Crítica: 'Um Namorado Para Minha Mulher' flerta com o absurdo, mas tem coração romântico

Nena (Ingrid Guimarães) é, à princípio, um dos personagens mais odiáveis do cinema nacional recente. Faz o estilo metralhadora giratória de reclamações, parece incapaz de estar alegre ou soltar uma palavra carinhosa. Pelo menos é assim que seu marido, Chico (Caco Ciocler), passou a enxergá-la.

Farto desta convivência, mas ao mesmo tempo sem coragem de pedir o divórcio, ele resolve apelar. Fica sabendo que existe um sujeito misterioso, conhecido apenas como Corvo (Domingos Montagner), especialista em seduzir mulheres comprometidas. A ideia é que, assim que o figura entrar em ação, Nena se apaixone e queira ela própria a separação.

Parece para Chico uma ideia tentadora, mas ’Um Namorado Para Minha Mulher’ esconde atrás desta premissa inicialmente absurda uma mensagem romântica que cabe ao público descobrir.

O filme melhora à medida que os personagens vão ganhando camadas, saindo do formato caricatural como foram apresentados. Nena, por exemplo, não é apenas a megera que as primeiras cenas mostravam. Encontra sua vocação e floresce, assim como Chico e Corvo também passam por viradas em suas trajetórias.

Desta forma, o quarto longa de Julia Rezende (que antes assinou ‘Ponte Aérea’ as duas partes de 'Meu Passado Me Condena’) , adaptado de uma comédia argentina que fez grande sucesso no país de origem, se mantém interessante e honesto.

Faz do público cúmplice de características talvez não tão honrosas de seus protagonistas, mas por isso mesmo torna-os mais possíveis de gerar identificação. Aí, quando chega o desfecho, numa divertidíssima cena dentro de um elevador, é impossível não sair do cinema com um sorriso no rosto.

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