Ser criança na era dos assistentes digitais: tecnologia para aprender ou distrair?

Teacher among school kids using computers in class
A tecnologia pode tornar as crianças mais curiosas sobre o mundo

Ser criança na era dos assistentes digitais. Será que a tecnologia é mesmo inimiga da infância - e dos pais? Ou será que ela pode ser vista com um facilitador para o futuro? Pois é, cada vez mais os gadgets fazem parte da vida de pais e filhos e é impossível frear esse avanço.

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Mas até que ponto a tecnologia deve estar na vida das crianças? Com o surgimento dos assistentes digitais, que logo mais farão qualquer coisa com um comando de voz, pode parecer que o futuro reserva crianças preguiçosas, mimadas ou muito distraídas. Porém, podemos ver tudo isso pelo lado contrário.

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Segundo Verônica Martins Cannatá, coordenadora de Tecnologia Educacional do Colégio Dante Alighieri, de São Paulo, o acesso rápido e fácil à informação, além dos muitos recursos disponíveis facilitam a aprendizagem em qualquer tempo e em qualquer lugar. Ou seja, nunca foi tão fácil aprender sobre um novo assunto, uma língua ou até sobre a cultura de um país completamente diferente do nosso.

Nesse ponto, colégio e tecnologia precisam andar lado a lado: "As crianças do século 21 estão conectadas, e a escola não pode ignorar esse fato. Penso que seja papel da escola ter no seu currículo estratégias de abordagem das tecnologias digitais como uma importante linguagem, mas não como a principal protagonista do seu processo de aprendizagem", explica Verônica.

A tecnologia, é, sim, um facilitador do ensino, mas é preciso entender como usá-la com esse objetivo. Por isso, a supervisão e orientação de pais e professores, com o suporte da própria escola, é tão importante.

Assim, a criança aprende não só a usar essas novas tecnologias a seu favor, como também a fazê-lo de forma muito consciente. "O ideal é que haja espaço na escola para treinar a 'cultura digital', na qual o aluno possa aprender a utilizar as tecnologias digitais de informação e de comunicação de forma mais crítica, mais significativa e mais ética", diz.

Assistentes digitais e tecnologias aliadas ao ensino

"Para estimular a inteligência e a curiosidade sobre o mundo a partir do acesso digital, é importante que haja uma curadoria de conteúdo, ofertando mais conhecimento do que entretenimento, e não o contrário. Tecnologia não precisa ser só passatempo. Ela também pode agregar", explica Verônica.

Isso significa que, ao introduzir a tecnologia na vida da criança, é preciso que os pais acompanhem de perto o conteúdo que está sendo consumido e estimulem a busca por materiais que ajudem no seu desenvolvimento, mais do que aqueles que as distraiam ou só entretenham - pense em substituir um desenho animado por um programa educativo, por exemplo.

Father Helps Children With Homework Whilst Mother With Baby Uses Laptop In Kitchen
O uso da tecnologia precisa ser supervisionado para que ele seja positivo na vida da criança e não a deixe distraída

"A partir do momento em que os pais entregam aos seus filhos um dispositivo conectado à internet sem supervisão, é como se eles deixassem todas as portas abertas (de casa, do carro e etc.) ou como se colocassem a criança sozinha na maior praça pública do planeta. O diálogo nunca foi tão importante, pois as crianças podem falar com qualquer pessoa sem ao menos saber quem é, e nem quais são suas reais intenções", explica a coordenadora.

Por isso, é preciso estabelecer um objetivo (ou seja, porquê colocar a tecnologia na vida da criança) e disciplina nesse uso, para, de fato, aliá-lo ao ensino. "Embora seja um fato que hoje a comunicação online e outras diversas ferramentas facilitam o acesso e preparam para o futuro, observa-se que elas também podem distrair e ocupar o tempo de forma indevida com um hiperlink ligado ao outro, com algoritmos redirecionando os interesses", explica.

Proibir o uso desses dispositivos não é uma alternativa

Por fim, a coordenadora comenta que o principal é estabelecer o diálogo, sempre. Para ela, esse é o ponto-chave na inserção da tecnologia e de assistentes digitais no dia a dia da criança.

"É importante conversar com a criança sobre em que momento ela precisa da tecnologia digital para estudar e em que momento a tecnologia a distrai. Saber fazer escolhas digitais é importante, assim como no menu do restaurante ou fast food: o que há disponível e o que eu de fato quero (e preciso) consumir?", reflete.

Proibir o uso desses dispositivos não é uma alternativa hoje em dia, por isso regrar o uso é o mais recomendado. Para ela, a tecnologia amplia as possibilidades para uma pesquisa escolar, despertando o interesse por novos conhecimentos, mas passar muito tempo jogando ou assistindo vídeos pode deixar a criança desatenta e distraída, com a mente muito agitada e cansada. "O grande desafio está no 'como', no 'quando' e no 'por que' usar".

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