Coronavírus: Sinagoga fará serviço religioso online; “descobrindo o que é ser judeu em tempos de coronavírus”, diz rabino

Rabino Michel Schleinger fará alguns dos serviços online da CIP (Foto: divulgação)

Toda sexta-feira à noite, quando surge a primeira estrela no céu, começa o shabbat, o dia sagrado para o judaísmo. Nas sinagogas espalhadas país, judeus se reúnem neste dia da semana para fazer o serviço religioso.

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Em tempos de quarentena e isolamento voluntário, a Congregação Israelita Paulista decidiu fazer o serviço de shabbat via streaming, ou seja, vão transmitir ao vivo para que outras pessoas possam acompanhar. “A gente está descobrindo o que significa ser judeu em tempos de coronavírus”, afirma o rabino da CIP Michel Schlesinger.

Nesta quinta-feira, 19, o governador de São Paulo, João Doria, suspendeu a realização de missas e outros cultos religiosos. Mesmo antes do anúncio, a congregação se adiantou.

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A Congregação Israelita Paulista é uma comunidade liberal. Em outras sinagogas, as chamadas ortodoxas, esse tipo de decisão não é uma possibilidade. Isso porque da noite de sexta-feira até a noite de sábado, judeus religiosos não usam celular, veem televisão ou andam de carro – vem deste dia o significado de “sabático”. Alguns não usam nem mesmo elevador ou cozinham.

No entanto, por ser liberal, a CIP aceita que haja inovação em algumas situações, como é o caso. “Se alguém disser que tem uma resposta pronta, estará mentindo. Não existe literatura a respeito, a gente está aprendendo a navegar”, explica Michel.

Na última sexta-feira, 13, eles testaram o método, mas ainda houve o serviço presencial. O público estava reduzido e espalhado pelas cadeiras da sinagoga. Quem optou por não sair de casa, gostou da ideia de acompanhar pela transmissão. “A reação foi a mais positiva possível, as pessoas agradeceram muito”, conta.

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O serviço será liderado por um dos rabinos que trabalham na congregação, o cantor oficial, um músico e terá uma pessoa para fazer a transmissão. Mas, para que uma reza judaica aconteça, é preciso que haja dez pessoas judias no local.

E quem serão essas pessoas? “A gente vai priorizar pessoas que estão de luto, porque são pessoas que precisam dizer a reza do luto todos os dias, e já não vão poder”, explica o rabino. Além disso, ele esclarece que pessoas em grupo de risco não poderão participar.

Cursos, aulas e encontros que fazem parte da rotina da CIP também estão sendo feitas por vídeo desde o início do período de quarentena.

OUTRAS CERIMÔNIAS

Em abril acontece pessach, a páscoa judaica. Tradicionalmente, famílias inteiras de reúnem para fazerem jantares típicos da festa. A congregação costuma fazer uma comemoração comunitária. O evento presencial foi cancelado e também será feito por vídeo.

O rabino Michel Schlesinger ainda pediu para que as famílias não se reúnam. “Tem momentos que demonstrar amor é ficar perto, agora, demostrar amor é ficar longe. Nós desestimulamos que se façam núcleos grandes.”

As cerimônias relacionadas a morte também foram modificadas. Os velórios, que são em locais fechados, não estão acontecendo. O enterro conta só com a família próxima. No judaísmo, na semana seguinte a morte, há rezas para juntar família e amigos, o que também foi suspenso.

“Tudo que pode ser adiado sem prejuízo, será”, garante o rabino.