Covid-19: Rio registra semana com mais casos de Síndrome Gripal da pandemia

Felipe Grinberg e Arthur Leal
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RIO — O Rio pode não ter voltado ao cenário do auge da pandemia: a realidade pode ser ainda pior. Enquanto se discute se a cidade enfrenta uma segunda onda ou um repique de casos do novo coronavírus, os registros de síndrome gripal não param de crescer, nas últimas semanas. O município registrou 29.790 casos na semana epidemiológica, entre os dias 22 e 28 de novembro. O maior número até então tinha sido na semana mais crítica na cidade, entre os dias 26 de abril e 2 de maio, que teve 23.844 casos. O salto foi de 25% em relação ao pico.

Segundo a classificação do Ministério da Saúde, para um paciente ser classificado com síndrome gripal é preciso apresentar ao menos dois dos seguintes sintomas: febre, calafrios, dor de garganta ou de cabeça, tosse, coriza, distúrbios olfativos ou gustativos. Todos os casos de síndrome gripal são considerados suspeitos de serem Covid-19, mas dependem ainda da confirmação por exame clínico ou teste. Em três semanas, o total de pessoas com esse diagnóstico triplicou na cidade do Rio. Nos primeiros sete dias de novembro, havia menos de 10 mil registros.

Mas outro dado acende o alerta de que o Rio caminha para uma transmissão acelerada do vírus. Nesta sexta-feira, a média móvel de novos casos confirmados em todos os estado foi de 2.899. O número é também o maior desde o início da pandemia. Foram 20.293 fluminenses com diagnóstico positivo apenas nos últimos sete dias. Há aumento de 92% no total de novos infectados, em relação a 14 dias atrás. Nesta sexta, a Secretaria estadual de Saúde do Rio confirmou 126 mortes e 2.456 novos casos de Covid-19.

Em paralelo, em toda a rede pública estadual, continua a pressão na Saúde por leitos exclusivos para o novo coronavírus. A taxa de ocupação, considerando todas as unidades da rede estadual destinadas à Covid-19, está em 82% em leitos de UTI e em 65% em leitos de enfermaria. No total, na rede pública, há 428 pacientes com suspeita ou confirmação de coronavírus que aguardam transferência para leitos de internação, sendo 216 deles para UTIs. De acordo com a pasta, eles poderão ser regulados para vagas nas redes municipais, estaduais ou federais.

Na rede SUS municipal, de acordo com a prefeitura, a taxa de ocupação é de 91% nos leitos de UTI (564 pacientes) e de 84% em enfermarias. Ao todo, são 1.366 internados. Há fila de 344 pessoas com Covid-19 à espera de leitos na capital e na Baixada Fluminense, sendo 162 delas para UTIs. O município destaca que os pacientes com quadros mais graves, que esperam por leitos de UTIs, estão sendo assistidos em leitos de unidades pré-hospitalares, com monitores e respiradores. Considerando apenas as unidades municipais de saúde, dos 721 pacientes internados com o novo coronavírus, 278 ocupam leitos de UTIs, 97% de um total de 288 vagas. Reportagem publicada pelo GLOBO já mostrou que unidades de pronto atendimento (UPAs) e centros regionais de emergência estão lotados e também lidam com problemas que vão da falta de equipamentos a questões estruturais, como obras por fazer e até ausência de instalação para rede de oxigênio.

Na avaliação do infectologista da UFRJ Roberto Medronho, há duas hipóteses que podem explicar o novo pico. Além do aumento real de casos, ele não descarta alguma influência de um represamento devido à pane no sistema do Ministério da Saúde em novembro:

— Não tem como negar o aumento de casos. A evidência é o estresse enorme no sistema de saúde. O crescimento é muito grande.