'Crescemos numa sociedade onde meninas foram criadas para fechar as pernas', diz Ingrid Guimarães

(Imagem: Desirée do Valle/Divulgação).
(Imagem: Desirée do Valle/Divulgação).

Já se vão nove anos desde que o primeiro ‘De Pernas pro Ar’ estreou, levando mais de 3 milhões de pessoas aos cinemas do Brasil para ver Ingrid Guimarães no papel de uma empresária que desbrava o mercado de produtos eróticos trabalhando com produtos voltados para o público feminino. De lá para o lançamento do terceiro filme da franquia, nesta quinta-feira, falar do prazer das mulheres não é algo tão surpreendente.

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“Hoje se tem mais espaço pra falar disso. Virou um assunto mais falado, menos tabu. Acho que ‘De Pernas pro Ar’ foi muito responsável por começar isso”, defende Ingrid, com orgulho, em entrevista exclusiva ao Yahoo!. “A franquia foi mudando junto com a mulher na sociedade.”

“Crescemos numa sociedade onde as meninas foram criadas para fechar as pernas. Vejo pela minha filha: ela está sempre preocupada se a calcinha aparece, e ela tem oito anos”, conta a atriz. “Mas, com o advento da mulher como protagonista da sua própria história, começou-se a falar do prazer da mulher.”

Se vibradores e algemas para usar na cama viraram notícia velha, o novo filme atualiza o universo de seus personagens. Alice (Ingrid Guimarães) tenta dar um tempo na movimentada carreira profissional para se dedicar ao marido e filhos, mas logo é surpreendida pelo aparecimento de Leona (Samya Pascotto) uma jovem com novas ideias, conectadas às tecnologias atuais, como um óculos de realidade virtual que simula encontros sexuais.

O encontro entre as duas começa um pouco no tom de rivalidade, mas aos poucos vai encontrando um afinamento. Tudo para mostrar que mulheres fortes não precisam necessariamente ser concorrentes, como é comum acontecer em histórias do tipo. É a chamada “sororidade”, termo comum entre as militantes do movimento feminista, que significa a aliança entre mulheres a partir da empatia.

“O filme sempre é um espelho da sociedade”, defende a diretora Julia Rezende. “No caso desse terceiro ele vem trazer à tona discussões que estão em pauta, como o olhar para a competição entre mulheres, essa rivalidade, a chegada de uma personagem jovem que diz ‘vamos dar as mãos e nos unir’”.

‘De Pernas Pro Ar 3’ tem protagonista e maior parte do elenco formado por mulheres, é dirigido por uma mulher e produzido por outra, Mariza Leão. Mas a palavra feminismo nunca aparece no roteiro, escrito por Ingrid em parceria com Marcelo Saback e Rene Belmonte.

“Se você pegar a palavra, ela assusta algumas pessoas”, afirma Samya. “Tem gente que pensa nas mulheres que rasgam a blusa e não se depilam. Não tem nada de errado, mas é bom falar disso com uma sutileza. Porque o feminismo é urgente pra nossa sociedade, tanto para homens como para mulheres, pra gente continuar avançando.”

“O filme fala de questões feministas sem precisar levantar nenhuma bandeira. A bandeira é a própria história”, completa a protagonista. “A Alice não tem isso consciente”, define Julia, falando sobre a personagem de Ingrid. “Ela simplesmente vai chutando as portas e abrindo espaço. Não que ela esteja fazendo isso pensando no coletivo, na sociedade, numa transformação. O feminismo dela é individual.”

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