Covid-19: quando os respiradores devem entrar em cena

Casos mais graves da doença demandam cuidados mais intensos. Foto: Getty Images

Por Fábio de Oliveira, da Agência Einstein

O Sars-Cov-2, sigla pela qual é conhecido o novo coronavírus, tem desafiado cientistas e médicos ao redor do mundo por ser um micro-organismo desconhecido e cujos efeitos deletérios à nossa saúde ainda não foram totalmente compreendidos. No entanto, os especialistas já sabem dos estragos que o vírus pode causar nos pulmões, provocando um estado inflamatório que compromete a principal função do órgão: as trocas gasosas, ou seja, oxigenar o sangue e eliminar o gás carbônico. Daí porque muitas pessoas acometidas pela doença têm dificuldade de respirar. “Quando o paciente apresenta insuficiência respiratória, tem a sensação de falta de ar, a dispneia”, explica o médico intensivista Leonardo Rolim Ferraz, gerente do Departamento de Pacientes Graves do Hospital Israelita Albert Einstein. Esse quadro se deve à baixa taxa de oxigênio no sangue. Com isso, em uma reação natural para tentar compensar esse déficit, ocorre um aumento da frequência da respiração. 

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Dessa forma, dependendo da evolução do doente, os especialistas recorrem ao auxílio da chamada ventilação mecânica, o nome do sistema de suporte que ajuda a suprir a carência de oxigênio. Felizmente, em 85% dos pacientes a doença é leve e apenas 5% vão para a UTI. A maioria é internada num quarto e precisa de oxigênio suplementar. Para ter uma ideia, o ar é composto por 21% de O2, 78% de nitrogênio e o restante por outros gases. Com a ventilação, é possível elevar a oferta de oxigênio em até 100%. 

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A indicação do recurso é baseada em critérios objetivos. Os médicos avaliam o nível de saturação do sangue, ou seja, a quantidade de oxigênio que está sendo transportada na circulação. Isso é feito por meio de um aparelho, o oxímetro, que é colocado no dedo ou no pulso do paciente sem necessidade de agulhas. É que as hemoglobinas, proteínas encontradas no interior das hemácias e que transportam as moléculas de O2, ficam com uma tonalidade de vermelho mais brilhante quando estão carregadas de oxigênio. Um sensor com luz infravermelha no oxímetro capta essa mudança de cor. O ideal é que a saturação seja maior do que 94%. 

Existem basicamente dois tipos de ventilação mecânica. Muitos indivíduos hospitalizados devido à covid-19 e que não se encontram em um estado grave vão precisar da forma não invasiva. As doses extras de O2 são fornecidas via cateter ou máscaras conectados a máquinas. “Esse equipamento gera um fluxo de ar com pressão positiva a cada inspiração”, explica Rolim. Dito de outra maneira, ele empurra o ar para dentro dos pulmões na inspiração e deixa sair na expiração. Alguns pacientes melhoram apenas com essa estratégia. 

Quando isso não acontece, apela-se para a ventilação mecânica invasiva. Como a nomenclatura entrega, coloca-se um tubo através da boca do paciente e cuja extremidade se situa na traqueia. A pessoa fica sedada em um nível suficiente para que fique confortável. O objetivo aqui é deixar o pulmão em descanso, para que ele se recupere. Ao ventilador cabe a tarefa de auxiliar o pulmão a retirar o gás carbônico da circulação e oxigenar o sangue. 

Por fim, se há um agravamento do caso, a saída é o sistema de oxigenação extracorpóreo, o ECMO. A ideia é também, por assim dizer, dar um tempo para a atividade pulmonar até que o órgão e o corpo se desinflamem. Uma bomba retira o sangue venoso e o oxigena através de uma membrana, além de eliminar o gás carbônico, como se fosse um pulmão artificial. “É uma tecnologia cara e complexa, o extremo do suporte”, revela o médico intensivista Leonardo Rolim Ferraz. Sua utilização é bastante restrita, sendo necessária seleção criteriosa dos pacientes que vão se beneficiar. “Os respiradores atualmente são aparelhos sofisticados por meio dos quais conseguimos ajustar muitos parâmetros e adaptar a ventilação às necessidades de cada paciente”, finaliza. 

(Fonte: Agência Einstein)