#Verificamos: É falso que idosa filmada em maca foi resgatada viva do necrotério após hospital comunicar morte por Covid-19

É falso que idosa filmada em maca foi resgatada viva do necrotério após hospital comunicar morte por coronavírus - Foto: Reprodução

por MAURÍCIO MORAES

Circula pelas redes sociais um vídeo de uma idosa deitada sobre um plástico, com máscara, na maca de um hospital. De acordo com a legenda, a mulher foi levada por parentes para o Hospital Abelardo Santos, localizado no distrito de Icoaraci, em Belém (PA). Depois de ser transferida para uma sala, a família teria recebido a informação de que ela havia morrido, possivelmente por Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. O grupo então teria invadido o necrotério, aberto o saco e encontrado a idosa viva, respirando, em seu interior. A filmagem teria ocorrido logo depois desse momento. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

É falso que idosa filmada em maca foi resgatada viva do necrotério após hospital comunicar morte por coronavírus - Foto: Reprodução

“Parentes levam mãe pro Abelardo Santos e levaram ela pra uma sala ai voltaram depois dizendo que ela tinha morrido por provável causa o covid-19, os parentes invadiram o necrotério e abriram o saco e encontraram ela respirando ainda, olha o video… Belém PA”

Legenda de vídeo que, até as 11h de 7 de maio de 2020, tinha mais de 30 mil compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A assessoria de imprensa do governo do Pará, em nota, desmentiu a história que circula pelas redes sociais. A idosa mostrada no vídeo foi atendida pelo Hospital Abelardo Santos, voltado exclusivamente para receber casos de Covid-19, em 4 de maio, em estado grave, mas não resistiu e morreu no dia seguinte – em nenhum momento ela foi “resgatada pela família”. “Na imagem que circula ilegalmente na internet, constata-se o aparato de suporte de transferência entre macas, método comum nos hospitais”, diz o texto. Ou seja, não se trata de um saco plástico usado no necrotério, como diz o post.

Na nota enviada pelo governo do estado, a direção da Santa Casa de Pacaembu – organização social em saúde responsável pela gestão do hospital – explicou a cronologia dos acontecimentos. “A senhora A. V. S. deu entrada na urgência do Abelardo Santos dia 4 à noite, em estado gravíssimo. Recebeu assistência médica adequada pela equipe de plantão. Estava no setor de observação à espera de leito”, informa o texto. Em 5 de maio, no entanto, a saúde da idosa piorou enquanto aguardava a internação. 

Por esse motivo, ela foi transferida para a sala vermelha, destinada aos pacientes em estado crítico. Não resistiu, no entanto, e acabou morrendo no local. “A Direção da Santa Casa de Pacaembu (…) lamenta profundamente o ocorrido e a má utilização da imagem da paciente por pessoas que não respeitaram a dor da família, que está recebendo todo o apoio da instituição”, informa a nota. “A Direção da OS já abriu procedimento interno para identificar o vazamento da imagem da paciente, uma vez que isso é considerado uma atitude antiética, desumana e passível de punição penal.”

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés