Crítica A Mulher Rei | Filme é poderoso e magnífico como Viola Davis

A Mulher Rei finalmente chegou aos cinemas brasileiro. Dirigido por Gina Prince-Bythewood, o fllme tem elenco predominantemente negro e feminino, algo raramente visto em filmes comerciais. Mas, com um enredo potente, forte e necessário, o longa metragem mostrou porque merece estar em Hollywood e ser visto por todas as pessoas.

Logo nos primeiros minutos de tela, conhecemos o exército Agojie, um time de mulheres guerreiras que lutam para defender o Reino de Daomé contra as invasões das tribos vizinhas e dos colonizadores. O grupo é comandado pela geral Nanisca, brilhantemente interpretada por Viola Davis.

Já era de se esperar uma excelente atuação de Viola, uma vez que seu histórico não decepciona, mas ainda que as expectativas sejam altas, ela consegue surpreender novamente. Na sua primeira cena, combatendo um exército inimigo, já dá para perceber a força e a potência que a atriz entrega. Na pele da general, Viola vive uma mulher forte, decidida, respeitada por todos e extremamente corajosa.

No filme, também é possível ver que a atriz realmente se empenhou na preparação física, pois seu corpo parece esculpido para viver uma guerreira, e nas cenas de luta ela não faz feio.

Drama com cenas de ação

Por falar em luta, ao assistir A Mulher Rei, fica fácil entender o que Viola quis dizer quando falou que o filme não é um filme de ação, e sim um filme de drama com cenas de ação. Apesar dos (ótimos e bem executados) momentos de luta, o foco fica no enredo que mostra como a escravidão foi cruel, e como o colonialismo e o comércio de escravos realizado pelos brancos favoreceu as disputas entre gangues rivais e o massacre desses povos.

O preparo físico das atrizes imprensiona. (Imagem: Reprodução/Sony Pictures)
O preparo físico das atrizes imprensiona. (Imagem: Reprodução/Sony Pictures)

Esse ponto é, inclusive, abordado por Nanisca, que pede ao rei que não transforme Daomé em uma tribo que vende seu povo, e que eles foquem no comércio dos produtos locais para se sustentarem.

Homens não roubam o protagonismo feminino

Apesar de ser em sua maioria feminino, o elenco de A Mulher Rei conta com bons atores homens. Vale destacar dois personagens em especial: o rei de Daomé (John Boyega) e Malik (Jordan Bolger), um homem que vive no Brasil e vai à África tentar encontrar suas raízes, uma vez que é filho de uma mulher que foi escravizada.

No filme, ambos são importantes para a trama; seja o rei comandando a tribo, seja Malik como um homem não branco e não negro que tenta se encontrar na região e acaba se envolvendo sentimentalmente com Nawi (Thuso Mbedu), uma guerreira Agojie.

O fato é que não seria surpresa se os dois personagens, por serem masculinos, se sobressaissem na história. Também não seria novidade se Malik fosse retratado como o “homem salvador” quando tenta ajudar Nawi, mesmo ela sendo uma das guerreiras mais importantes do bando.

No entanto, A Mulher Rei acerta mais uma vez ao não apagar de nenhuma maneira o protagonismo feminino e retratar a força e a coragem dessas guerreiras. Afinal, quantas vezes vemos um filme sobre um exército de mulheres valentes, importantes e destemidas?

Elenco brilhante mantém qualidade do filme

Como um filme não é feito apenas por uma atriz, era preciso um elenco de qualidade para manter o nível, e os atores e atrizes de A Mulher Rei não decepcionam.

É impossível falar de todos, mas merece destaque Thuso Mbedu, uma atriz sul-africana de 31 anos que dá vida à Nawi, uma menina de 19 anos que se torna uma das principais novas guerreiras Agojie. Além dela, Lashuana Lynch (Matilda) faz a incrível Izogie, e Sheila Atim (Doutor Estranho no Multiverso da Loucura) dá vida à Amenza.

Vale destacar também o ator Jimmy Odukoya que interpreta Oba Ade, o arquirrival de Nanisca e o homem que a estuprou no passado.

Encontro entre mãe e filha

Além da trama central, em A Mulher Rei descobrimos que Nawi é uma garota adotada e que sua verdadeira mãe é Nanisca. Acontece que filha e mãe não sabiam desse fato, e só vão descobrir do meio para o final do longa.

Isso porque Nanisca engravidou quando jovem, vítima dos vários estupros que sofreu. Ela pediu que sua fiel amiga, Amenza, desse um destino à criança, mas antes fez um corte nas costas do bebê e escondeu um pedaço de dente de tubarão.

O encontro entre mãe e filha é emocionante e permite ver Nanisca mais humanizada (Imagem:Reprodução/ Sony Pictures)
O encontro entre mãe e filha é emocionante e permite ver Nanisca mais humanizada (Imagem:Reprodução/ Sony Pictures)

Quando descobre que Nawi é adotada e traz essa cicatriz nas costas, Nanisca fica mexida e, ao reabrir o machucado, descobre que o pedaço de dente ainda está lá. Assim, por força do destino, ambas se reencontram e têm a chance de começar uma relação mais próxima.

É a partir dessa história que vemos Nanisca um pouco mais humanizada, demonstrando fraqueza e sentimento de culpa. É um ponto interessante no longa, porque além de demonstrar a vulnerabilidade da general, é um respiro em meio às cenas de batalha. Mais um acerto para o filme.

No filme, mãe e filha lutam juntas. (Imagem:Reprodução/ Sony Pictures)
No filme, mãe e filha lutam juntas. (Imagem:Reprodução/ Sony Pictures)

Mas, como nem é tudo é perfeito, nessa história é bastante questionável o fato de esse dente ter ficado tanto tempo no corpo de Nawi, sem ter causado nenhuma infecção ou ter se deteriorado.

Aale a pena assistir A Mulher Rei?

Sim. Com uma trama importante e bem escrita, A Mulher Rei é o tipo de filme que precisa ser visto por todas as pessoas, seja pela sua importância histórica, seja pelas brilhantes atuações. Vale a pena a experiência de assisti-lo no cinema.

A Mulher Rei está em cartaz nos cinemas de todo o Brasil; garanta o seu ingresso na Ingresso.com.

Fonte: Canaltech

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