Coronavírus: animais também podem contrair a doença?

Ziggie, um cachorro, usa uma máscara em Los Angeles. (Getty Images)

Preocupações foram levantadas acerca de animais de estimação poderem ser iinfectados com o coronavírus. A questão veio à tona quando um cachorro em Hong Kong com um dono infectado testou "positivo fraco" para o patógeno, mas apresentava boa saúde.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Siga o Yahoo Vida e Estilo no Google News

Não são apenas os animais domésticos que podem ser vulneráveis. Um tigre em Nova Iorque desenvolveu a tosse seca reveladora do vírus depois de pegar a infecção de um trabalhador do zoológico que estava assintomático.

Leia também

Especialistas descartaram amplamente os temores de que esse tipo de animal possa transmitir o vírus aos seres humanos, no entanto, é menos claro como a infecção ocorre em nossos amigos peludos.

Para saber mais, cientistas da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas analisaram como o vírus se replica em uma série de animais.

Eles concluíram que o patógeno "se replica mal" em cães, porcos, galinhas e patos; no entanto, furões e gatos são "permissivos à infecção".

Embora possa parecer alarmante, os especialistas enfatizaram que a infecção homem-gato provavelmente ocorre em "baixa frequência", ainda não havendo evidências de que os animais transmitam o vírus aos seus donos.

Zaynab Razzouk, chefe da organização de proteção animal Carma, brinca com um cachorro em um abrigo perto de Beirute, no Líbano. (Getty Images)

Coronavírus: os animais de estimação estão em risco de infecção?

O coronavírus é uma das sete linhagens de uma classe de vírus conhecidas por infectar seres humanos. Pesquisas anteriores sugerem que é leve em quatro de cinco casos, no entanto, pode desencadear uma doença respiratória chamada COVID-19.

Os outros tipos causam tudo, desde o resfriado comum até a síndrome respiratória aguda grave (Sars), que matou 774 pessoas durante o surto de 2002/2003. A síndrome respiratória do Oriente Médio (Mers), um tipo de coronavírus, matou 858 pessoas durante o surto de 2012.

Pensa-se que Sars e Mers se originaram em morcegos e "pularam" para os seres humanos através de um hospedeiro intermediário. Civetas de palmeiras mascaradas provavelmente foram responsáveis ​​pela transmissão inicial do Sars, enquanto o Mers pode ter pulado de morcegos para camelos e seres humanos.

Pesquisas sugerem que o novo coronavírus compartilha mais de 96% de seu DNA com um tipo detectado em morcegos-de-ferradura.Embora não esteja claro, ele pode ter passado para os seres humanos através de pangolins.

Embora certos animais possam claramente transmitir o coronavírus às pessoas, os cientistas chineses se propuseram a descobrir o quão suscetíveis os "animais cobaias de laboratório, assim como animais de companhia e domésticos" são ao novo tipo do vírus.

Os furões são "comumente usados ​​como cobaias para vírus respiratórios que infectam humanos" e, portanto, foram incluídos na análise. Os cientistas isolaram amostras do coronavírus de um paciente ou animal infectado.

Os animais do estudo foram então expostos ao patógeno. Os resultados, publicados na revista Science, sugerem que a infecção pode ocorrer em furões e gatos.

"A infecção gato a gato também foi demonstrada em um felino, o que sugere que gotículas de aerossol podem ser infecciosas", disse o professor Mick Bailey, da Universidade de Bristol. “Embora a exposição tenha sido contínua por um período não especificado e os gatos possam ter passado algum tempo cuspindo uns nos outros”.

Um gato na Bélgica deu positivo para o coronavírus depois de "pegar" a infecção do dono. A não ser no caso de furões e gatos, os animais não pareciam suscetíveis.

"O nível de crescimento do vírus em cães foi muito baixo e a exposição não levou à infecção em dois dos cinco animais testados", disse o professor Richard Tedder, do Imperial College London. "Não foi encontrado nenhum vestígio de vírus em nenhum dos cães, nem a infecção foi passada em cães que estavam nas gaiolas vizinhas".

Um homem usa um cachecol na boca e no nariz enquanto passeava com um cachorro em Taormina, Itália. (Getty Images)

Coronavírus: é improvável que animais transmitam a infecção a seus donos, destacam especialistas

Os especialistas saudaram amplamente a pesquisa, no entanto, alguns salientaram que ela foi realizada em laboratório.

"O estudo experimental de transmissão foi realizado em condições muito artificiais, dando aos gatos altas doses do vírus, o que levou a uma transmissão limitada entre os gatos, embora os números fossem muito pequenos", disse o professor James Wood, da Universidade de Cambridge.

"Esses resultados são importantes, mas é improvável que essas condições ocorram na vida real".

O professor Wood acrescentou que ainda não há evidências de que um gato infectado possa transmitir o vírus ao seu dono.

"Os dados gerais sugerem que os gatos podem ser infectados por seus donos, caso eles tenham COVID-19, mas nada sugere que os gatos transmitam o vírus aos donos", disse ele.

“É possível conceber muitas rotas pelas quais uma infecção pode entrar em uma casa, mas meios indiretos, como entregas de produtos ou comida ou em qualquer animal, têm muito menos probabilidade de transmitir infecção do que a transmissão direta de alguém que está infectado”.

"Apesar de haver mais de dois milhões e meio de casos de COVID-19 em todo o mundo, não há um relatório público único que sugira que os pacientes possam ter sido infectados por seus animais".

Quanto ao motivo pelo qual é improvável que os animais transmitam a infecção aos seres humanos, o professor Wood apontou que “o tamanho relativo de um gato comparado a um humano significa que há muito menos expiração-respiração de um gato em uma casa”.

"Além disso, o comportamento de limpeza dos gatos significa que eles são mais propensos a pegar a infecção de um proprietário do que vice-versa", acrescentou.

Apesar da garantia dos especialistas, as diretrizes do governo pedem que qualquer pessoa que se isolar com a febre ou tosse do coronavírus evite o contato com animais, se possível.

A Associação Veterinária Britânica recomendou que aqueles com sintomas que possuem um gato, o mantenha dentro de casa por precaução.

Com muitos especialistas desconhecendo esse novo tipo do vírus, esse conselho provavelmente está pautado na precaução.

"Você nunca pode dizer nunca, mas os gatos realmente não estão participando da disseminação do vírus", disse Rachael Tarlinton, da Universidade de Nottingham.

"Realmente, você não precisa ter medo nem do seu gato, nem pelo seu gato".

O professor Bailey concordou, acrescentando que a pesquisa chinesa é "melhor vista como uma peça de opinião".

"Minha opinião é de que a infecção humano-gato pode ocorrer, mas provavelmente em baixa frequência", disse ele.

“Gatos infectados podem infectar outros gatos e eu não pude excluir completamente a possibilidade de infectarem seres humanos, embora não haja evidências disso”.

“O fato de a quarentena parecer ter funcionado na China e estar funcionando na Itália e na Espanha, sugere que reduzir o contato humano-humano controla a transmissão”.

Um gato usa uma máscara em Buenos Aires. (Getty Images)

O que é o coronavírus?

Desde que o surto de coronavírus foi identificado, mais de 1,4 milhão de casos foram confirmados em todo o mundo, de acordo com a Universidade Johns Hopkins.

Nesses casos, sabe-se que mais de 667.500 "se recuperaram".

Globalmente, o número de mortos ultrapassou 174.500.

O coronavírus se espalha principalmente através de gotículas infectadas expelidas pela tosse e espirro.

Também há evidências de que pode ser transmitido nas fezes e sobreviver nas superfícies.

Embora a maioria dos casos seja leve, a pneumonia pode ocorrer se o coronavírus se espalhar para os alvéolos pulmonares.

Isso faz com que eles fiquem inflamados e cheios de líquido ou pus.

Os pulmões então lutam para inspirar ar, resultando em oxigênio reduzido na corrente sanguínea e no acúmulo de dióxido de carbono.

O coronavírus não possui tratamento "definido", com a maioria dos pacientes combatendo naturalmente a infecção.

Aqueles que necessitam de hospitalização recebem "cuidados de suporte", como oxigenação, enquanto o sistema imunológico começa a funcionar.

As autoridades pedem que as pessoas evitem o coronavírus lavando as mãos regularmente e mantendo o distanciamento social.

Alexandra Thompson

Siga o Yahoo Vida e Estilo no Instagram, Facebook e Twitter e aproveite para se logar e deixar aqui abaixo o seu comentário