Costureiros de projeto social da zona leste de SP vão fazer peças para a São Paulo Fashion Week

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SAO PAULO, SP, 05/10/2021, BRASIL - PROJETO CRIA COSTURA  - As costureiras do projeto Cria Costura, em Cidade Tiradentes, na zona leste, vao produzir no curso pecas que serao apresentadas durante o Sao Paulo Fashion Week, que acontecera em novembro deste ano. O professor Heverton Nascimento posa para foto com aluna Marina Miguel de Oliveira. (Foto Rivaldo Gomes/Folhapress)
SAO PAULO, SP, 05/10/2021, BRASIL - PROJETO CRIA COSTURA - As costureiras do projeto Cria Costura, em Cidade Tiradentes, na zona leste, vao produzir no curso pecas que serao apresentadas durante o Sao Paulo Fashion Week, que acontecera em novembro deste ano. O professor Heverton Nascimento posa para foto com aluna Marina Miguel de Oliveira. (Foto Rivaldo Gomes/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um grupo com 40 costureiros da Cidade Tiradentes, na zona leste da capital paulista, está recebendo qualificação profissional em um projeto que resultará na produção de peças para serem apresentadas na São Paulo Fashion Week, em novembro.

O Criacostura, como é chamado o projeto, foi criado pelo Instituo In Mod, que é presidido por Paulo Borges, fundador do São Paulo Fashion Week, e conta com a parceria da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São Paulo.

O designer de moda Jefferson de Assis foi o escolhido para ministrar as aulas às 38 mulheres e aos 2 homens que foram selecionados para fazer parte da ação.

“São duas turmas com 20 pessoas cada uma. A gente tem um roteiro que começa com uma imersão criativa. Na segunda fase, passamos para a etapa de modelagem, na sequência tem uma instrução de corte, e aí então a confecção dos produtos”, explica Assis.

O designer foi escolhido para o projeto porque tem uma ligação com a região. “Eu morei na zona leste por muito tempo, então imaginamos que eu e as costureiras talvez tivéssemos algumas histórias em comum e há mesmo uma identificação entre nós”, diz.

Segundo Paulo Borges, estão sendo produzidas 400 peças que serão distribuídas para convidados, influenciadores e jornalistas que estejam presentes nos desfiles.

“É um projeto de dez encontros e que foi pensado em todas as pontas: inclusão, protagonismo, diversidade e sustentabilidade. Não é uma questão ligada apenas a renda, mas também a autoestima, queremos canalizar esses potenciais que muitas vezes estão invisíveis, inatingíveis”, afirma Borges.

“Eles não serão apenas operadores de máquinas, eles também criarão. E temos também a meta de fazer uma modelagem de produtos que no final não tenham lixo, resíduos têxtil”, diz o designer.

Ueslei Teobaldo Barros, 44 anos, é um dos dois homens que fazem parte do projeto que acontece no Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes. “Eu sou microempreendedor aqui da região e fiquei sabendo do projeto por meio da minha professora. Eu já tinha estudado corte e costura, e agora estudo design de moda. Quando me falaram do projeto fiquei muito animado e me inscrevi”, conta.

Ele explica que fazer parte do Criacostura pode fazer uma grande diferença em sua vida. “Isso pode impactar tanto no meu conhecimento, o que eu percebi desde o primeiro dia, quanto na minha vida como profissional", afirma. "Imagina, uma roupa minha no São Paulo Fashion Week vai fazer uma diferença grande, as pessoas vão ver minhas roupas com outros olhos.”

Outra aluna da turma é Marina Miguel de Oliveira, 35 anos. Hoje, ela tem uma marca de acessórios, mas quis se aventurar no projeto porque já tinha participado de uma ação anterior, em que alunas formadas no curso de corte e costura do centro de formação foram levadas para visitar o SPFW.

“Em 2019, foi incrível! O São Paulo Fashion Week é um ambiente totalmente diferente do que eu estou acostumada. Você tem acesso à moda, às informações e a conceitos. Foi um sonho", diz.

Segundo Armando Júnior, secretário adjunto da pasta municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo, a ação nasceu no âmbito do Fashion Sampa, programa de apoio ao setor da moda, e visa levar essas costureiras da periferia da cidade para o mundo da alta costura.

“Para as próximas edições queremos, não só ampliar o número de mulheres e homens atendidos com a qualificação, mas também começar a ativar outros setores da economia e tentar promover ações de apoio ao cooperativismo e ao empreendedorismo dessas costureiras", afirma.

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