Coronavírus: “Turim parece uma cidade fantasma”, diz brasileiro que mora na Itália desde 1991

Praça Giambattista Bodoni, em Turim (Foto: Reprodução)

“Tudo aqui em Turim está confuso. As ruas parecem um campo de guerra. Uma loucura. Hoje, você não pode mais sair na rua. Precisa de uma autorização especial para fazer qualquer coisa. Se você estiver circulando e não tiver o ‘passe’, é multado."

“Essa situação começou nesta semana. Você até pode dar uma caminhada perto da sua casa, mas precisa de uma justificativa oficial. Uma loucura. As pessoas estão indo apenas para o trabalho e voltando. Em mercados e restaurantes, cada pessoa precisa ficar a um metro de distância da outra nas filas. Não há trânsito, parece uma cidade fantasma.”

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“Ainda não é obrigatório o uso da máscara, mas estou vendo muito mais gente utilizando. Eu, por exemplo, trabalho numa casa que atende pacientes com esquizofrenia. Está sendo muito difícil porque não podemos ter mais aquele contato que tínhamos.”

“O problema também é que tem muita notícia falsa circulando. Já recebi coisas do tipo que o Exército dos EUA vinha para cá, assim como médicos chineses*. E isso gera a paranoia também. O foco da tensão mudou. Antes havia um clima ruim com os imigrantes árabes, albaneses e outros. Agora, um chinês era visto na rua e já era classificado como o um terrorista. Mas isso já passou, ainda bem.”

* de fato, um time de especialistas que trabalhou na linha de frente no combate à Covid-19 na China desembarcou nesta sexta com 40 toneladas de equipamentos, máscaras e até ervas da medicina tradicional chinesa para ajudar a enfrentar a doença

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“Conheço um médico que foi contaminado pelo novo coronavírus. Também soube de uma família inteira que pegou a doença, mas não apresentaram sintoma nenhum.”

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“A gente não entende bem o que está acontecendo. Todos estão em clima de suspense. A cada dez minutos temos um anúncio na TV sobre o coronavírus. Máscaras e álcool gel estão em falta. Nos mercadinhos, só podem entrar de 10 em 10. Por causa da limitação no número de pessoas nos locais, qualquer lugar que você vai tem fila.”

Relato de Clovis Roberto Anversa, brasileiro que mora em Turim desde 1991

Até o momento, a Itália é o segundo país do mundo com mais casos da doença, atrás apenas da China. São mais de 17 mil pessoas contaminadas no país europeu, com mais de 1.260 mortos.