Criadora de série sobre Marielle defende Padilha na direção: "Não é para qualquer um"

A roteirista Antonia Pellegrino. Foto: reprodução/Instagram/pellegrino.antonia

Criadora da série sobre Marielle Franco a ser exibida no Globoplay, a roteirista Antonia Pellegrino se defendeu das críticas por ter escolhido o cineasta José Padilha para dirigir o projeto. A escolha foi considerada problemática por muitos, devido às posições políticas do realizador, e pelo fato de a equipe criativa ser encabeçada apenas por pessoas brancas.

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Em entrevista ao colunista Mauricio Stycer, do Uol, Antonia explicou que a iniciativa tem apoio da família e da viúva da vereadora do PSOL, assassinada em março de 2018.

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Além disso, ressaltou que Padilha - diretor de obras polêmicas, como o filme “Tropa de Elite” e a série “O Mecanismo”, que elogia a operação Lava-Jato e o então juiz Sérgio Moro - reviu sua posição política ao criticar publicamente o atual Ministro da Justiça. “Sou progressista e não-punitivista. Ele se arrependeu. As pessoas erram. E não acho que seja um erro suficiente para a gente cancelar uma pessoa”, alegou.

Segundo a roteirista, a decisão de convidá-lo para o projeto tem fundamento. “A morte de Marielle envolve milícias. Este não é um projeto de série que você pode dar para qualquer pessoa. Falei com alguns produtores que não quiserem fazer”, explicou. “Padilha, por não morar mais no Brasil, tem mais segurança para fazer.”

Antonia também declara que o cineasta é um nome importante para a projeção internacional do projeto. E acrescenta que chegou a pensar em se associar a um diretor negro para contar essa história (“Se tivesse um Spike Lee, uma Ava DuVernay...”), mas que vai ter esse cuidado na escolha da equipe: “Asseguro que vai ter muitos profissionais negros envolvidos na série”.

No próprio post de Antonia no Instagram em que detalhou o processo de concepção da série, a roteirista sofreu críticas, inclusive do meio artístico. A humorista Dadá Coelho ironizou: “Preguiça pra esse feminismo de araque. Só falta chamar Regina Duarte para protagonizar (risos). Tão de parabéns!”.

A atriz Maeve Jenkins também condenou a decisão. “Antonia, sempre respeitei seu trabalho e postura. Aqui abriu-se um abismo entre seu discurso e sua prática. Vejo seus últimos posts falando da vitória de Polanski nos Cesar, sobre a cara do cinema mundial (machista e branco), e sua escolha por Padilha é a cara desse mesmo cinema. É triste e desanimador”, comentou.