Coronavírus inspira as pessoas a fazer seus próprios suprimentos

“Se não há pão no mercado e não há papel higiênico no mercado, o que você pode fazer? Temos que levantar da cadeira e fazer nós mesmos”, diz Dale Doughtery, fundador da revista MAKE e criador da Maker Faire. (Crédito da foto: Mike Senese / revista MAKE)

A escassez nos supermercados, atrasos na entrega da Amazon e uma paralisação nacional nos negócios não essenciais estão forçando alguns em quarentena a fazer em casa o que precisam.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

E nos siga no Google News: Yahoo Notícias | Yahoo Finanças | Yahoo Esportes | Yahoo Vida e Estilo

“Se não há pão no mercado e não há papel higiênico no mercado, o que você pode fazer? Temos que levantar da cadeira e fazer nós mesmos”, diz Dale Dougherty, fundador da revista Make e criador da Maker Faire – um evento internacional voltado para quem usa o “Faça Você Mesmo”, que ocorre em feiras de invenção, curiosidades e aprendizado prático.

Leia também

"Você pode praticamente aprender como fazer quase qualquer coisa online hoje", diz ele. "Receitas, instruções estão disponíveis para lhe ajudar a fazer todo tipo de coisa".

É possível encontrar instruções on-line sobre tudo, desde fazer seu próprio vinagre ou fermento até fazer seu próprio papel higiênico (tenha cuidado com a descarga). “De repente, todos nos tornamos autossuficientes", diz ele.

Através da revista Make e Maker Faire, Dougherty mobilizou centenas de milhares de fazedores, funileiros e construtores, em uma vasta comunidade que compartilha, colabora e celebra a habilidade de fazer coisas do zero.

Dougherty diz que pode ser algo tão simples quanto criar o que ele chama de "jardim da vitória contra o vírus" em seu quintal ou varanda.

Ele diz que fazer as coisas em casa é uma maneira simples de se sentir melhor durante esses períodos de alta ansiedade.

"Na verdade, é algo produtivo que as pessoas podem fazer: fazer um jantar melhor em casa, fazer artes e trabalhos manuais, desenhar, botar a mão na massa e fazer coisas, [são] coisas realmente importantes".

Como pais e alunos se adaptam à nova normalidade do ensino em casa devido à pandemia, Dougherty diz que é uma oportunidade perfeita para encontrar novas maneiras de aprender, através da criação.

"Vamos encontrar novos recursos on-line, novos experimentos que, talvez, sejam melhores do que apenas repassar conteúdo para 30 crianças em sala de aula", diz ele. Sua organização lançou uma série de transmissão ao vivo, gratuita, chamada Maker Camp, que incentiva o aprendizado prático, em casa, para crianças e pais.

"É a capacidade de colaborar e se conectar", diz ele. “As pessoas estão sendo extremamente engenhosas e inteligentes! É como uma liberação total de energia e talento, e quero que o mundo entenda que também faz parte da solução de nossos problemas".

Ele aponta para muitos membros da comunidade de criadores que estão postando vídeos no YouTube, mostrando como fazer máscaras durante a pandemia.

"Não é uma máscara N95 - é cerca de 50% eficaz. Mas em alguns casos, é melhor que nada”.

Dougherty diz que também está conversando com médicos, cientistas e engenheiros que estão construindo versões mais artesanais de equipamentos médicos que estão escassos.

“Eu estava no telefone com um cara que construiu uma grade de desinfecção UV”, diz ele. “Quase parece uma churrasqueira, mas tem luz UV onde você coloca coisas, máscaras faciais ou celulares ou qualquer outra coisa, fecha e depois higieniza”.

Ele chama essas inovações médicas de coronavírus de "Plano C" e diz que os inovadores estão compartilhando seus planos de maneira aberta e gratuita para ajudar qualquer pessoa no mundo, caso precisem.

"Vimos médicos modificando equipamentos e apresentando soluções simples para válvulas e outros itens consumíveis", diz ele.

Ele aponta para os engenheiros da Itália que imprimem peças de respiradores em 3D para manter vivos os pacientes com coronavírus, bem como um médico canadense que descobriu como dividir um respirador para que possa ser usado em duas pessoas ao mesmo tempo, em vez de uma só. O governador Andrew Cuomo está pensando em usar essa tecnologia em hospitais da cidade de Nova Iorque. A Universidade Presbiteriana/Columbia de Nova Iorque já começou a usar a engenhosidade em seus próprios respiradores, mas é considerado arriscado por alguns.

Uma equipe da empresa italiana, Isinnova, mostra que válvulas produzidas com uma impressora 3D para hospitais são vistas perto da cidade de Brescia, no norte da Itália, em Chiari, Itália, em 15 de março de 2020. Crédito da foto: Reuters

“Esse é o nosso talento e habilidades que estão se tornando úteis nos dias atuais. Agora chega o momento em que você diz: ‘Quem está disposto a tentar? São pessoas inteligentes, geniais e tapados o suficiente para tentar’”.

Kristyn Martin