COVID-19, economia americana e mercado de ações; Confira os principais destaques da reunião com Warren Buffett



Photo: JOHANNES EISELE/AFP via Getty Images


Por Melissa Santos

Anualmente cerca de 40 mil acionistas da Berkshire Hathaway se reúnem em Omaha, no Nebraska, para ouvir as previsões e tendências econômicas de Warren Buffett, CEO do conglomerado. Este ano, por conta da pandemia do coronavírus, a famosa reunião não pode ser realizada presencialmente. No entanto, Buffett fez questão de manter o evento com uma transmissão online para todo o mundo, realizada com exclusividade pelo Yahoo Finanças. 

Muitos quiseram ouvir de Buffett orientações sobre como navegar e investir neste ambiente incerto provocado pela crise, bem como os resultados financeiros do primeiro trimestre da Berkshire, que registrou um prejuízo de quase US$ 49,7 bilhões

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Buffett abriu o evento abordando as circunstâncias da reunião ser transmitida por conta da pandemia.  “Não parece a reunião anual. Principalmente por eu não ter Charlie Munger, meu parceiro há 60 anos, sentado aqui comigo”, afirmou na abertura. Ele também aproveitou para agradecer e elogiar o infectologista Anthony Fauci, um dos principais integrantes da força-tarefa criada pela Casa Branca para responder à pandemia do COVID-19. "Acho que temos muita sorte como país de ter alguém com 89 anos de idade, capaz de trabalhar 24 horas por dia, mantendo o bom humor e se comunicando de maneira muito, muito direta sobre assuntos bastante complexos”, afirmou. 

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“Nada pode parar a América”

Logo no início do evento, Buffett aproveitou para tocar no tema mais discutido: os efeitos da pandemia na economia americana. Para isso, deu uma aula de história sobre as crises que já assolaram os Estados Unidos e como o país enfrentou cada uma das adversidades.

A conclusão é de que “basicamente nada pode parar a América” e, por isso, o CEO segue otimista com a capacidade de resiliência dos EUA de se recuperar do golpe econômico provocado pela pandemia do COVID-19. "O milagre americano, a magia americana sempre prevaleceu e o fará novamente.  Na Segunda Guerra Mundial, eu estava convencido disso. Fiquei convencido disso durante a Crise dos Mísseis em Cuba, 11 de setembro, a crise financeira de 2009", destacou.

De acordo com o “Oráculo de Omaha”, para cada dólar investido quando terminou a faculdade na década de 1950, o mercado de ações produziu US$ 100. ″Tudo que você tinha a fazer era acreditar na América. Você só tinha que acreditar que o milagre americano estava intacto”, disse.

Portanto, mesmo afirmando que não sabe o que acontecerá com o mercado no futuro, Buffett, acredita que os Estados Unidos em 2020 estão em melhor forma do que em qualquer outro momento de sua história e os investidores que confiarem dinheiro em ações a longo prazo agora serão amplamente recompensados.

Conselhos para quem quer investir no mercado de ações 

Como não podia ser diferente, durante toda a reunião Buffett deu pílulas de conhecimento para os acionistas e espectadores, principalmente os que querem investir no mercado de ações. 

Uma delas foi a de investir em um fundo de índice S&P 500 –índice das maiores (em termos de valor) empresas americanas cotadas em bolsa--, que além de ter baixas despesas, são compostos por empresas de diferentes segmentos com sucesso econômico ao longo das décadas.

Além disso, Buffett também foi taxativo ao afirmar que não recomenda que pessoas peguem pedir dinheiro emprestado, também conhecido como alavancagem, para investir na bolsa, bem como apostar em ações invés de títulos do Tesouro Direto. “As ações vão trazer mais resultados do que os títulos do tesouro de 30 anos, que rendem 1,25% agora. O desempenho das ações superará as letras do tesouro. Vai superar o dinheiro que você colocou debaixo do colchão, ou seja, é um investimento enormemente sólido. Desde que seja um investimento e não uma aposta”, afirmou. 

Venda de todas as ações de cias aéreas 

Antes de 2016, Buffett evitava investir em companhias aéreas, mas acabou mudando de opinião, visto que, no ano passado, essas empresas registraram seu 10º ano consecutivo de lucros e estavam se preparando para um crescimento ainda maior da demanda de viagens no início deste ano, justamente quando o COVID-19 começou a se espalhar.

"Quando compramos [companhias aéreas], recebíamos uma quantia atraente pelo nosso dinheiro ao investir nas companhias aéreas. Aconteceu que eu estava errado sobre esse negócio por causa de algo que não foi de forma alguma culpa de quatro excelentes CEOs. Acredite em mim. Não há alegria em ser CEO de uma companhia aérea”, afirmou o “Oráculo de Omaha”.

Segundo Buffett, o conglomerado se desfez de todas as ações que tinha no ramo, que incluía empresas, como United, American, Southwest e Delta Airlines.“O mundo mudou para as companhias aéreas. E não sei de que maneira, mas espero que se recuperem razoavelmente rápido. Não sei se agora os americanos mudaram seus hábitos ou mudarão por causa desse período prolongado. Infelizmente, a indústria aérea, entre outras, é realmente prejudicada por uma paralisação forçada por eventos que estão muito além do nosso controle", afirmou.

“Não investimos porque não vimos nada tão atraente”

Com um recorde de caixa de US$ 137,3 bilhões, Warren Buffett foi questionado durante a reunião do porquê a Berkshire Hathaway não fez nenhuma grande aquisição durante esse período.

Segundo o “Oráculo de Omaha”, o conglomerado não encontrou uma empresa para comprar a um preço atraente. "Não fizemos nada, porque não vimos nada tão atraente. Mas isso pode mudar muito rapidamente ou não. Estamos dispostos a fazer algo muito grande. Quero dizer, você poderia me procurar na segunda-feira de manhã com algo que envolvesse US$ 30 ou US$ 40 bilhões ou US$ 50 bilhões. E se realmente gostarmos do que estamos vendo, investiríamos”, disse Buffett.

“Não há descrédito em recomprar ações”

Um tema que tem levantado discussões nos EUA são os buyback, ou recompra de ações. Durante a reunião com os acionistas, Buffett defendeu a prática que consiste em uma empresa comprar suas próprias ações destinadas à negociação no mercado para distribuir rentabilidade aos acionistas, impedir que um determinado player se torne o controlador da companhia e valorizar os papéis que continuam em negociação.

A prática tem sido alvo de críticas por suspostamente enriquecerem os acionistas e os principais executivos, e não os funcionários das empresas, mas Buffett encara as recompras como um meio de distribuir dinheiro aos acionistas, bem como dividendos. “Portanto, quando as condições forem adequadas, deve ser óbvio recomprar as ações e não deve haver o menor descrédito, assim como não acontece com dividendos”, afirma. 

Erro ao investir em petróleo

O petróleo tem estado extremamente volátil nas últimas semanas e, no final de abril, o petróleo bruto West Texas Intermediate caiu para - US$ 37 por barril.

Durante a reunião, um dos acionistas perguntou a Buffett sobre o investimento que ele fez na Occidental Petroleum (OXY) há um ano. "Se você é acionista da Occidental ou de qualquer empresa produtora de petróleo, junte-se a mim por ter cometido um erro em relação ao preço do petróleo", disse Buffett.

Apoio aos pequenos negócios 

As pequenas empresas americanas têm sofrido os impactos econômicos provocados pelo COVID-19 e inúmeros restaurantes, bares e outros "negócios não essenciais" foram forçados a fechar suas portas para combater a pandemia. 

Warren Buffett parabenizou os legisladores pelos esforços em ajudar as pequenas empresas necessitadas e "agir adequadamente" sobre o assunto. "Bem, não quero entrar na política em geral, mas acho que é uma ideia muito boa cuidar das pessoas que têm problemas terríveis durante um período como esse. Concordo 100% em cuidar das pessoas que realmente são prejudicadas por algo que elas não tiveram nada a ver", afirma.