Coronavírus: Mandetta contraria Bolsonaro e pede manutenção de restrições impostas pelos estados

Mandetta contrariou os pedidos de Bolsonaro para quem sejam flexibilizadas as medidas restritivas. (Foto: Andressa Anholete/Getty Images)

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, pediu nesta segunda-feira (30) que sejam mantidas as recomendações feitas pelos estados para conter o avanço da epidemia do novo coronavírus. Os gestores locais têm imposto medidas para restringir a circulação de pessoas e de algumas atividades econômicas, na contramão do que quer o presidente Jair Bolsonaro.

“Por enquanto mantenham as recomendações dos estados, porque nesse momento é a medida mais recomendável, porque temos muitas fragilidades ainda no sistema de saúde”, disse Mandetta.

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Desde a entrevista coletiva de sábado, Mandetta vem dando declarações contrárias às de Bolsonaro. O Ministério da Saúde pede, por exemplo, para que as pessoas evitem ao máximo sair à rua, para diminuir o risco de contágio.

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Já Bolsonaro é favorável ao isolamento vertical, ou seja, apenas dos grupos de risco, como idosos e pessoas com outras doenças.

“A pasta continua técnica, continua científica, e trabalhando dentro do seu planejamento”, disse Mandetta.

O ministro participou da primeira coletiva em novo formato. A partir de agora não haverá mais entrevista com integrantes da pasta na sede do ministério. As coletivas serão no Planalto, com a participação de outras pastas. 

DEMISSÃO

Mandetta foi questionado por uma repórter se havia possibilidade de demissão do ministério. O ministro da Casa Civil, Braga Netto, assumiu o microfone e disse que, neste momento, não existe a ideia de demissão.

“Deixar claro para vocês: não existe essa ideia de demissão do ministro Mandetta. Isso aí está fora de cogitação. No momento.; Tá certo? Não existe”, disse Braga Netto, em entrevista coletiva no Palácio do Planalto.

Mandetta comentou em seguida. “Em política, quando fala "não existe", a pessoa já fala ‘existe’”.

CONGRESSO E SP EM CAMPANHA

Nesta segunda, líderes do governo no Senado assinaram um manifesto em que pedem que os brasileiros sigam as recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) e fiquem em casa. Na coletiva nesta tarde, o governo de São Paulo lançou uma nova campanha reforçando a mesma mensagem. Em sua fala, o governador João Doria (PSDB) pediu que as recomendações de Bolsonaro sejam ignoradas.

CASOS NO BRASIL

O Ministério da Saúde atualizou, nesta segunda-feira (30), para 159 o número de mortes em decorrência do novo coronavírus no Brasil. Ao todo, também foram confirmados 4.579 casos da Covid-19. A letalidade da doença no país apresenta um índice 3,5%.

Até domingo (29), eram 136 mortes e 4.256 casos. Em 24 horas, 23 pessoas morreram em decorrência da Covid-19. Esse foi o maior número de mortes em um dia, segundo dados do governo federal.