Coronavírus: Noivos têm planos frustrados e decidem adiar casamento

Camila e Guilherme organizavam casamento desde o início de 2019 - Foto: Acervo Pessoal

Planejar um casamento requer tempo, dinheiro e organização. É comum que os noivos passem, no mínimo, um ano nesse processo. Com a chegada do novo coronavírus ao Brasil, muitos deles veem o sonho ser adiado. 

É o caso da publicitária Camila Oliveira. Ela e o noivo, Guilherme, planejam o casamento desde o início de 2019. A data escolhida foi a mesma do aniversário de namoro: 3 de abril. No entanto, na quarta-feira, 18, decidiram que o mais prudente seria adiar a celebração. 

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“Estava tudo perfeito para que o casamento ocorresse, até que começaram as notícias a respeito do coronavírus. Começamos a nos preocupar, mas estávamos tranquilos de que até a data tudo estaria resolvido”, diz Camila. 

Tudo mudou quando o governador de São Paulo, João Doria, anunciou medidas mais drásticas, como fechamento de shoppings. “Nos fez entender que as coisas não se resolveriam tão fácil. Foi então que tomamos a decisão de adiar”. 

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Negociações

Casamento de Fábio e Ana Paula passou de abril para agosto de 2020 - Foto: Acervo Pessoal

A negociação com os fornecedores do casamento tem sido positiva tanto para Camila e Guilherme quanto para Fabio e Ana Paula. “Sinalizamos a intenção de alteração da data e todos foram extremamente compreensivos e solícitos. Nenhum deles irá cobrar qualquer tipo de multa contratual”, afirma Camila. 

A situação de Fabio Zelenski é parecida: há um ano e ele a noiva Ana Paula estão organizando o casamento. Ele trabalha com turismo e eventos e, ao perceber a movimentação do mercado por causa do COVID-19, tomaram a decisão de mudar a data. 

O casamento seria no dia 18 de abril. Agora, será em agosto. O casal também não enfrentou problemas com fornecedores. “A negociação foi ótima, nenhuma multa nem alteração de orçamento. O mais chatinho foi ver a data, uma vez que os eventos devem se acumular para o segundo semestre”, conta.

A parte mais complicada, para eles, é o sentimento de frustração. Camila e Guilherme devem mudar a data do casamento para setembro ou outubro. “Muito difícil, até agora não estou acreditando. Parece um pesadelo. Chorei muito essa noite, mas agora estou mais conformada. Não temos escolha.” Para o casal, a prioridade é cuidar: deles mesmos, dos familiares e amigos e também da população de modo geral. 

Fabio sente o mesmo: “a frustração é grande, pois a gente fez tudo direitinho, pagando fornecedores há um ano. Mas a gente sabe que está fazendo o certo”. Alguns dos convidados moram fora do Brasil, mas apenas um tinha passagem comprada e conseguiu cancelar. 

LUA DE MEL

Além do casamento, os noivos ainda têm de se preocupar com a lua de mel que programaram. Fabio já foi contatado pela empresa pela qual fechou as passagens. Pediram para que eles remarcassem a viagem, mas esperassem a data chegar mais perto. Em relação ao hotel, ele acredita que pode haver uma diferença de preço. 

Já Camila conseguiu cancelar o hotel, mas está esperando definir a nova data para remarcar as passagens aéreas.

POR ONDE COMEÇAR

Camila e Guilherme e Fabio e Ana Paula são só dois casais em maio a tantos que terão de adiar suas comemorações. Para quem estiver em situação similar, a assessora de casamentos Paula Rauch indica que os noivos não cancelem os eventos, mas mudem a data. 

Ela reforça que é essencial que ninguém insista em fazer a festa ou a cerimônia nesse momento: “não vai poder abraçar os convidados, a família e ainda vai colocar em risco algumas pessoas, além dos fornecedores”. 

Paula estima que os todos os casamentos de abril e maio tenham de ser adiados e, possivelmente, os de junho também. 

“Como é um sonho, então ele não pode ser realizado nesse risco, porque ele não vai ser um sonho, vai ser um pesadelo”

O primeiro passo para os casais é entrar em contato com o espaço onde o casamento aconteceria e tentar remarcar para o segundo semestre deste ano ou para o primeiro semestre de 2021. “Depois, eles devem escrever essas datas e contatar todos os fornecedores, para ver quais delas funcionam para eles também”, orienta. 

Paula ainda diz que, em uma situação como essa, os fornecedores não podem fazer cobranças extras ou aplicar multas, por se tratar, judicialmente, de motivo de força maior. Ela diz que, para os noivos que têm salário fixo de não terão problemas financeiros, é importante seguir pagando as mensalidades combinadas com os fornecedores. 

Paula ainda lembra que é importante entrar em contato com todos os convidados, orientando sobre a mudança de data. “Isso é muito mais bonito que fazer a comemoração e não poder abraçar ninguém.”

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