Coronavírus: Riachuelo tem caso positivo na empresa e funcionários apontam negligência

Riachuelo é acusada de negligência com funcionários em tempo de coronavírus (Foto: Divulgação)

Funcionários da Riachuelo acusam a empresa de negligência em relação à pandemia do novo coronavírus. Relatos anônimos que circulam nas redes sociais apontam que a gigante da moda descumpriu protocolos de quarentena e obrigou colaboradores com casos suspeitos a trabalhar normalmente no escritório da matriz no bairro da Casa Verde, zona norte de São Paulo.

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Em depoimento ao Yahoo, funcionários afirmam que a situação na matriz é “caótica”. Um deles revela que membros do alto escalão da marca, entre 10 e 15 pessoas, viajaram para Europa no final de fevereiro mesmo com a crise da doença e que a comitiva não cumpriu o protocolo de isolamento de sete dias ao voltar para o Brasil. Uma pessoa do grupo, inclusive, foi testada positivo para a covid-19.

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“Uma das pessoas passou pela triagem no ambulatório da empresa sem apresentar sintomas e foi liberada na segunda-feira (9) para voltar ao trabalho. Ela passou dois dias em contato com funcionários e, na quarta-feira (11), apresentou os sintomas da doença. Ela acabou sendo afastada, mas, no dia seguinte, já testou positivo para o novo coronavírus”, diz a fonte, que conta que trata-se de uma líder de departamento. “Mais de 20 empregados tiveram contato com ela nos dias em que esteve no escritório”, completa.

Os funcionários que tiveram contato físico com a executiva contaminada foram liberados na última sexta-feira (13) para fazer home office e a Riachuelo disponibilizou testes no Hospital Albert Einstein para o grupo. Entretanto, os funcionários afastados foram orientados a voltar para o escritório nesta terça (17) mesmo sem o resultados dos exames.

“O diretor de recursos humanos ordenou o retorno dos afastados dizendo que já havia passado uma semana do contato com a contaminada. Os resultados dos testes dos funcionários que foram expostos ao convívio com ela ainda não saíram e estão todos aqui trabalhando no escritório, inclusive os demais membros da comitiva que viajou para França, Espanha e Reino Unido que não cumpriram a quarentena”, revela. O Yahoo apurou que os executivos também estiveram na Itália.

Um dos funcionários ouvidos conta que todos estão revoltados e indignados por terem que voltar a trabalhar presencialmente. “A empresa foi irresponsável em mandar os funcionários para Europa mesmo sob protestos. Foi negligente ao não solicitar que os viajantes fizessem quarentena antes de retornar à empresa. E agora estão sendo inconsequentes em promover o agrupamento de pessoas que podem ser vetor do novo coronavírus”, completa.

Outros funcionários confirmaram a situação para o jornalista Eduardo Viveiros, que reuniu denúncias anônimas em uma thread no Twitter.

O que diz a Riachuelo

Entramos em contato com membros da área de saúde da empresa e eles afirmam que o grupo que esteve na viagem internacional cumpriu a quarentena e que os exames dos casos suspeitos não testaram positivo para a covid-19. Os demais casos são analisados individualmente. Ainda de acordo com o setor médico da empresa, a decisão de liberar os funcionários para trabalhar remotamente cabe aos gestores de cada área e não ao setor de recursos humanos.

Em nota, a assessoria de imprensa da Riachuelo diz que a colaboradora diagnosticada segue isolada e recebendo assistência da empresa. “Os casos considerados suspeitos, foram encaminhados para avaliação médica, receberam orientação e estão sendo monitorados pela área de Saúde. Seguindo as práticas estabelecidas pelo Ministério da Saúde, esses colaboradores ficam afastados, cumprindo o isolamento orientado pelos órgãos oficiais”, diz o texto.

“Como prevenção, nas áreas administrativas, já foi programado home office para profissionais com condições de efetuar o trabalho a distância e foi definida a redução da jornada, com horários flexíveis e limitando em no máximo 50% do quadro presente nessas áreas, reduzindo a circulação de pessoas no escritório, a partir da próxima quarta-feira (18)”, completa.

Home office? Só para o administrativo

Em conversa com o Yahoo, outras fast-fashions se posicionaram sobre as medidas que estão sendo tomadas para melhorar a saúde de seus funcionários. Em nota, a Lojas Renner decretou que as lojas e centros de distribuição continuam abertos - mas que estão reforçando a higienização de suas instalações com orientações sobre práticas de limpeza e segurança.

O home office foi adotado apenas para atividades administrativas. Viagens de trabalho foram suspensas e treinamentos estão sendo feitos por videoconferência. “Aqueles colaboradores que vierem a apresentar sintomas ficarão afastados, em quarentena, pelo período necessário”, explica. 

A C&A apenas avisou que está adotando medidas preventivas para evitar a proliferação do COVID-19. “A empresa adotou um plano de contingenciamento conduzido por uma equipe multidisciplinar que está implementando uma série de medidas entre seus associados, clientes, fornecedores e parceiros, em linha com as recomendações das autoridades de saúde do país e da Organização Mundial de Saúde (OMS). Esta equipe está preparada para instaurar imediatamente as medidas que forem necessárias de contenção caso seja confirmado algum caso entre seus colaboradores/familiares e/ou parceiros comerciais”, escreveu em nota oficial.

Por fim, a Marisa nos avisou que está reforçando o time de e-commerce, já que as vendas online aumentaram durante o período. Todas as lojas também estão disponibilizando álcool gel e as equipes de limpeza foram reforçadas para que áreas de maior contato sejam higienizadas com mais frequência.

Para o escritório central, o home office foi aprovado. "Como medida complementar, foram suspensas viagens, eventos e reuniões presenciais, bem como foi disponibilizado um guia com medidas de prevenção para todos”, finalizam.