Couro legítimo, sintético, vegano ou vegetal: qual a diferença?

Couro legítimo, sintético, vegano ou vegetal: qual a diferença? (Foto: Getty Images)
Couro legítimo, sintético, vegano ou vegetal: qual a diferença? (Foto: Getty Images)

Couro: “material oriundo exclusivamente da pele animal, curtida por qualquer processo constituído essencialmente de derme”. Essa é a descrição do termo de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Sim, existe uma definição técnica e mais de trinta Normas Brasileiras (NBR) dedicadas ao couro.

A transcrição acima, por si só, não deixa dúvidas: só é couro se for pele animal. Existe ainda legislação específica sobre o assunto, a Lei 4888/65, conhecida como Lei do Couro. Segundo ela, é proibido o emprego da palavra, mesmo que modificada com prefixos ou sufixos, para denominar produtos de origem diferente.

Ou seja, apesar de muito comuns no mercado, os termos “couro sintético”, “couro vegano”, “couro ecológico” e afins não só são falaciosos como legalmente não deveriam ser usados. Mas de onde surgiram tantas variações afinal?

O couro é uma matéria-prima durável e resistente que agrega benefícios únicos na produção de roupas e acessórios. Porém, sua utilização também está associada a uma série de aspectos negativos, como o custo elevado, o alto impacto ambiental e a exploração animal.

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Todas essas questões contribuíram, cada uma à sua maneira, para o desenvolvimento das tantas alternativas de origens diversas conhecidas hoje sob o nome de couro. Entender as diferenças entre elas e do que são constituídas é necessário para não “comprar gato por lebre”, como diz o ditado, principalmente se seu objetivo é encontrar uma solução de fato mais ecológica. Vamos esclarecer tudo isso?

Couro legítimo

Couro legítimo (Foto: Getty Images)
Couro legítimo (Foto: Getty Images)

É como o couro real oficial, de origem animal conforme determinam a legislação e a ABNT, passou a ser chamado após a popularização de tantos materiais similares de origens distintas. É considerado um material nobre e, além de durável e resistente, é respirável, características que favoreceram sua utilização na indústria de vestuário.

Porém, sua produção envolve inevitavelmente a exploração animal e gera grande impacto ambiental em todas as etapas. A principal delas é o curtume, processo químico em que tradicionalmente são utilizados metais pesados no tratamento da pele animal. O descarte inadequado de resíduos de curtumes, muito comum nessa indústria, causa a poluição de lençóis freáticos e rios e até a contaminação da vegetação e da vida animal.

Couro sintético

E o couro sintético? (Foto: Getty Images)
E o couro sintético? (Foto: Getty Images)

Também chamado de “couro vegano” ou “couro ecológico”, o couro sintético tal como conhecemos hoje, surgiu em meados da década de 1950, como uma alternativa mais barata ao couro legítimo. Note que a principal motivação para seu desenvolvimento foi econômica e não ambiental ou relacionada à exploração animal.

Sua composição pode variar de acordo com a aplicação. Na confecção de bolsas e acessórios, por exemplo, é muito o polipropileno. Na produção de roupas, o poliuretano é o mais amplamente utilizado. O polivinílico também é muito comum, em ambos os setores, para a obtenção de diferentes texturas e acabamentos. O que todos eles têm em comum? São derivados do petróleo, que lidera o ranking de indústrias mais poluentes.

Ou seja, o couro sintético pode ser uma alternativa ao legítimo no quesito exploração animal, mas não é nada ecológico. Além disso, apresenta desvantagem em relação à durabilidade e, por consistir basicamente de plástico, não é biodegradável.

Couro vegetal – uma alternativa vegana e de fato mais ecológica

A ideia de materiais mais sustentáveis com características parecidas com as do couro pode parecer inovadora, mas na verdade o primeiro registro relacionado ao tema data de 1825. O inglês Thomas Hancock patenteou o processo de produção de um material de consistência similar ao couro, obtido a partir de borracha natural.

Hoje, quase dois séculos depois, apesar de ainda pouco conhecido, o couro vegetal é uma realidade que aos poucos vem sendo explorada comercialmente como uma alternativa ao couro legítimo. O mais comum é o laminado natural, obtido a partir da borracha vegetal. Mas existem ainda outros materiais se provando excelentes opções. Entre eles, estão os produzidos a partir de fibras de frutas como abacaxi, maçã e uva, que além de tudo vêm sendo desenvolvidos de maneira sustentável e circular.

Ou seja: vegano: check; ecológico: check. O couro vegetal é sem dúvidas a melhor opção para quem busca uma alternativa ao couro com menor impacto ambiental e que não envolva exploração animal.