Crise do coronavírus: veja lições para finanças que o evento traz

O impacto de crises como a do coronavirus não é o primeiro, nem será o último, a atingir o mercado financeiro (Getty Images)

Costumamos falar aqui na coluna mais de como organizar as finanças pessoais, que é a etapa obrigatória antes de começar a investir. Mas, diante da grande repercussão dos impactos do coronavírus nos mercados achei importante avançarmos um pouco no nosso caminho e trazer esse tema à tona. O medo de uma epidemia global derrubou bolsas de valores no Brasil e no exterior na última semana, e isso traz importantes lições para quem investe ou pretende investir no mercado de capitais.

Em momentos como esse, muitas pessoas entram em desespero e acabam tomando decisões erradas. Também é comum aflorar um sentimento de negatividade e desconfiança generalizado, principalmente no que se diz respeito à bolsa de valores.

Assim, é fundamental saber avaliar esse período, até para que essa descrença não te impeça de seguir em frente nos seus objetivos financeiros. Se analisarmos por outro ponto de vista, essas turbulências são muito importantes para testar a resiliência das pessoas, especialmente dos que começaram a investir há pouco tempo.

O mercado financeiro funciona como uma grande feira onde são comercializadas fatias de empresas, pequenos “pedaços” delas, que denominamos ações. Em momentos de crise como o que vivemos com a proliferação do coronavírus pelo mundo, a tendência é que esses mercados sejam afetados. O resultado é uma queda de preços das ações brusca.

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Para os donos desses ativos, os investidores, esse efeito pode ser assustador porque significa que seu patrimônio está valendo menos. O que fazer então?

A verdade é que essa situação adversa não é a primeira, nem provavelmente a última, que vamos enfrentar. Sentimos efeitos semelhantes na crise de 2008, no Joesley Day em 2017, na greve dos caminheiros em 2018, entre outros. E a pergunta que eu faço é a seguinte: nesses momentos, o valor de uma empresa e, consequentemente de uma ação, está realmente sendo afetado?

Vamos usar o exemplo os grandes bancos como Itaú (ITUB3), Bradesco (BBDC3), Banco do Brasil (BBAS3) e Santander (SANB11). Com a disseminação do coronavírus esses bancos deixarão de existir, juntamente com seus serviços? A resposta é, evidentemente, que não. Se analisarmos friamente, as empresas em si continuam sendo sólidas, com todos os fundamentos que tinham antes da crise aflorar. O que acontece em períodos críticos como os que vivemos é que existe uma tendência dos preços se descolarem do valor real das empresas de forma extrema, pois a crise impacta a economia como um todo, de forma sistêmica.

Sabe aquela máxima de que “o que não tem remédio, remediado está”? Esse é o melhor conselho que os investidores, especialmente os iniciantes, deveriam ouvir sobre o que fazer com seus investimentos nesse período. Mesmo que você tenha feito o dever de casa e possua uma carteira diversificada, ou seja, que possua ativos variados a fim de reduzir o fator risco, você verá uma queda em seu patrimônio. E é natural que isso ocorra, pois toda a economia, quase sem exceção, está sendo afetada.

Se no momento de comprar uma ação, você escolheu uma boa empresa, na qual você acredita, não há o que temer. Como já comentei aqui, o foco no longo prazo é muito importante. Nessas condições, a tendência é que os investimentos em ações se valorizem, pois o longo prazo minimiza os efeitos da volatilidade. Ou seja, das variações bruscas do mercado como as que vivemos agora com o coronavírus.

Não entre em pânico. Esse tipo de sentimento possui zero benefício em qualquer circunstância. Mais adiante, vamos abordar por aqui quais são os principais passos para quem quer começar a investir. Incluindo, é claro, a bolsa de valores. Para quem já está nessa etapa da jornada, aguarde, tenha paciência e pare de olhar seus investimentos a cada segundo. Não se trata de um problema de um investimento em si, é o mercado agindo com seu temperamento.