Coronavírus: o que fazer com os filhos em casa durante a quarentena?

Manter as crianças entretidas em tempos de quarentena pode ser difícil, mas é preciso diálogo e equilíbrio (Foto: Getty Creative)

As aulas foram suspensas, as férias foram adiantadas, mas a possibilidade de sair de casa é quase nula. Manter as crianças entretidas e ocupadas com o descanso planejado já é difícil, o que dizer de um período de confinamento forçado? Essa é a questão de muitos pais que agora estão com suas famílias em quarentena por conta do Coronavírus

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Marcella e Samir Lobo, pais de Isabella e Bernardo, de 6 e 2 anos, respectivamente, ficarão com os filhos em casa por uma semana, a princípio. Segundo a gerente de relacionamento, os filhos se dão bem, mas são praticamente opostos: enquanto Isabella é mais tranquila e adora desenhar e brincar de bonecas, Bernardo é muito agitado e "sobe e desce de todos os lugares o tempo inteiro". 

Em situações normais, o casal gosta de levar os filhos para passear em parques, brincar na piscina do prédio e até para se divertir em atividades infantis nos shoppings. O tablet também é uma forma constante de entreter os dois, que amam assistir vídeos no YouTube. 

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"Nos finais de semana, tem um momento do dia que percebemos a necessidade de fazer algo com eles. Eles começam a mexer em todos os ambientes e itens da casa e não resolve o tédio. Vai ser um super desafio encontrar uma forma de trabalhar, estimular a criatividade deles e criar atividades", explica ela.

Para Marcella, os gadgets e desenhos talvez sejam uma saída para ajudar a mantê-los ocupados enquanto os pais trabalham - e encontrar uma maneira de equilibrar o foco nas atividades profissionais com a atenção aos filhos. "Eles gostam bastante de desenhar, amam cantar e dançar. Vamos ter que nos dedicar a parar um pouco no dia e brincar junto com eles", diz. 

Lidar com a frustração também não tem sido simples. Bernardo ainda é pequeno para entender o que acontece no mundo lá fora, mas Marcella precisou conversar sobre o assunto com Isabella, que insistia em ir à piscina. "Foi uma conversa que começou difícil, pois ela não queria ouvir e só pensava na frustração de não ir à piscina. Quando a contextualizei de que uma ação poderia salvar muitas pessoas e que agora temos que pensar no coletivo, ela acabou entendendo."

A solução, no fim, também foi o suficiente para deixar os pais tranquilos e aliviar a vontade de Isabella: a banheira de plástico na varanda do apartamento que moram virou a piscina do prédio improvisada. 

Como entreter crianças no período de quarentena? 

Para a educadora física e pedagoga Vivi Lisboa a maior dificuldade ao ficar com crianças em um ambiente fechado por um período longo de tempo é tirá-las da frente dos celulares, computadores e televisão. Esses itens não devem ser excluídos do dia a dia da criança, mas é possível apresentar outras atividades e aproveitar a oportunidade para desenvolver novas habilidades.

"Para uma crianca, ficar mto tempo em ambiente fechado sem os 'seus eletrônicos' pode ser muito entediante pelo fato de ter muita energia naquele corpinho! E uma dificuldade é apresentar a nova atividade de uma forma que seja legal e prazerosa para ela", diz.

Por isso, um ponto para manter sempre em mente é priorizar brincadeiras que tenham relação com aquilo que a criança já gosta de fazer. Propor algumas atividades manuais, como fazer slime, tintas e massa de modelar são boas pedidas - vale até montar um roteiro para um vídeo explicando informações para as pessoas, em que elas se divirtam e informem ao mesmo tempo. "Dar utilidade para a atividade que eles estão fazendo é muito importante, afinal, ninguém gosta de só fazer alguma coisa por fazer", explica.

Outro ponto importante: se os pais vão trabalhar em casa, os filhos não precisam ser excluídos dessa dinâmica ou serem vistos como uma questão enquanto tentam cumprir com os compromissos profissionais. 

Equilibrar o trabalho com as brincadeiras e lembrar a criança que ela não está sozinha é essencial. (Foto: Getty Creative)

"Ser um ajudante é uma atividade sempre esperada por eles, principalmente se forem ajudante dos seus pais. Muitas vezes, eles não podem ajudar o tempo todo, mas podem ajudar no desempenho um trabalho tranquilo. Eles podem ficar no mesmo ambiente, por exemplo, e cada um fazer a sua atividade", explica Vivi. 

É essencial também ter uma conversa franca sobre importância: tanto do que os pais estão fazendo e porque o foco é importante no momento do trabalho, quanto do que a própria criança está fazendo. Deixe claro que você está ali quando ela precisar, mas que existem momentos do dia em que você precisará colocar a atenção em outro lugar. "Na verdade, tudo o que eles querem é saber que não estão fazendo as coisas sozinhas."

Segundo a pedagoga, para uma criança tudo é brincadeira. Por isso, deixe a sua própria imaginação rolar ao pensar em diferentes formas de entretê-las e fazê-las abstrair do fato de não poderem sair de casa - e, em caso de dúvidas, a internet pode sempre ajudar com novas ideias. 

Evitar também passar a ideia de que algumas atividades em excesso são proibidas (por exemplo, "não pode usar o celular ou o tablet"), é essencial para que a criança não entre em discordância. 

No mais, use o tempo e as próprias brincadeiras para se aproximar dos seus filhos. "Para organizar e saber a melhor forma de todas essas atividades acontecerem e serem divertidas, um bom bate papo e uma troca de vivências têm que acontecer. E nada mais gostoso de fazer isso junto", explica. 

"Para a criança é muito importante saber que ela faz parte dos seus dias, e que vocês se relacionam com ela não só como pais, que dão regras, que pedem para tomar banho e comer direito, mas também como grandes amigos que compartilham as suas atividades e sabe do que gostam", termina a pedagoga.