Crítica Bem-Vindos à Vizinhança | Ryan Murphy acerta o tom em série de suspense

Imagine se mudar para a casa dos seus sonhos em um subúrbio tranquilo de uma cidade dos Estados Unidos e, de repente, começar a receber cartas ameaçadoras? Essa história é retratada em Bem-Vindos à Vizinhança, a nova série de suspense da Netflix, baseada em uma história real.

Na trama, um casal e seus dois filhos se mudam para a rua Boulevard, 657, em uma das cidades mais seguras do país, mas veem suas vidas se tornarem um pesadelo ao receberem cartas ameaçadoras assinadas por um pseudônimo: The Watcher, ou O Vigilante, em português.

As cartas fazem referência à residência e trazem mensagens assustadoras como: “a casa quer sague”. Amedrontados, Dean (Bobby Cannavale) e Nora (Naomi Watts), os pais, fazem de tudo para descobrir quem é o remetende de tais bilhetes.

Atenção! Essa crítica tem spolier de Bem-Vindos à Vizinhança.

É com essa premisa que o diretor Ryan Murphy (Dahmer: Um Canibal Americano) conduz um suspense de qualidade em sete episódios. Logo nos primeiros minutos da série, nos é apresentado a casa e a vizinhança: todos muito esquisitos e macabros. Murphy parece acertar o timing logo de primeira, pois instiga a curiosidade do espectador ao mesmo tempo que o deixa em alerta o tempo todo, mostrando que algo vai acontecer.

O casal de idosos também é suspeito de ser O Vigilante. (Imagem:Reprodução/Netflix)
O casal de idosos também é suspeito de ser O Vigilante. (Imagem:Reprodução/Netflix)

E acontece. As primeiras cartas chegam já no primeiro episódios, e todos são suspeitos: desde o vizinho que aparenta ter problemas mentais até o casal de idosos que fica espiando a casa com binóculos.

Aqui vale ressaltar as boas atuações da série da Netflix. O elenco realmente entrega o que se propõe, criando personagens estramente perigosos. O destaque fica para Theodora (Noma Dumezweni), a detetive particular contratada pelo casal para tentar descobrir a identidade do Vigilante; e Pearl (Mia Farrow), uma mulher mais velha que vive para cuidar do irmão e que tem uma estranha obsessão com as árvores do bairro.

Mas não são apenas os atores que merecem elogios. A sonoplastia e a fotografia também agradam e criam a atmosfera perfeita para um bom suspense. Vale ressaltar que muitos momentos de "terror" acontecem de dia, assim como em Midsommar, mostrando que o mal nem sempre espera a noite.

O desafio de tornar ficção uma história real

Não é simples transformar uma história verdadeira em ficção, mas Murphy conseguiu cumprir o desafio. Embora o roteiro de Bem-Vindos à Vizinhança tenha incluído fatos que não aconteceram na vida real, tudo parece se encaixar perfeitamente no enredo, não desagrando quem está assistindo e nem parecendo algo forçado.

Outro desafio era criar o desfecho ideal, uma vez que quem conhecia a história real sabia que a identidade do Vigilante não seria revelada, já que ninguém descobriu quem ele era. Desse modo, como fazer um último episódio de qualidade sem ser frustrante? A equipe da série tinha a receita.

Com atuação brilhante de Noma Dumezweni, Theodora é uma das melhores personagens de Bem-Vindos à Vizinhança (Imagem:Reprodução/Netflix)
Com atuação brilhante de Noma Dumezweni, Theodora é uma das melhores personagens de Bem-Vindos à Vizinhança (Imagem:Reprodução/Netflix)

Antes dos minutos finais de Bem-Vindos à Vizinhança, foi revelado um plot twist em que Theodora, a detetive, revela ser a verdadeira Vigilante. Mas logo ficamos sabendo que isso era uma mentira. Sendo assim, a saída estratégica foi fazer com que todos fossem novamente suspeitos, incluindo até o próprio Dean e Nora, que após finalmente venderem a casa, agora ficavam rondando-a e espiando os novos moradores.

Com esse final aberto, o público fica à vontade para escolher quem é o seu Vigilante favorito — o que desagrada a muitos, mas resolve e se mantém fiel à história original.

O conservadorismo assusta mais

Com um bom enredo, Bem-Vindos à Vizinhança certamente dará alguns sustos no público, mas o que assusta de verdade é o conservadorismo e machismo de Dean. Pai de dois filhos, sendo Ellie (Isabel Gravitt) a filha mais velha, ele se mostra extremamente retrógrado ao proibir a garota de usar batom ou insinuar que ao deixar as alças do sutiã à mostra ela está se comportando como uma vagabunda.

Apesar de amoroso, Dean é um pai conservador e machista. (Imagem:Reprodução/Netflix)
Apesar de amoroso, Dean é um pai conservador e machista. (Imagem:Reprodução/Netflix)

Além disso, a obsessão para que a filha não cresça e continue sempre a sua eterna “garotinha” é bizarra. Esses momentos além de incomodarem, não acrescentam na série.

Vale a pena assistir Bem-Vindos à Vizinhança?

Sim, mesmo com alguns pontos fracos, a série da Netflix consegue se sair muito bem. Portanto, se você quer um bom suspense, com boas atuações e uma trama envolvente que a cada episódio te instiga a assistir o próximo, Bem-Vindos à Vizinhança certamente será uma boa opção.

Bem-Vindos à Vizinhança está disponível na Netflix.

Fonte: Canaltech

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