Falta de rotina com as crianças na pandemia não é o fim do mundo

Ava Freitas
·3 minuto de leitura
Mother homeschooling daughter and son at table
Falta de rotina com as crianças na pandemia não é o fim do mundo. Foto: Getty Images

A pandemia do novo coronavírus virou o dia a dia de todos de cabeça para baixo, especialmente o de pais e mães de crianças e adolescentes que se viram sem o apoio das escolas. Na tentativa de retomar algum tipo de ordem, cresceu a busca por dicas e recursos para estabelecer uma nova rotina dentro de casa.

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Segundo levantamento feito pela rede social Pinterest, a busca pelos assuntos “horários para as crianças em casa” e “rotina diária para crianças” cresceram, respectivamente, 20 e 10 vezes em comparação com 2019. O público atrás dessas dicas? Pais millenials, aqueles com idades entre 25 e 44 anos.

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Sem culpa, sem culpados

“Antes da pandemia, todo mundo tinha uma rotina muito rígida, com horários certos para acordar, tomar café, levar as crianças para a escola, sair para trabalhar. Ao se virem em casa, sem as aulas presenciais e outros tipos de apoio, muitas pessoas ficaram aflitas para encontrarem logo outro cronograma para seguir”, afirma a psicóloga Carla Guth, pós-graduada em psicopedagogia e especializada em família e construcionismo.

A angústia tomou conta dos pais que se viram permitindo que os filhos dormissem ou acordassem mais tarde ou não dando conta de fazer a refeição saudável e completa e substituindo-a por um lanche mais simples. Aconteceu com você? Tudo bem, nada disso será uma marca definitiva no desenvolvimento da criança.

“Não precisa ter culpa nem culpados. Em vez do jantar completinho, tem rolado lanchinho três vezes por semana? Olha para o lado, seu filho está feliz? Está saudável? Então está tudo bem”, diz Carla.

Repensando a rotina

A especialista reconhece os problemas e as perdas causadas pelo novo coronavírus, mas destaca que também a pandemia proporcionou a possibilidade de repensarmos o que fazíamos antes e como.

Não se trata de não ter rotina nenhuma, mas de colocar nela o que é essencial e possível e ir adaptando à medida que as necessidades surjam. “O caminho é pensar o que não posso deixar de fazer para a minha família e no meu trabalho? O que posso delegar para meu parceiro ou parceira, para meus filhos?”, afirma Carla.

Para a psicóloga, sofre mais quem corre atrás de outro cronograma rígido para pôr no lugar daquele pré-pandemia. Ter controle não é primordial para que as coisas saiam bem. Se no fim do dia, você conseguiu entregar o que era importante no trabalho, seus filhos fizeram as tarefas das aulas on-line e vocês comeram uma comidinha gostosa, está tudo bem. “A gente se coloca metas gigantescas e fica só olhando para o que não conseguiu realizar, em vez de focar nos feitos”, analisa Carla.

Tudo a seu tempo

Outro conselho da psicóloga é não se ocupar com pensamentos prévios. Como vai ser quando aulas voltarem? As crianças vão conseguir acordar na hora de ir para a escola? Será que ficarão mal-acostumadas com a alimentação?

“Adultos e crianças têm capacidade de se adaptarem. Tenha menos pressa e resoluções, deixando as coisas acontecerem quando tiverem de acontecer”, diz Carla. Fácil não é – a própria especialista reconhece isso –, mas uma vez adquirida, a flexibilidade pode ajudar muito você e sua família na vida pós-pandemia.

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