Covas volta atrás e São Paulo não terá mais megarrodízio a partir de segunda; projeto prevê antecipação de feriados

Reprodução/YouTube/Cidade de São Paulo

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, anunciou o fim do megarrodízio de veículos na capital paulista a partir desta segunda-feira (18) e um projeto para antecipar os feriados de Corpus Christi e do Dia da Consciência Negra. As medidas são opções da Prefeitura para o combate ao novo coronavírus na cidade.

"A cidade está chegando ao seu limite de opções", afirmou o prefeito.

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A medida ocorre após a cidade não apresentar efeito esperado no índice de isolamento da capital paulista com o mega rodízio implementado nesta semana.

"Quando comparamos a média semanal, a gente verifica que permanecemos na mesma linha insuficiente. E é por isso, que em edição extra do Diário Oficial de hoje, vamos retomar o rodizio tradicional a que todos nós estamos acostumados a partir de amanhã​", disse Covas em coletiva à imprensa na manhã deste domingo (17).

"Comparando a sexta-feira (8) com a última sexta (15), subimos apenas dois pontos percentuais, passando de 46 para 48% de isolamento. Mantendo-se abaixo do 50%", seguiu Covas.

O prefeito também disse que enviou um projeto de lei para a Câmara Municipal propondo a antecipação dos "dois últimos feriados municipais deste ano de 2020 para já". "Vamos manter a manutenção destas datas, mas sem o feriado obrigatório", disse.​

O presidente da Câmara, o vereador Eduardo Tuma, que participava da coletiva, afirmou que o projeto será pautado para votação na segunda-feira (18). Questionado sobre mais detalhes da medida, Covas afirmou que "tudo depende da aprovação". "A expectativa é, caso seja aprovado nesta semana, a gente já possa antecipar [os feriados] para essa semana que entre", disse o prefeito.

Covas afirmou ainda que a cidade está perto de um colapso no atendimento. "Precisamos decidir se queremos testar nossos limites ou sermos prudentes e nos mantermos firmes em isolamento social pelo tempo necessário para o sistema de saúde não entrar no colapso", disse o prefeito. "Estamos mais próximos disso do que gostaríamos."

Covas afirmou ainda que a capital não pode decretar lockdown isoladamente —a ação teria de ser coordenada com as cidades limítrofes e com o governo estadual, que comanda as polícias e controla o metrô na cidade.

Até sábado (16), a cidade de São Paulo tinha, sozinha, 2.792 mortos por Covid-19, segundo dados oficiais do estado. O número equivale a quase 1/5 de todos os mortos pela nova doença no país e a 60% dos mortos no estado.

Somados os casos suspeitos da doença --que apresentaram quadro clínico compatível, mas ainda sem confirmação via teste-- o número chegaria a 5.909. É um aumento de e 432,34 % entre 9 de abril, quando os dados passaram a ser sistematizados, e este fim de semana.

Da FOLHAPRESS