Costa Rica recupera 1.305 peças pré-colombianas de museu dos EUA

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Uma peça arqueológica é vista no Museu Nacional da Costa Rica em San José, em 6 de julho de 2021. A Costa Rica recuperou 1.305 peças de arte pré-colombiana que haviam sido retiradas do país no final do século 19, quando a ferrovia que atravessa desde a capital San José, no centro do país, até a província de Limon, no Caribe, foi construída.

A Costa Rica recuperou 1.305 peças de arte pré-colombianas que haviam sido retiradas do país no final do século 19 e estavam no Museu do Brooklyn, em Nova York, informaram autoridades costa-riquenhas.

“Foi um processo que começou em 2010, quando o Brooklyn nos perguntou se queríamos recuperar aqueles objetos, que na época foram levados por falta de regulamentação”, explicou Wendy Segura, porta-voz do Museu Nacional da Costa Rica, à AFP nessa quarta-feira (7).

“Fizemos um grande esforço, porque haviam muitos obstáculos que iam do financiamento à pandemia... Mas finalmente conseguimos”, acrescentou.

O lote foi embarcado no final de dezembro de Nova York por via marítima, em 31 caixas de madeira curada, que só agora foram liberadas para o manuseio do museu.

Esta é a segunda parte de uma repatriação que totaliza 2.286 peças. A primeira parcela foi em 2011, quando foram inscritos 981 artigos.

“Concluir esta coleção é de extrema importância para o Museu Nacional da Costa Rica. Com ela, uma parte do patrimônio cultural de nosso país retorna”, disse o diretor do museu, Rocío Fernández, aos jornalistas esta semana.

O empresário americano Minor Keith, que entre 1877 e 1890 construiu a ferrovia que vai da capital San José à província de Limón, no Caribe, foi quem levou os artefatos pré-colombianos para os Estados Unidos.

“Essas peças serão objeto de exposição, algumas na nova sala de história pré-colombiana em restauração, e outras serão objeto de pesquisa e divulgação”, explicou Fernández.

O acervo inclui uma lápide de tamanho médio e um metate (placa retangular de pedra) com uma figura de felino, além de potes, vasos e utensílios domésticos.

Também peças de pedra como espigões e esculturas de volume do sul do país, metates de Guanacaste, no Pacífico, e outros de origem sukia (nome de uma etnia indígena), do Atlântico.

Por sua vez, a ministra da Cultura e Juventude, Sylvie Durán, afirmou que “a recuperação dessas peças arqueológicas significa recuperar fragmentos de nosso passado que cruzaram nossas fronteiras quando ainda não tínhamos legislação para impedir”.

De acordo com um relatório do Departamento de Proteção do Patrimônio dos Estados Unidos, a coleção de Keith consistia em mais de 16.000 objetos e foi mantida junta até 1914, quando parte dela foi emprestada ao Museu Americano de História Natural de Nova York.

Outra parte foi vendida ou doada ao Museu do Índio Americano, à Fundação Heye e ao Museu Nacional de História Natural do Smithsonian Institution e, após a morte de Keith em 1929, sua esposa doou vários objetos ao Museu do Brooklyn.

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