Crise no PSL: Eduardo Bolsonaro pode perder liderança do partido na Câmara ainda nesta semana

(AP Photo/Eraldo Peres)

A novela pela liderança do PSL na Câmara promete continuar nos próximos dias, com o começo dos trabalhos legislativos e a volta do Judiciário, nesta segunda-feira (3). Segundo a assessoria do partido, a expectativa é de que seja julgado ainda nesta semana o recurso a uma decisão liminar que garantiu o cargo de líder do PSL na Câmara para o deputado Eduardo Bolsonaro (SP).

Caso a liminar caia, a deputada Joice Hasselmann (SP) assume o posto.

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O deputado federal Eduardo Bolsonaro havia sido suspenso por 12 meses pelo Diretório Nacional do PSL, em dezembro de 2019. No entanto, decisão liminar de um juiz da 4ª Vara Cível de Brasília suspendeu o efeito da punição que havia sido imposta ao filho de Bolsonaro e a outros parlamentares ligados a ala do presidente.

Com a decisão, Eduardo Bolsonaro conseguiu o apoio de 28 nomes de bolsonaristas do partido e conseguiu voltar ao posto. 

A briga pela liderança do partido começou em outubro do ano passado quando os deputados aliados ao presidente Jair Bolsonaro formalizaram um pedido para tirar Delegado Waldir (GO) do posto para que Eduardo Bolsonaro assumisse. Os aliados do presidente nacional do partido, Luciano Bivar, reagiram e protocolaram outra lista, pedindo a permanência do então líder.

Com uma guerra de listas que se arrastou por mais de um mês, a deputada Joice Hasselmann acabou escolhida para ocupar o posto, após o Diretório Nacional do partido suspender Eduardo Bolsonaro. Ela ficou apenas cinco dias no cargo, até a liminar da Justiça.

O cargo de líder dá mais visibilidade para o parlamentar que o ocupa. Eles têm mais tempo para falar em plenário, participam das reuniões que definem a pauta de votação do Congresso e indicam membros das comissões. Também têm acesso a uma estrutura com mais cargos para serem nomeados.

Quando voltou ao posto, por exemplo, Eduardo Bolsonaro atacou Joice nas redes sociais e reclamou que ela exonerou funcionários e trocou representantes do partido em comissões, em especial a CPMI das Fake News – Comissão Parlamentar Mista de Inquérito criada originalmente para apurar a disseminação de notícias falsas, mas que acabou virando uma grande arena para membros do PSL, dissidentes do partido e apoiadores do governo.

Crise na legenda

As disputas internas começaram no início de outubro, quando o presidente Jair Bolsonaro apareceu em um vídeo, gravado por um apoiador, na entrada do Palácio da Alvorada, dizendo que podia esquecer o PSL e que o presidente do partido, Luciano Bivar, estava “queimado para caramba”.

Com a crise, parlamentares elaboraram uma carta em apoio a Bolsonaro. Desses, quatro foram punidos imediatamente: Carlos Jordy (RJ), Filipe Barros (PR), Alê Silva (MG) e Aline Sleutjes (PR) perderam a titularidade em comissões e cargos nas lideranças do partido.

Em seguida, Bolsonaro, junto com um de seus filhos, o senador Flavio Bolsonaro, e mais 20 deputados pediram auditoria nas contas do PSL. 

Logo depois, Luciano Bivar foi alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga o lançamento de candidaturas laranjas pelo partido no estado de Pernambuco.

A briga passou para o Congresso quando os deputados ligados ao presidente pediram a saída do Delegado Waldir da liderança e articularam para o deputado Eduardo Bolsonaro assumir o cargo.

Jair Bolsonaro também retirou a deputada Joice Hasselmann da liderança do governo no Congresso e colocou o senador Eduardo Gomes (MDB-TO) no lugar.

Em dezembro, o Diretório Nacional do PSL acatou recomendação do Conselho de Ética da sigla e decidiu não expulsar nenhum dos deputados com processos disciplinares, mas suspendeu e deu advertências a 18 parlamentares, entre eles, Eduardo Bolsonaro.

A série de conflitos na legenda culminou na saída do senador Flavio Bolsonaro (sem partido-RJ) e do presidente Jair Bolsonaro, que deu início ao processo de criação de um novo partido, a Aliança pelo Brasil.