Cresce busca por fertilização in vitro por casais de homens

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Casal beija o rosto do bebê (Foto: Arquivo pessoal)
Júnior e Rodrigo tiveram uma amiga como barriga solidária (Foto: Arquivo pessoal)

O médico Geraldo Caldeira, ginecologista, obstetra e membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), tem notado uma mudança substancial na sala de espera do seu consultório. Primeiramente, era ocupado só por casais héteros, que depois passaram a dividir o espaço com casais de mulheres e, mais recentemente, com casais formados por homens.

"Nos últimos três anos, cresceu e muito a procura por fertilização in vitro (FIV) por homens que querem ser pais", afirma o especialista. Atualmente atendendo 68 pacientes masculinos (dados de junho de 2022), Caldeira relata que, na totalidade, há tanto solteiros querendo ter um filho como "produção independente" quanto casais.

Barriga solidária

É o caso de Rodrigo, 41 anos, que com o marido, Junior, acaba de ter Eric, hoje com quase dois meses. "Pensávamos que não era para nós, que era algo muito caro e só feito lá fora e por artistas", conta Rodrigo.

Quando um amigo de Salvador teve dois bebês por meio da FIV foi que a vontade cresceu. "Um dia, conversando sobre a possibilidade, uma amiga nossa falou: 'Se vocês forem atrás da parte legal, podem contar comigo", relata. Assim encontraram a barriga solidária (a legislação brasileira proíbe que a mulher seja remunerada) que geraria Eric.

Segundo Caldeira, no Brasil, parentes até quarto grau podem ser barriga solidária sem pedir nenhum tipo de autorização. No caso da amiga de Rodrigo e Junior, uma solicitação foi feita junto ao Conselho Federal de Medicina (CFM) para que ela gestasse e parisse o filho dos dois.

O médico diz que o CFM recomenda que a mulher que será a barriga solidária já tenha tido filhos, para diminuir o risco de ela se apegar à criança que está gerando.

Doadora de óvulos

Tendo a barriga solidária, os pais então "escolhem" uma doadora de óvulos em um banco da clínica na qual será realizada a fertilização in vitro. Os pais podem selecionar características físicas, histórico de saúde, se a mulher é casada ou não, entre outros aspectos, mas não saberá sua identidade. A doadora também não saberá para quem foram seus óvulos.

Rodrigo e Júnior fizeram a fertilização in vitro em 2019 (Foto: Arquivo pessoal)
Rodrigo e Júnior fizeram a fertilização in vitro em 2019 (Foto: Arquivo pessoal)

Além de passar por uma série de exames de saúde obrigatórios – como HIV, sífilis, hepatite, entre outros –, a mulher tem de ter menos de 30 anos. "Depois dessa idade, não só a quantidade de óvulos diminui como a qualidade deles", explica Caldeira.

Fertilização com o sêmen dos pais

Com os óvulos selecionados, a fertilização é feita em laboratório. O médico fala que há tanto casais que decidem fertilizar os óvulos só com o sêmen de um dos parceiros quanto aqueles que fertilizam metade com o sêmen de um e metade com o do outro.

De acordo com Caldeira, a taxa de sucesso da FIV gira em torno de 60% a 70%. O preço por tentativa começa em R$ 25 mil reais. "Nós conseguimos logo na primeira tentativa", conta Rodrigo.

O especialista em reprodução humana conta que o nascimento do primeiro filho do cantor inglês Elton John com o marido, David Furnish, em 2010, foi um marco para esse movimento de homens querendo ser pais. "Aqui no Brasil, o marco foi com o humorista Paulo Gustavo", afirma Caldeira. Fruto da relação com o médico Thales Bretas, os filhos Romeu e Gael nasceram por meio de FIV, nos Estados Unidos, em agosto de 2019.

"Depois que tivemos o Eric, muitos amigos vêm falar que também têm o sonho de ser pais. Acredito que abre possibilidades para muitos casais", ressalta Rodrigo.

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