Brasil registra “corrida armamentista” no 1º ano sob Bolsonaro

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Levantamento publicado na edição desta sexta-feira (27) no jornal O Globo mostra que, no primeiro ano do governo Jair Bolsonaro, 44.181 armas foram registradas no país entre janeiro e novembro - um recorde.

O número representa uma alta de 24% em relação a todo o ano passado. Um recorde.

A cada hora, cinco novas armas foram vendidas aos cidadãos comuns. 

O índice vai ao encontro do que Bolsonaro prometeu durante toda a campanha. Para ele, que editou uma série de decretos sobre o tema, a posse de armas de fogo garante o direito à legítima defesa do chamado “cidadão de bem”.

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A queda de 22% das taxas de mortes violentas registradas nos nove primeiros meses deste ano, em comparação ao mesmo período do ano anterior, deve reforçar o argumento do presidente - embora seja um argumento perigoso.

Os índices já vinham caindo desde 2017, quando o país registrou recorde no número de homicídios - 60 mil no ano, quase sete a cada hora.

Especialistas dizem que não existe uma explicação única para a redução. Em 2018, ações específicas de governos estaduais, como o aumento do efetivo policial nas ruas do Rio e Pernambuco, tiveram impacto nos resultados. Outra hipótese se relaciona ao cessar fogo das brigas entre facções criminosas que fizeram os homicídios dispararem, em 2017, em estados como o Ceará. 

Desde 2018, houve também mais recursos do governo federal para a Segurança Pública.

Ainda assim, os brasileiros comuns optaram por buscar a segurança com as próprias mãos. O risco, segundo disse Isabel Figueiredo, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, para O Globo, é que essas armas migrem para o crime.

“Não é verdade que (a arma) vai ficar guardada em casa, ela vai ser roubada. Quando fazemos rastreamento de armas usadas no crime, até cerca de 40% delas têm essa origem”, explicou.

Além dos limites do armamento, o governo tem adotado posição dúbia em relação a atos de violência pelo país. 

Na véspera de Natal, a produtora do coletivo Porta dos Fundos foi alvo de um ataque com coquetéis molotov promovidos por quem tenta “justiçar os anseios de todo povo brasileiro contra a atitude blasfema, burguesa e antipatriótica” dos humoristas. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil do Rio como tentativa de homicídio.

O silêncio das principais autoridades sobre o episódio é quase um portão de entrada para novos atos Mais que isso, dá a entender que a violência de uns não valem um franzir de testa em detrimento de outros.

O terror está no ar.

As armas, nas mãos.