Covid-19: Doria dá 'resposta econômica' à ida de Bolsonaro ao STF

O governador de São Paulo, João Doria, durante entrevista à AFP em 26 de março de 2020

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), fez um balanço econômico da produção industrial no estado durante a pandemia do novo coronavírus. A retração na economia no estado provocou uma queda de R$ 2,67 milhões na arrecadação do PIB (Produto Interno Bruto), em torno de 19% do previsto para abril, segundo o secretário de Fazenda, Henrique Meirelles.

A apresentação é uma resposta indireta à ida do presidente Jair Bolsonaro com um grupo de empresários ao STF (Supremo Tribunal Federal), onde se reuniu com o presidente da Corte, Dias Toffoli, pedindo a reabertura comercial do país.

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Doria também ‘cutucou’ o governo federal ao cobrar políticas para a área da Cultura após o setor da “economia criativa, cultura e eventos” ser apontado pelo secretariado como um dos mais impactados desde o início da pandemia da Covid-19. A atriz Regina Duarte, secretária especial da Cultura do governo Bolsonaro, tem recebido reclamações de falta de apoio e diálogo com o setor.

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“O inimigo da economia é o coronavírus, é a pandemia, não a quarentena, não as medidas restritivas. Isso no Brasil e nos demais países que adotaram medidas de quarentena. Essa é uma doença que mata mais que outras doenças juntas, mais que a violência ou acidentes de trânsito. Mas não deixamos de ser atento às medidas econômicas que preservam emprego e economia”, destacou o tucano.

Desde 24 de março, apenas serviços essenciais estão abertos ao público no estado. Na sexta (8), Doria estendeu a quarentena no estado até 31 de maio após já ter sido postergado várias vezes. No último anúncio, feito em 17 de abril, foi dito que as medidas valeriam até 10 de maio. Agora, foram adiadas por mais 21 dias.

O levantamento do governo apontou que 73% dessa perda decorre da própria pandemia em si e não dos efeitos das medidas restritivas tomadas. A queda na arrecadação, segundo Meirelles, se deve em pequena parte ao aumento na inadimplência do pagamento de impostos de pessoa física, mas é no ICMS (Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias) a maior lacuna provocada nos cofres do estado.

A secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen, destacou que 74% das empresas cadastradas em São Paulo não estão sendo atingidas pelas medidas restritivas. Ao todo, 80 áreas econômicas se mantiveram em funcionamento sem restrição, como a cadeia de abastecimento; alimentação; comunicação e produção de conteúdo; construção civil; hoteleiro; oficinas mecânicas e manutenção; petróleo e gás; produção agropecuária; indústria; saúde; segurança privada; serviços domésticos; transporte e logística.

ECONOMIA CRIATIVA IMPACTADA

Um dos setores mais afetados pela pandemia, segundo o governo, é o da área da Cultura. “Estamos recebendo os apelos desde a semana passada, e estamos atentos a eles”, explicou Patrícia Ellen. Doria aproveitou para cobrar ações e diálogos do governo federal referente à área.

“A economia criativa também é atribuição do governo federal. As atividades artísticas, eventos, espetáculos passam também pelo governo federal, não só pelos estados, com políticas claras, com contribuição, com financiamento e diálogo para esses setores”, destacou Doria.

Na semana passada, a secretária especial de Cultura do governo Bolsonaro, Regina Duarte, se envolveu em uma polêmica ao ser cobrada por mais diálogo com o meio artístico durante uma entrevista ao vivo na CNN. A atriz se recusou a ouvir um apelo gravado em vídeo pela colega Maitê Proença, e encerrou repentinamente a entrevista.