro homem a marcar em cinco edições da Copa do Mundo.

O lance abriu caminho para o triunfo rubro-verde por 3 a 2, no qual também marcaram João Félix e Rafael Leão. Andrew Ayew e Osman Bukari foram à rede pela formação africana, em um duelo difícil e com seu lugar na história.

Ao fazer seu gol no estádio 974, em Doha, o camisa 7 deixou para trás o brasileiro Pelé, o argentino Lionel Messi e os alemães Miroslav Klose e Uwe Seeler. Esses quatro marcaram em quatro Mundiais.

Pelé socou o ar em 1958, 1962, 1966 e 1970. Messi, menos efusivamente, vibrou em 2006, 2014, 2018 e em 2022 –converteu pênalti na derrota por 2 a 1 de sua equipe para a Arábia Saudita, na primeira rodada no Qatar.

Cristiano Ronaldo soma agora oito gols no principal campeonato de futebol do planeta: um na Alemanha (2006), um na África do Sul (2010), dois no Brasil (2014), três na Rússia (2018) e um no Qatar (2022).

O triunfo deixa a seleção europeia em boa situação no Grupo H. Na outra partida da chave, Uruguai e Coreia do Sul ficaram em empate sem gols, horas antes do confronto no estádio 974.

Foi o segundo embate entre Gana e Portugal na história das Copas. No primeiro, em 2014, os europeus venceram por 2 a 1, sendo um dos gols justamente de Cristiano Ronaldo.

Assim que a bola rolou, o atacante já acumulou mais uma marca para seu currículo. Entrou para seleto grupo de atletas com cinco Copas.

Fazem parte dessa lista os mexicanos Antonio Carbajal (1950-1962), Rafael Márquez (2002-18), Andrés Guardado (2006-2022) e Guillermo Ochoa (2006-2022), o alemão Lothar Matthäus (1982-98), o italiano Gianluigi Buffon (1998-2014) e o argentino Lionel Messi (2006-2022).

A marca, claro, não era a única que Cristiano buscava no Qatar. Principalmente depois de uma crise para a qual contribuiu às vésperas do início da competição, quando eu uma polêmica entrevista para uma emissora de TV britânica, com duras críticas ao Manchester United e ao técnico do time, o holandês Erik ten Hag.

Em suas declarações, o atleta criticou a estrutura do clube, disse que se sentia traído por algumas pessoas e afirmou que não respeita o treinador porque, segundo ele, também não é respeitado. Nesta semana, a rescisão do contrato foi anunciada.

Apesar disso, segundo a equipe inglesa, o desligamento ocorreu em "comum acordo". Já o atleta valorizou sua trajetória na equipe, mas disse que também era a hora certa de ir.

Entre os portugueses, havia um temor de que a situação pudesse contaminar o ambiente da seleção e prejudicar a trajetória do time no Qatar. Mas a atuação na estreia, diante de Gana, mostrou que os atletas conseguiram se unir em torno do objetivo de levar o país à conquista do inédito título mundial.

No primeiro tempo, só deu Portugal. Foram seis finalizações contra nenhuma do adversário. Embora os chutes não tenham dado tanto trabalho ao goleiro, o time europeu teve um gol de Cristiano Ronaldo anulado. No lance, o árbitro considerou que ele cometeu uma falta na origem da jogada.

Na etapa final, Gana voltou com uma postura diferente, buscando mais o ataque. O jogo passou a ficar mais aberto, com as duas equipes tentando achar o gol. A primeira que conseguiu foi Portugal.

Aos 20 minutos, Cristiano foi à rede depois de ter conseguido um pênalti bastante discutível, no qual dividiu a bola com o zagueiro Djiku. Apesar da reclamação dos jogadores africanos, o árbitro não foi consultar o VAR (árbitro de vídeo).

Gana reagiu e, aos 28, buscou o empate com Ayew. Aí foi a vez de os portugueses mostrarem equilíbrio emocional para buscar a vitória.

Primeiro, foi a vez de João Félix balançar a rede após uma roubada de bola no meio de campo. Ele finalizou bem, na saída do goleiro, aos 33. Em seguida, aos 35, Rafael Leão foi outro a concluir com precisão.

Gana ainda conseguiu descontar com Bukari, aos 44, mas não voltou a ameaçar. Portugal segurou a pressão e manteve sua vantagem.

A vitória foi uma importante resposta do elenco português em meio ao princípio de crise que se instaurou no elenco às vésperas da Copa do Mundo.

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PORTUGAL

Diogo Costa; João Cancelo, Rúben Dias, Danilo Pereira e Raphael Guerreiro; Rúben Neves (Rafael Leão), Bruno Fernandes e Bernardo Silva (João Palhinha); Otávio (William Carvalho), João Félix (João Mário) e Cristiano Ronaldo (Gonçalo Ramos). T.: Fernando Santos.

GANA

Ati-Zigi; Seidu (Tariq Lamptey), Djiku, Amartey, Salisu e Baba; Partey, Abdul-Samed, Kudus (Osman Buakri) e André Ayew (Jordan Ayew); Iñaki Williams. T.: Otto Addo.

Estádio: 974, em Doha (Qatar)

Horário: Às 13h (de Brasília) desta quinta-feira (24)

Árbitro: Ilsmail Elfath (Estados Unidos)

Auxiliares: Kyle Atkins (Estados Unidos) e Corey Parker (Estados Unidos)

VAR: Armando Villarreal (Estados Unidos)

Gols: Cristiano Ronaldo, 19' aos 2° T, e João Félix, aos 32' do 2° T (Portugal), Rafael Leão, aos 34' do 2° T. André Aywe, aos 27' do 2° T, e Osman Bukari, aos 43' do 2° T

Cartões amarelos: Andre Ayew, Iñaki Williams, Kudus Mohammed, Alidu Seidu (Gana). Danilo Pereira e Bruno Fernandes (Portugal)